sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Dilma e o Estadão impressionaram

Estadão elogia Dilma

Vinha pensando em escrever um texto leve sobre a atuação de Dilma na Conferência da ONU. Pensei uma botar uma música que simbolizasse o desempenho de Dilma e os impactos de seu pronunciamento. Pensei até de dividir o seu sucesso com Abbas, da Palestina, ou com Obama, um dos dois dançando “Cheek to cheek” com Dilma.

Ao ver o Editorial do Estadão de hoje, com seu título impactante, pensei que tinha que incluir o Estadão também na história. Afinal, no Dia da Pátria Brasileira, o jornal Estadão “censurou” a foto de Dilma na capa do Jornal. Coisa que nem a Folha fez. Graças a Deus, agora parece que o pessoal de política do Estadão resolveu se refazer e, além de boas fotos e textos, fez até um Editorial elogiando Dilma. Mas o pessoal de política do Estadão ainda não está curado, o ranço político ainda os obriga a querer “usar Dilma para criticar Lula”. Acredito que o jornal está melhorando. Sou assinante do Estadão e quero ler um bom jornal.

Vou reproduzir abaixo grande parte do Editorial do Estadão de hoje, deixando só as coisas boas. Quem quiser ler as críticas a Lula, que leia no jornal ou na internet.Vejam abaixo:

A presidente impressionou


23 de setembro de 2011 | 3h 07 - O Estado de S.Paulo – Editorial
http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,a-presidente-impressionou-,776372,0.htm

De volta ao hotel onde estava hospedada em Nova York, depois de pronunciar, como compete ao Brasil, o discurso de abertura de nova sessão da Assembleia-Geral das Nações Unidas, a presidente Dilma Rousseff fez uma breve pausa antes de se preparar para a etapa seguinte de sua agenda - encontros bilaterais com os chefes de governo do Chile, Colômbia, França e Grã-Bretanha - e compartilhou uma Veuve Clicquot com membros de sua comitiva.

Havia, de fato, o que comemorar
. Durante 25 minutos, diante de líderes e representantes diplomáticos de 194 países, ela fizera um pronunciamento que impressionou pela limpidez, correção e maturidade, para expor a posição do País em relação às questões centrais da atualidade mundial.

Poderia se ressaltar ainda o vigor de sua fala, mas esse atributo, por si só, não torna mais respeitáveis os argumentos desfiados. Foi um alívio não ouvir de Dilma, por exemplo, a descrição maniqueísta do mundo dividido entre a cupidez do Norte e os padecimentos do Sul. Para Dilma, mais importante do que execrar os culpados pela presente crise econômica é promover "um novo tipo de cooperação" entre países emergentes e desenvolvidos. Porque a crise, indicou, é também de "governança e coordenação política".

Trata-se de "substituir teorias defasadas, de um mundo velho, por novas formulações para um mundo novo". De mais a mais, se os Estados Unidos são em boa parte responsáveis pela situação, "que pode se transformar em uma grave ruptura política e social", entre outras coisas porque permitem que conflitos partidários sustem a aprovação de projetos para revitalizar a economia, a China adota uma política cambial (mantendo o yuan artificialmente baixo) que desequilibra as relações de troca entre os países e, por extensão, retarda a recuperação econômica global.

Dilma não fez o Brasil de vítima da recessão que avança no exterior. Mas observou que, embora o País ainda tenha sido pouco afetado, "nossa capacidade de resistência não é ilimitada", o que reforça o sentido de urgência de seu apelo para a redefinição dos compromissos que regem as relações internacionais. Não foi apenas ao discorrer sobre a economia que ela - a primeira mulher a abrir uma temporada de debates no plenário da ONU - se guardou de separar os países entre "bons" e "maus". Respeitando os fatos, apontou que violações de direitos humanos existem em toda parte, sem exceção. "Reconheçamos esta realidade e aceitemos, todos, as críticas", exortou.

Como era de prever
, reiterou a posição brasileira pela reforma do Conselho de Segurança, com a inclusão de representantes dos países em desenvolvimento entre os seus membros permanentes, defendendo explicitamente a aspiração do País a um lugar no colegiado. Também como se esperava, apoiou a reivindicação palestina ao reconhecimento do seu Estado e ao seu ingresso na ONU como membro de pleno direito - o tema principal desta 66.ª sessão do organismo. "Apenas uma Palestina livre e soberana", raciocinou, "poderá atender os legítimos anseios de Israel por paz com seus vizinhos, segurança em suas fronteiras e estabilidade política em seu entorno." Foi uma paráfrase da clássica tese de que Israel não terá para si o que insiste em negar à Palestina. Dilma se absteve de entrar nos meandros de sua eventual solução, salvo para consignar que o Brasil já reconhece o Estado palestino nas fronteiras de 1967.

Com o pouco que disse, foi mais coerente do que o americano Barack Obama. Ele nem sequer aludiu a esse ponto, como se já não o tivesse endossado, ao condenar a iniciativa palestina no seu discurso mais pró-Israel desde que chegou à Casa Branca - onde espera continuar depois de 2012.

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