terça-feira, 9 de agosto de 2011

O semeador das cerejeiras

Vieram de navio para nos ensinar muitas coisas

Esta bonita reportagem do Estadão vale a pena ser divulgada para todos nossos amigos e amigas. Se de um lado tem a singeleza do imigrante japonês que planta a cerejeira para lembrar do Sakurá e de sua Pátria distante, ao mesmo tempo tem o respeito e a delicadeza do jornalista, do fotógrafo e do próprio jornal ao publicarem a matéria. Sinal de que nem tudo está perdido.

Eu acho que em todas as praças da nossa cidade, deveriam ter as identificações das árvores e das flores, além da divulgação das Associações que cuidam de árvores e flores.

“Patrício Yoshioka plantou no parque da zona leste as primeiras mudas de Sakura, flores símbolo do Japão; hoje, bosque de 1,5 mil exemplares é o maior do Estado

07 de agosto de 2011 - Vitor Hugo Brandalise - O Estado de S.Paulo

São 1,5 mil cerejeiras floridas, cercadas por um paredão de pinheiros americanos no Parque do Carmo, em Itaquera, zona leste da capital. Oferecem espetáculo raro, apenas nesta época do ano - frágeis pétalas se desprendem com o vento e causam revoadas de flores rosas e brancas. São visitadas de manhã cedo e no fim da tarde, geralmente por grupos de jovens, ou casais de idosos. E são "quase parte da família" de um homem tímido e determinado, que ajudou a plantar as árvores em 1977, bem antes de o conjunto se tornar o maior bosque de cerejeiras do Estado.

Patrício Yoshioka, fotografado por Werther Santana/AE

Técnica. Sem treino formal, Patrício sabe cuidar das árvores frágeis: ‘Difícil foi plantar as primeiras. Não sabíamos quais espécies sobreviveriam’

Desde que ajudou o pioneiro Katsuotoshi Matsubara - idealizador do bosque - a plantar as primeiras 300 cerejeiras do parque, o agricultor Patrício Yoshioka, de 70 anos, dedica parte do seu tempo a cuidar das árvores. Tudo em nome da tradição: a flor da cerejeira (Sakura) é um dos símbolos do Japão, onde nasceram pai, mãe e todos os antepassados do agricultor.

O trabalho, voluntário, é realizado com um grupo de outros integrantes da Federação de Sakura e Ipê do Brasil. "Acompanhamos as árvores semana a semana, podamos, adubamos, tratamos. Tudo para passar adiante um legado bonito", disse Patrício, diretor técnico da Federação, e conhecido como "agrônomo" e "botânico", mesmo sem formação. Entre os integrantes da entidade, o paulistano, que nasceu e sempre viveu em Itaquera, é o único remanescente do grupo que plantou as árvores.
Além de raro, a florada é espetáculo efêmero: as cerejeiras florescem uma vez ao ano, por 15 dias. Para comemorar, desde 1978 é realizada no Parque a Festa das Cerejeiras em Flor - tão prestigiada que, neste ano, pela primeira vez haverá dois dias de evento (começou ontem e continua hoje). "O público cresceu e percebemos que poderíamos oferecer mais atrações para celebrar as flores", comemorou o presidente da federação, Pedro Yano.

Na tradição japonesa, as Sakura simbolizam brevidade e fragilidade - são associadas ao samurai, guerreiro de vida efêmera, como a flor. "Também são símbolo da paz esperada em nossa terra. No caso, Japão e Brasil", ensina o agricultor, que, mesmo com as flores ainda ali, já pensa na florada do ano seguinte. "Sigo o relógio da natureza. Na primeira chuva após a florada, temos de adubar. É o momento de preparar as próximas flores."

Os planos da federação para as cerejeiras são ambiciosos: em maio, plantaram mais 1,5 mil mudas na colina vizinha ao atual bosque, para criar o maior conjunto de cerejeiras fora do Japão. "Difícil foi plantar as primeiras. Não sabíamos quais espécies sobreviveriam aqui", conta Patrício. Das 300 primeiras cerejeiras, da variedade Kanzashi, só duas continuam vivas. "Para mim, são as mais bonitas."”
http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,o-semeador-das-cerejeiras-do-carmo,755236,0.htm


Esta foto do Carmo é de Reiko Miura,brasileira, de coração japonês, importante jornalista, que já trabalhou em Brasilia, Ceará e São Paulo. Gente que gosta de flores, de cidades e de gente. Enfim, gente que a nossa cidade precisa.

2 comentários:

  1. na vila madalena dezenas de árvores tem placa com indicação do nome....

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  2. Uma vez em um bosque de cerejeiras, dentro de um sanatório aprendi que a Cultura Japonesa é linda e sensivél como o " Sakura" e forte e lutador como os " Samurais", como tenho um pedaço de mim no Japão, fico emocionada em ver as flores e a poesia no seu Blog.

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