segunda-feira, 29 de agosto de 2011

28 vezes 28 de Agosto

Milhares de Sonhos e Realizações

Ontem, domingo, foi 28 de Agosto, um dia que poderia ser como outro qualquer. Mas cada dia tem uma importância especial para cada pessoa. Há as pessoas que nascem e há as que morrem. Há as que se realizam e há as que se frustram. Há as que se recuperam e há as que definham. O calendário pode se repetir,os fatos e a história de cada dia não se repetem.

Há 28 anos, milhares de trabalhadores se reuniram para criar pela primeira vez uma central sindical no Brasil. Apesar de os países europeus terem construídos suas centrais sindicais no final do século XIX, o Brasil, como não tem pressa em nada, demorou cem anos para criar a sua primeira central sindical. É a síndrome do “Deitado eternamente em berço esplêndido”.

Mas, enquanto as centrais sindicais européias têm muitas histórias de guerras, vitórias e derrotas. Enquanto eles vivem, como agora, uma nova crise e uma nova recessão, nós brasileiros vivemos uma história recente que tem muitas vitórias e muitas alegrias. É evidente que muitos morreram, foram demitidos e muitos ficaram pelos caminhos. De 1983 para cá, nossa central só cresceu, deu flores e gerou milhares de frutos, bons frutos.

O Brasil passou a ter quadros, oriundos do sindicalismo, que foram eleitos vereadores, prefeitos, deputados estaduais, governadores, deputados federais, senadores e até Presidente da República. O melhor presidente da república que o Brasil já teve. Isto tudo sem guerra e sem proibir a existência de ninguém e sem censurar ninguém. Pelo contrário, valorizando as diferenças e a diversidade. Reconhecendo que da diversidade surge a melhor democracia. Dinâmica, multiplicadora e aglutinadora.

Embora o PT tenha surgido antes da CUT, foi a partir da CUT que o partido passou a contar com quadros permanentes e qualificados para exercitar a capacidade de administrar, governar e somar esforços com os diversos partidos e grupos da sociedade. Sindicato por natureza é plural, é coletivo. No sindicalismo os eleitores elegem chapas e não um indivíduo. O espírito coletivo está em tudo. Na chapa, na diretoria, na assembléia, na greve, no acordo salarial. Nada é resolvido sozinho, o que diminui a possibilidade de erro e estimula a aprendizagem coletiva.

Acertar e errar coletivamente, respeitando as características de cada um.

Por coincidência, o Professor Bresser Pereira escreve hoje na Folha de SP, um texto falando sobre a crise gerada pelo neoliberarlismo, a exacerbação do individualismo e a crise financeira de 2008 que contaminou o mundo e está destruindo a Europa e a força dos Estados Unidos. Como diziam os filósofos, nós temos a tese, a antítese e a síntese, e a vida vai se renovando dialeticamente...

Com o fim da segunda guerra mundial, o modelo do Estado do Bem Estar Social serviu de anteparo à ameaça do comunismo soviético. Com o fracasso da União Soviética, a direita achou que não precisava mais respeitar os trabalhadores, radicalizando no cinismo e implantando o neoliberalismo no mundo. A essência do neoliberalismo é deixar as empresas, principalmente os bancos, mandarem na economia e na sociedade. É o culto à barbárie econômica e social. Este modelo também está se exaurindo e os países como o Brasil são as novas esperanças.Democracia aberta, mercado aberto e povo aberto. Um país para todos, um país onde o futuro chegou.

A CUT já tem 28 anos de idade. Já deu flores e frutos. Mas não é uma árvore de uma florada só. A CUT deve ser como as grandes árvores da floresta. Deve durar séculos e servir de amparo e de referência para os trabalhadores brasileiros e do mundo, como já acontece agora. Também precisa inovar-se, aprender com sua própria história e buscar novas perspectivas e novas esperanças de qualidade de vida para todos.

A CUT deve saber viver as épocas de vacas gordas e de vacas magras. Deve ser como a mãe que chora de alegria ao ver os filhos felizes e chora de tristeza quando vê algum filho doente ou necessitado. Na história da humanidade, os grandes símbolos são representados pelas mulheres. A CUT, por ser nosso grande símbolo de luta, não será representada por uma linda mulher como Vênus ou a Liberdade da Revolução Francesa, a CUT para realizar a sua missão, precisa exercer a missão das mães que protegem e ensinam os seus filhos.

E por falar em simbolismo, creio que a CUT pode ser como este pequeno pé de Jasmim que eu ganhei nos dias dos pais. Eu já fui um bom sindicalista, agora eu cuido mais de flores e da importância de uma vida saudável, sem ódio e sem rancor. Uma vida que respeite o momento de cada um, com suas alegrias e suas tristezas. Uma vida onde estejamos sempre abertos a ouvir e ajudar os outros.

Este Jasmim está ao lado do pé de Primavera que fica no jardim da frente de nossa casa. Temos um Jasmim já crescido no quintal e na janela de nossa filha. Este pequeno pé de Jasmim deverá crescer e florir na frente da casa, junto com a Primavera.

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