terça-feira, 16 de agosto de 2011

Pedras e Flores no Caminho

Olhos para ver e ouvidos para ouvir

As pessoas têm me perguntado porquê eu resolvi falar das flores e de música, em vez de falar de sindicalismo e política, assuntos que eu tenho tanta experiência. Eu andei pensando sobre isto, dando várias respostas que até agora não me satisfizeram e acho que estou descobrindo qual é o motivo principal.

Somos uma geração que viveu o conflito entre a modernização do mundo com os Hippies e os Beatles, e as trevas no Brasil e na América Latina, com as Ditaduras Militares. Mesmo assim, tivemos a Bossa Nova, a Jovem Guarda, o Cinema Novo, a urbanização do Brasil e a integração nacional.

Nossa geração também acreditou em dois sonhos. Que a derrubada da ditadura era um trabalho coletivo e que as Estatais e o Emprego Público eram instituições sérias e meios de ascensão econômica e social.

O primeiro sonho estava certo, a redemocratização do Brasil e da América Latina foi fruto de um grande processo coletivo onde todos foram importantes. Mas o segundo sonho durou pouco. Com a redemocratização do Brasil, os neoliberais Collor e FHC destruíram as Estatais estaduais e federais, empobrecendo milhões de pessoas que tinham estudado muito para fazer concurso e esperavam ter uma boa aposentadoria. Precisou vir o governo Lula para estancar esta sangria.

O mundo está vivendo uma nova grande crise, gerando medos e incertezas. As pessoas vêem incertezas em todos os lugares. No meio dos caminhos há muitas pedras. Mas também há flores dos diversos tipos e cores. O mundo demanda uma reestruturação. O mundo de hoje não é mais o mundo do pós Segunda Guerra Mundial. Obama não é Roosevelt, nem os Estados Unidos de hoje são os grandes vencedores das guerras.

Ao fazer um balanço da vida eu percebo que, se a dediquei à luta contra a ditadura, à criação e consolidação da CUT e do PT, tudo isto era um meio para contribuir para uma boa qualidade de vida. A geração de nossos pais teve baixa escolaridade, nossa geração já fez universidade, nossos filhos já são poliglotas e viajam pelo mundo.

Na verdade, sempre gostei de flores, de música e das pessoas. Sempre achei que respeitar os pedestres, os fracos, os ignorantes, os mais velhos e as crianças fosse parte de uma vida civilizada e fraterna. Uma vida democrática. Já chegando à terceira idade e respeitando o pedido dos jovens para eu contar meus causos, cheguei a conclusão que contar causos a partir das flores e das músicas, pode sensibilizar mais as pessoas, do que a partir das pedras e da morbidez da imprensa.

Caminhando entre nossa casa e o posto de gasolina para ir buscar o carro, encontrei uma laranjeira, cheia de flores. E, como uma abelha, parei vendo tantas flores e fiquei pensando: Quanto simbolismo tem uma laranjeira em flor! Quantas poesias e músicas falam da flor da laranjeira. Quantos casamentos e sonhos já aconteceram a partir desta pequena flor.

Aí concluí que todos os caminhos têm pedras e têm flores. Têm horas que percebemos mais as pedras e têm horas que percebemos mais as flores. Eu estou na fase das flores e das músicas. Se já recuperamos a Democracia, espero que meus causos, com as flores e as músicas, possam ajudar as pessoas que estão passando dificuldades a superarem seus desafios.



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