quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Temos Heróis?

NOSSA HISTÓRIA e NOSSOS HERÓIS

Há dias que estou querendo fazer um texto sobre a forma como os Estados Unidos tratam os “Seus Heróis” e como nós, no Brasil, tratamos os nossos heróis. Salvei uma foto do Cemitério de Arlington, USA), uma parte do histórico do Cemitério e fiquei pensando sobre o assunto. Na verdade, não quero tratar dos Heróis Generais, quero tratar dos Heróis Anônimos. Em qualquer país do mundo há o Monumento ao Soldado Desconhecido. O Cidadão Comum, que morreu pela Pátria. E os que morrem nas empresas, nas cidades, no trânsito, nos hospitais? Também são pessoas, a maioria “anônima”. É gente, tem nome e endereço. Tem família. Tem mãe, irmã, filho e esposa ou marido.

Porque eu estou falando tudo isto?
Porque as demissões estão acontecendo no Banco Itaú-Unibanco. Todos os dias o pessoal vem ao nosso andar, procurar o pessoal do Sindicato para contar seu sofrimento e suas angústias. Eu já não estou mais na linha de frente do Sindicato, agora trabalho com Economia Solidária. Mas meu coração ainda “sofre” com estas coisas... Eu recebo o material de marketing do Itaú. O melhor material do Brasil. Eu fico encantado! “O mundo muda. E o Itaú muda com vc.” Assim é a capa da revista Itaú Unibanco. Outra mensagem diz: Itaú Unibanco encerra primeiro semestre com lucro líquido de R$7,1 bilhões. É muito lucro!

Os generais do Itaú Unibanco foram fundamentais.
Mas todos os soldados e oficiais do Itaú Unibanco também foram fundamentais. Principalmente os que “tombaram na guerra do mercado” – os demitidos. Por que ignorá-los? Roberto Setúbal morou nos Estados Unidos, mas não mandou nenhum filho para o Afeganistão, como fez o paraibano Sérgio Arruda. Este senhor que perdeu o filho numa guerra americana aprendeu “Como os americanos tratam os seus heróis”, mesmo que seja um brasileiro naturalizado. Este país tem orgulho da sua História e de suas guerras.

Vejam agora o Resumo da matéria que saiu hoje na Folha de São Paulo,11/08/11, com texto de Luciana Dyniewicz. Esta jornalista merece o prêmio Vladimir Herzog de Jornalismo. E a Folha, apesar de não gostar dos nossos heróis, de origem pobre e com pouca escolaridade, quem sabe, aprenda com os americanos a valorizar todos os heróis. Ricos e pobres...
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft1108201114.htm.

Meu filho, Meu Herói


“O brasileiro Sérgio Arruda, 49, perdeu seu filho Raphael em 16/7. Ele morreu no Afeganistão, como soldado dos EUA - um dos quase 1.600 mortos na guerra no país desde 2001. Seu carro foi atingido por bomba. O corpo foi enterrado no dia 30, em Utah (EUA), onde vive a família, da Paraíba. O filho mais novo de Sérgio, Andrey, também está no Exército americano.”

Meu pai era militar no Brasil, e meu filho mais velho sempre gostou do militarismo. O Raphael tirava sarro da cara do Serginho: "Vai bater continência para os outros". Eu não pensava que fosse querer ser militar. Mas ele veio para mim e disse: "Painho, vou entrar no Exército". Ele falou que queria dar de volta [aos EUA] o que recebeu aqui. Ele se sentia muito bem acolhido.

Na realidade, ele foi explodido duas vezes antes de morrer. Uma vez, a base foi atacada. A explosão foi do lado dele, e Raphael foi jogado a uns 30 metros. Na outra, estavam num carro e passaram em cima de uma bomba. Ficou uma semana no hospital. Ele me disse: "Painho, morrer não dói, não". Só na semana em que o Raphael morreu, morreram 17 no Afeganistão. Tenho recebido um apoio muito grande do Exército.

Quando cheguei ao aeroporto, em Salt Lake City, quase 1h, tinha um oficial me esperando para me dar o comunicado, apesar de terem informado antes minha esposa.
Ele leu a carta. "O secretário do Exército pediu-me para expressar profundas condolências porque o seu filho, cabo Raphael Arruda, morreu em ação no Afeganistão, em 16 de julho de 2011." Esse é aquele famoso telegrama que a gente vê nos filmes.

Não tenho raiva. Lamento a morte do meu filho, vou sentir falta dele. Mas acho que ficaria com raiva se ele tivesse voltado do Afeganistão e, na rua, morresse atropelado por um motorista bêbado. Ele morreu como qualquer soldado morre. Perdeu a vida, mas foi por algo que para nós tem muito valor, que é o país que a gente escolheu.

Amo o Brasil, é o país em que nasci e sou muito grato pelos valores que aprendi aí, mas sou americano por decisão. Não somos a favor de guerra. O que acontece é que o país está fazendo uma coisa; como militares, eles obedecem.
Recebemos o caixão com a bandeira americana. Seguiu-se a procissão e todos na rua ficavam em posição de sentido, com a mão no coração, ou prestavam continência.

Uma pessoa do Exército (americano) disse pra mim:
"É assim que nós tratamos nossos heróis".

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