quinta-feira, 8 de setembro de 2011

O homem, o mar e o arco-íris

Surpresa no Taichi no Morro do Cristo
Direto de Salvador - Bahia - Gildemar
http://professornao-gildemar.blogspot.com/

Como sempre, cato minha câmera e vou pro Morro do Cristo tirar foto de mais um por do sol. Quero juntar todas as fotos em um vídeo, e botar no youtube para mostrar como a posição onde o sol se pôe muda a cada dia, ciclicamente durante o ano. No verão, ele se põe lá na esquerda, onde a ponta de Itaparica se confunde com a linha do mar. É o sul, pois no verão o sol vem pro sul. No inverno ele vai lá pro lado dos prédios, onde começam as palmeiras da igreja de Santo Antônio. Vai pro hemisfério norte. Na primavera e no outono ele se põe quase em cima do farol da Barra.

Mas primeiro eu faço meu Taichichuan, que aprendi durante uns cinco anos no Japão. Todo ano vinha um professor convidado da China, especialmente para dar um mês de Taichichuan com um expert nativo.
Esta quarta feira o morro estava especialmente lotado. Sete de setembro, feriado nacional, e tinha mais gente do que nos dias de domingo. Comecei meu taichi em frente ao mar, inspirado pela lua quase em cima de minha cabeça. De repente subiu pelas escadas vindo do mar uma personagem que a sociedade taxaria de desequilibrado mental. Parou a quase um passo de mim e ficou me observando bem.
- O dia hoje está bonito, né? - falei pra quebrar o constrangimento.
- Tá - ele respondeu, e veio com o indicador e o dedo médio na direção dos meus dois olhos, como se fosse perfurá-los. Mais do que medo, tive admiração. O taichichuan na verdade é uma luta feita em câmara lenta, o que a torna mais difícil. Se feito em movimentos rápidos, torna-se uma luta como outra qualquer, com golpes de quebrar o cotovelo do oponente. E numa das muitas modalidades de taichichuan tem essa de incidir o indicador e o médio no olho do adversário para cegá-lo. O cara entendia do assunto!
-É isso mesmo! Você conhece, hein? - falei admirado, e continuei tranquilamente. Ele foi se entusiasmando e respondendo com outros movimentos. Quando chegou nas partes mais difíceis, ele enfiava as pernas entre as minhas. Eu percebia que ele conhecia a luta, mas ficava difícil para eu praticar. Aí começou a chover e todo mundo correu para se abrigar.
-Eles correm porque não têm força de espírito como nós - ele falava.

Como o sol continuava, apareceu então um arco-íris completo, desses que raramente se vê. Mostrei a ele e pedi licença para tirar foto. Ele me pediu orgulhoso que tirasse foto dele com seu carrinho de mão. Seu nome era Moacir Rodrigues, do Paraná. Mostrei-lhe a foto, e ele me abraçou com muito calor. Mas a chuva engrossava mais, e minha força espiritual estava ficando com medo de pegar um resfriado e não poder ir às aulas, encontrar meus caros alunos.
-A chuva está engrossando! - falei à guisa de despedida e corri para o alto do morro, onde me abriguei na barraca do meu amigo José, dos cocos.

Quando voltei para casa, ele já não estava mais por lá. Tomara que amanhã eu volte a encontrar esse Moacir, com sua simpatia diferente, para dar-lhe a foto impressa. O arco-íris inteiro não coube numa foto, e fiz a montagem que se vê aí embaixo. É uma função contínua por pedaços. A forma da nuvem é a prova da continuidade. Precisaria ter feito uma rotação em alguma das fotos, por causa da topologia tridimensional do espaço, sabem?

Obs.: Não consegui copiar a foto. Fica a imaginação. Vou tentar e quando conseguir copiar eu divulgo neste texto. Mas, o importante foi mostrar a beleza que é morar numa cidade com mar e praia. Nós em Sampa, ficamos com as flores.

2 comentários:

  1. Sampa tem o Tietê. Já foi um rio muito bonito. Ainda é, perto da nascente. A megalópole matou o rio, mas ainda pode ressuscitá-lo. O Tâmisa, hoje, em dia, tem até carpas.
    (serão carpas? não tenho certeza. deixo carpas, mesmo. são peixinhos gostosos. e é uma palavra bonita.)

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  2. Brigado pela referência. Vou mandar a foto pra você.

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