quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Amigo é para estas coisas

Uma conversa, um frevo, uma alegria

Temos um amigo professor de engenharia, que fez um trabalho de qualificação para ser titular na universidade, onde o tema era “o imprevisto previsível nos acidentes” onde ele mostrava cientifico e filosoficamente que “o imprevisto” na grande maioria é previsível, basta prestar atenção no que “os peões” falam, nos barulhos e nas cores ou odores da construção ou da máquina. Simplificando, se soubermos ouvir ou ver as pequenas coisas, seremos capazes de resolver grandes problemas. E evitar grandes tragédias. Sabe o “olhar de mãe”?

Eu andava meio triste por dois motivos. Primeiro, por que depois de assistir à apresentação da OSESP – Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, no dia 16, sexta-feira passada, onde a última música foi a estréia mundial da “Suíte Popular Brasileira” de EDU LOBO, não confundir com Villa Lobos, onde o final da música era um belo Frevo Sinfônico, eu pretendia comprar um disco da Orquestra Tabajara tocando Frevos.

No domingo, fomos até o Shopping Villa Lobos, na Livraria Cultura, comprar o disco e, para minha surpresa, não havia NENHUM disco de Frevo! Consegui um disco da Orquestra Tabajara com músicas nacionais e internacionais, mas sem um frevo sequer. Isto me deixou muito triste. O Frevo é uma música fundamental na cultura brasileira e a mais importante livraria de São Paulo não tem um disco de frevo. Onde está a cultura?

Segundo, por que na segunda-feira, ao olhar os jornais, vi estarrecido que um irresponsável bêbado, dirigindo em alta velocidade, subiu na calçada, atropelou e matou uma mãe e sua filha, no Shopping Villa Lobos. Ambas tinham ido à Livraria Cultura comprar o livro “A Última Música”. Acharam o livro e perderam a vida, por causa de um motorista bêbado, que depois contrata um advogado para inventar mentiras sobre o acidente. Igual ao Land Rover.
Estes crimes, juntamente com os assaltos, roubos, seqüestros, mentiras e manipulações das informações por parte da imprensa; políticos, policiais e juízes corruptos ou venais; tudo isto nos dá uma mistura de tristeza, vergonha e ódio. Qual é o limite?

Triste, não salvei as matérias dos jornais sobre a morte da mãe e da filha. Li as declarações do irmão e filho que ficou sozinho, sem pai, sem mãe e sem irmã, onde ele dizia: “O motorista acabou com minha família, já que meu pai morreu no ano passado. Agora estou sozinho...” O que acontecerá com o motorista? Impetrará não sei quantos recursos jurídicos, pagará uma grana para os advogados e ficará solto?
E contando estas histórias para meus amigos, quando chequei no trabalho hoje cedo, ao abrir as mensagens no computador, vejo que UM AMIGO (Roberto Parizotti) enviou-me a gravação do Frevo dos Vassourinhas, com a Orquestra Tabajara!

Ganhei o dia e resolvi compartilhar com vocês esta alegria que é o clássico frevo de Recife, com a mais histórica orquestra brasileira e o Hino do Carnaval de Recife. E, quem sabe, as lojas de São Paulo comecem a vender discos de Frevos e os motoristas parem de beber quando for dirigir, ou não dirijam quando beberem. Simples...

Orquestra Tabajara - Frevo dos vassourinhas (carnival march - 1949 )
Composição de Matias da Rocha. Ilustração de Heitor dos Prazeres.

2 comentários:

  1. Parece que o disco está fora de catálogo, Gilmar.

    A propósito, uma história: em 1977, Jards Macalé procurou o Severino Araújo para gravar seu "Choro do Arcanjo". Ele descobriu que a Orquestra Tabajara não se reunia há tempos. Estava praticamente dissolvida.

    Eles juntaram os músicos de novo e gravaram a música, que está no LP "Contrastes". No início da faixa, Severino Araújo fala: "é pro meu amigo Macalé, tá?"

    Desde então a orquestra não parou mais de tocar.

    Em uma entrevista, Macalé afirmou: "se eu não tivesse feito mais nada, reunir de novo a Orquestra Tabajara já seria uma contribuição importante para a música brasileira".

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  2. Gilmar Carneiro, que beleza de texto essa postagem.

    Você se lembra do bordão "Nêgo Véio"?

    Pois então, Nêgo Véio, tu tá bão nesse treco de escrevinhar.

    Abração,

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