terça-feira, 30 de agosto de 2011

Cuba no Mercosul, um gesto

Caminhos Solidários

Há dias que estou com a Revista do Brasil que tem Fernando Morais na capa e que faz uma bela entrevista sobre este jornalista e militante que é um “Bom Contador de Histórias”. Os jornais Folha e Estadão também deram páginas sobre o lançamento do novo livro de Fernando Morais. Um livro sobre espionagens, guerra fria, sabotagens, crimes e barbaridades. Tudo isto realizado por orientação e proteção dos governos dos Estados Unidos e de Cuba. É a tal da “guerra suja”, não convencional. Como se as guerras convencionais fossem menos sujas que as guerras de espionagens? Acontece que as guerras convencionais pressupõem regras reconhecidas pela ONU e pela imprensa internacional.

Olho para a revista e fico meditando se esta é a melhor forma de sensibilizar as pessoas sobre a realidade de Cuba. Confesso que não acho que seja. Prefiro pensar em Cuba como pensamos num amigo ou irmão que precisa de ajuda. Aquele irmão ou amigo que nos ajudou quando estava na boa fase e nós estávamos precisando de ajuda. É hora de retribuição efetiva.

Cheguei a conclusão que a melhor forma de o Brasil ajudar Cuba é convidando-a para participar do Mercosul. Fazer um Convênio de Intercâmbio Comércial, Educacional, Esportivo e de Saúde. Convidaríamos nossas empresas e cooperativas para montarem empresas na Ilha, possibilitando a dinamização da economia, do turismo, do comércio e de outras atividades com os países da América do Sul e do Caribe e de lá para cá. As esquerdas farão a maior festa e os empresários ganharão dinheiro. E o povo cubano terá melhores condições de vida, mais renda e mais oportunidade para se adequar ao mundo da economia de mercado sob regulação do Estado.

No mundo, da segunda metade do século XX para cá, há três países que são emblemáticos e que tiveram grandes vitórias contra os abusos e a violência humana. O primeiro é Cuba por tudo que representou de simbolismo na luta contra o imperialismo americano na América Latina e Caribe. O segundo é o Vietnã que representa o único país do mundo que derrotou os Estados Unidos numa guerra. A estratégia popular e de longa resistência obrigou os militares americanos a deixarem o Vietnã em fuga. Hoje o Vietnã produz e comercializa com o mundo todo, particularmente porque conta com grande apoio da China. O terceiro país é a África do Sul, pela sua histórica luta contra o “apartheid”.

A África do Sul e o Vietnã avançam na melhoria da economia e na qualidade de vida de seu povo. Cuba ainda sofre a violência do “bloqueio econômico dos Estados Unidos”, mas precisa de uma ação mais efetiva por parte dos países solidários, como os países do Mercosul. Os BRICs, os novos ricos do mundo, podem ter um papel mais efetivo de solidariedade a Cuba.

Pode parecer um sonho, mas Lula começou a visitar os países africanos no início de seu governo e o mundo passou a valorizar mais as relações com a África. Lula bem que poderia ser um Secretário Geral da ONU na luta contra a pobreza e o preconceito. O mundo caminharia mais rapidamente para a fraternidade e o respeito entre os povos e os países. É uma pena que uma parcela da imprensa brasileira seja tão mesquinha que não reconheça a importância que este metalúrgico fez para o Brasil e pode fazer para o mundo. Sonhar é preciso...

Vejam esta bela música , cantada pela cubana Omara Portuondo. TAL VEZ, autoria de Juan Formell.

Um comentário:

  1. Caro Gilmar, o objetivo da revista é levar informação para quem não a recebe por meios convencionais. O trabalhador comum não sabe a história. A Folha e o Estadão deram reportagens, assim como o Reinaldo Azevedo deu, e a Carta Capital, e o Jô Soares esta madrugada, porque são "obrigados" a isso, já que seus leitores não entenderiam omissão, pois Fernando Morais é uma grife editorial – e seu livro tem um texto simples e objetivo que pode ser lido por qualquer pessoa. Com certeza, a ideia do aprofundamento das diversas possibilidades de ajuda por meio da política externa, de um país ou um bloco, serão muito mais eficazes para a ajudar a Ilha a minimizar os efeitos do bloqueio. Mas a boa informação, nosso papel, é sempre bem-vinda. Abração

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