sexta-feira, 19 de agosto de 2011

A floresta se moveu?

Kotscho comemora aliança PSDB e PT em São Paulo

O Brasil pode mudar. Realmente, quando as forças hegemônicas do Estado de São Paulo se aliam e ainda somam esforços com os mineiros, cariocas, capixabas e gaúchos, os demais Estados brasileiros devem “botar a barba de molho”. O Brasil vai mudar! Para melhor ou para pior. É impossível, ou pode ser trágico, querer ignorar ou humilhar o PMDB e os demais partidos brasileiros.

Todos os que lutaram pela redemocratização do Brasil sempre quiseram a unidade dos setores progressistas contra o atraso e a miséria. Os sectários da direita e da esquerda sempre foram contra esta Frente Ampla ou este Pacto Social e Popular.

Várias vezes estive com Mario Covas e ele repetia: “O neoliberalismo está matando o PSDB. Nós criamos este partido para fazer aliança com vocês do PT, da CUT e da Igreja, para modernizar o Brasil. Mas estão se aliando com a Arena e o que tem de pior, para impedir que Lula seja presidente.”

Como cristãos, devemos perdoar setenta vezes sete, mas não devemos esquecer a História, para não tripudiar sobre os nossos Heróis.

Sou a favor de uma Frente Ampla contra a miséria e pela modernização da sociedade brasileira, que passa por uma nova Constituinte, ampla e soberana, para atualizar os poderes executivos, legislativos e judiciários. Para atualizar as Políticas Públicas e a liberdade de imprensa e organização dos meios de comunicação no Brasil.

Gosto muito de Ricardo Kotscho. Compreendo a alegria dele, mas recomendo cautela com a euforia. Covas e Marta foram os dois melhores prefeitos que São Paulo teve desde 1970. Podemos fazer um Frente Ampla para restabelecer a dignidade à nossa cidade. São Paulo merece voltar a ser o referencial na política nacional como foi nas Diretas Já! Mas esta Frente precisa ter uma Carta de Princípios e não ser preconceituosa com os demais partidos, com as instituições da sociedade civil nem com os pobres.

Ainda não perdemos o Bonde da História,estamos abertos para transformar este Bonde em uma Nave ou um Trem TransBrasileiro, que aceite os Seringueiros de Chico Mendes, as Bordadeiras do Nordeste, os novos ricos do Centro Oeste, os sulistas tão viris e todos do Sudeste deste imenso Brasil.

A palavra de ordem que ainda mais gosto é: Liberdade, Igualdade e Fraternidade!
Com Todos, de Todos e Para Todos. E o eterno: “Orai e Vigiai!”

A seguir, o texto de Ricardo Kotscho:

Dilma e Alckmin juntam PT e PSDB contra miséria
Publicado no Blog de KOTSCHO em 19/08/11 às 11h12


Com a nova queda nas Bolsas mundiais e de mais um ministro no Brasil, passou meio batido pelo noticiário um fato histórico registrado nesta quinta-feira, no Palácio dos Bandeirantes, o ninho dominado pelos tucanos paulistas desde a década de 90 do século passado.

Posso estar enganado, claro, mas não me recordo de nenhum evento político nos últimos 16 anos, em que fomos governados por PSDB e PT, tão cheio de simbolismos, bem definidos no discurso da própria presidente Dilma Rousseff, que comandou a cerimônia de lançamento do plano Brasil sem Miséria para a Região Sudeste, ao lado do governador Geraldo Alckmin:
"O pacto republicano e pluripartidário que estamos firmando hoje é capaz de transformar a realidade social que vivemos. É o Brasil fazendo a faxina que tem que fazer, a faxina contra a miséria".

O governador Geraldo Alckmin não deixou por menos:
"Ultrapassamos o período de disputas para unir esforços em prol daqueles que precisam. Isto, senhora presidenta, se deve em grande parte ao seu patriotismo".
Ao lado dos dois na mesa, reforçando o caráter simbólico do encontro, estava o ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso, que recepcionou Dilma na chegada e entrou com ela no auditório, ambos bastante aplaudidos pela platéia suprapartidária.

Há muito ausente de cerimônias deste tipo, FHC foi convidado por Alckmin. O ex-governador José Serra, que já escreveu artigo criticando o Brasil sem Miséria, também convidado, não apareceu. O ex-presidente Lula cumpria agenda em Minas Gerais.
Estavam presentes governadores do PMDB (Sérgio Cabral, do Rio); do PSDB (Antonio Anastasia, de Minas) e Renato Casagrande (do PSB, do Espírito Santo), além de cinco ministros, quase todo o secretariado estadual e as principais lideranças tucanas e petistas de São Paulo.

Em que outro momento da nossa história recente vimos algo parecido?
Pois é, a vida nos guarda surpresas e, quando menos esperamos, também acontecem coisas boas.

Quem diria que o provinciano Alckmin e a durona Dilma, que dizem não gostar de política, seriam protagonistas de um pacto republicano que Fernando Henrique Cardoso e Lula, os grandes líderes de PSDB e PT, não conseguiram promover em seus 16 anos de governo?
Dilma e Alckmin conseguiram reunir sob o mesmo teto e no mesmo palco representantes do governo federal petista e do governo estadual tucano para cuidar do mesmo projeto: unir esforços no combate à miséria.

É o único jeito de um dia o país poder se livrar desta praga chamada PMDB, o "fiel da governabilidade", seja qual for o partido no poder, e dos PRs e outros pês da vida, mudar de rumo e correr o risco de dar certo.

O partidão peemedebista, que um dia já foi comandado pelo grande Ulysses Guimarães, na travessia da ditadura para a democracia, tornou-se o antro dos políticos mais fisiológicos do país. Sobrevive, com força, graças à guerra fraticida entre tucanos e petistas em São Paulo, que tanto tem prejudicado o restante do país.

Afinal, que importa para os brasileiros de outras regiões se o próximo prefeito de São Paulo a ser eleito em 2012 será do PT ou do PSDB? O Brasil não pode mais ficar a reboque desta eterna disputa feita de soberba e vaidade dos líderes dos principais partidos do maior Estado do país, que elegem os presidentes da República desde 1994.
O Brasil é maior do que isso.
Dilma e Alckmin, políticos de uma nova geração, parecem já se ter dado conta disso.

Quem não sacar esta mudança vai perder o bonde da história.

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