quarta-feira, 31 de agosto de 2011

"Necesitamos 200.000 extranjeros"

Alemanha diz a Espanha

ENTREVISTA:
Viene de primera página... Alemania busca mano de obra cualificada MONIKA VARNHAGEN - Jefa de la agencia alemana de mediación de empleo (ZAV)

JUAN GÓMEZ - 31/08/2011 – El País – Espanha
http://www.elpais.com/articulo/ultima/Necesitamos/200000/extranjeros/elpepiult/20110831elpepiult_1/Tes

La canciller alemana Angela Merkel creó a principios de año grandes expectativas al anunciar su intención de contratar mano de obra cualificada en España.

Alemania está superando sus dificultades para aceptarse como un país de inmigración. Para la jefa del Centro de Mediación de Empleo Internacional (ZAV), Monika Varnhagen, que busca trabajadores especializados en el extranjero para las empresas alemanas, "no hay otra salida". Si se pretende mantener "el crecimiento y la potencia económica de Alemania en pleno hundimiento demográfico y pese al envejecimiento de la población", dice, "necesitamos 200.000 extranjeros al año". Las firmas no buscan el viejo modelo de gastarbeiter, los inmigrantes que venían con maletas de cartón y un contrato temporal. "Nada más lejos", dice tajante. "Queremos que los que vengan estén contentos con sus sueldos y que se integren para formar parte activa de la sociedad".

Alemania y España permiten la libre circulación de personas. Cualquiera puede buscar trabajo donde prefiera. No tienen impedimento los jubilados germanos que busquen un otoño dorado en Alicante ni los españoles que quieran realizar sus aspiraciones artísticas en un sótano berlinés. La ZAV, una agencia pública, se centra en otras necesidades: identifica en España un vivero de jóvenes "con excelente formación" para las firmas alemanas escasas de mano de obra cualificada. La enorme tasa de desempleo juvenil y el fracaso del crecimiento basado en el ladrillo confieren a España un "enorme potencial humano" para la primera economía europea.

La ZAV reforzó "a principios de año" la colaboración con sus colegas del Servicio Público de Empleo Estatal (SEPE) para reclutar españoles. Ambos son parte de la red europea Eures, que fomenta la movilidad laboral en la Unión. Por aquellas fechas, la canciller Angela Merkel viajó a Madrid para reunirse con el presidente Zapatero. Llegó precedida por el descomunal eco mediático de unas declaraciones en las que aludía a la necesidad alemana de contratar ingenieros foráneos. Provocó, recuerda Varnhagen, un "vertiginoso aumento" del número de españoles interesados en la mediación del SEPE y la ZAV. En cuestión de semanas, se pasó del "par de cientos" de postulantes de 2010 a los 14.000 españoles que se han apuntado en lo que va de año.

Las empresas alemanas necesitan sobre todo "ingenieros industriales, electrónicos e informáticos". E ingenieros son "más de 3.500" de todos los españoles inscritos. Otros 2.000 licenciados quieren dar clase de español en Alemania. Unas 2.500 personas aspiran a trabajar en los sectores del turismo y la restauración. Entre los 6.000 restantes hay gente de "todas las profesiones imaginables", según la jefa de la ZAV.

La condición indispensable para beneficiarse de la mediación es saber alemán o estar dispuesto a aprenderlo. "Con saber inglés no basta en absoluto", dice. Es útil, pero las empresas alemanas "buscan gente que sepa comunicarse con sus colegas". "Eso es imposible sin cierto nivel de alemán".

Otro problema es "la tendencia a pedir empleo solo en empresas de renombre mundial". A menudo, se ignora "que hay pymes alemanas de enorme calidad y estabilidad". Los españoles "tienden además a pedir grandes ciudades como Múnich, Hamburgo... o, mejor, Berlín". Otro error, puesto que la tasa de paro berlinesa es la mayor del país (13,5%). Pero como dice Varnhagen, "también a muchos ingenieros alemanes les cuesta decidir mudarse a una localidad pequeña". Es una particularidad germana que muchas firmas punteras tengan sus sedes en lugares provincianos y diminutos, sobre todo en Baviera y Baden-Württemberg. Varnhagen destaca sus ventajas: "El paisaje, las posibilidades de ocio deportivo, la calma".

Quien quiera trasladarse a Alemania puede consultar la web www.zav.de/arbeiten-in-deutschland, en alemán y en inglés. ¿Y el que no la entienda? "Será su primer test: para trabajar aquí debería ser capaz de leer, como mínimo, la versión inglesa".

Concluindo:
Haverá uma grande transferência de profissionais qualificados da Espanha para a Alemanha. Todo o investimento na educação destes quadros profissionais que a Espanha fez será transferido sem custo para a Alemanha.
Falta um Lula na Espanha.

Espaço Solidário, Música e Flores

Encontros que fazem milagres

Ontem eu queria divulgar uma foto de novas flores que apareceram em casa. Ainda em botão, parecia que as flores estavam agradecendo o fato de eu, durante os dias quentes e secos, além de por água para os Jasmins, molhar também as outras plantas. Esta plantinha que ainda não tinha florido, mostrou seu primeiro botão. À noite o tempo mudou, fez frio e choveu. Hoje o botão já está quase aberto, mas a chuva dificultou a foto.


Ontem, além de falar de Cuba, precisei falar da Revista Veja. Fiz com tristeza, por que preferia continuar falando das flores. Com a Democracia não se brinca. Precisamos estar “Orando e Vigiando, sempre”, para evitar que as pessoas passem dos limites e acabem com a pouca democracia que temos. O preço da liberdade é a eterna vigilância. Vale tanto para a direita como para a esquerda.

No final da tarde,tive a alegria de encontrar muitos amigos sindicalistas, profissionais da Economia Solidária, trabalhadores metalúrgicos, químicos, bancários, professores, donas de casa, músicos e artistas. Ontem foi a inauguração do “ESPAÇO SOLIDÁRIO” da Prefeitura de São Bernardo do Campo, onde Marinho é o prefeito. Organizado por Tadashi e Jefferson, este espaço servirá como “Ponto de Encontro” das pessoas que querem aprender, produzir e comercializar de forma cooperativa e solidária.

Tinha gente de vários municípios, vários estados e gente que veio de Brasilia especialmente para estimular a iniciativa. Foi o caso do representante da SENAES, Roberto Marinho, e do grande amigo Frazão, do Banco do Brasil, um dos organizadores do Desenvolvimento Regional Sustentável e hoje no Instituto Cooperforte.

Especial alegria foi encontrar Arildo e Marcelo, dirigentes da Unisol Brasil, juntamente com Mauad, professor e doutor em Direito e Economia Solidária, hoje na função de Diretor da Faculdade de Direito de SBC. Encontrar Dona Toninha, da Cooperativa de Sabão no Montanhão, os amigos da Unimáquinas.

Encontramos também nosso querido Damasceno. Cearense que veio para São Bernardo na década de 70, ele foi motorista do Sindicato e da CUT. Quando Lula precisou vender o seu primeiro automóvel, um Fiat 147, Damasceno comprou e está com ele até hoje. Este brasileiro que tem muita história, mesmo sem nunca ter aparecido nos jornais, chorou na formatura do filho, ao vê-lo receber o diploma da FEI – Faculdade de Engenharia Industrial, num curso que começou com 83 alunos e terminou com apenas 27. Hoje o filho está bem empregado como profissional da Ciência da Computação.

O Brasil ainda passa por São Bernardo... Tão bonito ver o povo altivo, cantando o Hino Nacional enquanto no telão passava as diversas experiências de Economia Solidária na cidade.

É tão gostoso escrever sobre trabalho solidário, amizade, companheirismo, sonhos e realizações! Mostrar as flores. Ouvir música.

Eu estou ouvindo um disco de Miles Davis há dois dias. Muitos não o conhecem, mas ele é um dos deuses da música americana e internacional. E neste disco ele toca de forma divina “Autumn Leaves” – Folhas de Outono, que tem tudo a ver com nossas folhas, flores, sol e chuva. É uma música longa onde todos os músicos têm seus momentos de solo e de acompanhamento. Mas bonito ainda é que os músicos são negros. Como uma pessoa pode ter preconceito racial depois de ouvir uma música desta? Eles são divinos...

Hoje está chovendo muito,
o trânsito está mais lento do que sua lentidão diária, eu aproveitei para ouvir a mesma música durante todo o caminho. E quanto mais eu a ouvia, mais bonita ela ficava. Se você não tiver tempo para ouvi-la de uma só vez, vá ouvindo o tempo que for possível, grave ou compre o disco. Parece música de Chico Buarque, quanto mais você ouve, mais você gosta.


terça-feira, 30 de agosto de 2011

Revista Veja e os Ratos

Mudou o Fábio Barbosa ou vai mudar a Veja?

No dia 25 de Agosto, quinta-feira passada, publiquei neste Blog um texto com o título: “Banco Real, Santander, Abril... Abril?” onde eu perguntava se teria mudado o Fábio Barbosa, profissional exemplar brasileiro, ou se estaria mudando o Grupo Abril, por tê-lo contratado como presidente executivo da Abril S/A e para fazer parte do Conselho Editorial da Companhia. Fábio Barbosa deve assumir no próximo dia 26 de Setembro. Uma segunda-feira.

Disse também:
“O que um homem de bem vai fazer numa empresa desta?
Como sou cristão, estarei rezando todos os dias para que Fabio Barbosa seja capaz de fazer na Abril o que ele não conseguiu fazer completamente no Santander: Transformá-la numa organização que seja o modelo de governança democrática, cidadã, lucrativa e que todos os brasileiros tenham orgulho de ver seus produtos.

Não quero despedir-me de Fábio Barbosa do sistema financeiro para ficar triste com o seu futuro. Ao contrário, quero que ele continue brilhando profissionalmente, e mais do que tudo, tendo orgulho daquilo que faz, como profissional e como brasileiro. Que Deus o ilumine muito e que Fábio possa contar com todos os amigos e admiradores para esta nova tarefa, inclusive comigo. O Brasil está merecendo um grupo econômico de comunicação mais respeitoso e educativo. Que Deus nos proteja também.”

No dia 26 para o dia 27, começou a ser distribuída para Assinantes e nas Bancas a nova edição da revista Veja com José Dirceu na capa. Uma pérola de jornalismo marrom, fascista e digna dos Tribunais de Justiça, se este país fosse mais sério.

Ao ver a reação de jornalistas como Ricardo Kotscho e Luiz Nassif,
fiquei preocupado porque várias pessoas tinham comentado minha visão otimista em relação a Fábio Barbosa e a perspectiva de ele conseguir “humanizar” a revista, ou dar um pouco de governança digna de um país democrático, com poderes constituídos e respeitados. Os céticos disseram que gostariam de ter a mesma fé que eu expressei no texto.

Aí pensei:

É comum quando o pessoal está para perder uma guerra ou para ser demitido de uma empresa que está para fechar, este pessoal cometer barbaridades, depredar equipamentos, queimar arquivos, divulgar mentiras e xingar os comandantes ou patrões, por que estão se desfazendo daqueles que faziam o serviço sujo.

Meu otimismo continua e fica meu desafio:
- Ou Fábio Barbosa toma posse e muda a Revista Veja;
- Ou Fábio Barbosa não aceitará fazer parte desta corja!
- Jamais Fábio Barbosa aceitará sujar sua história por tão baixa concepção de dignidade e cidadania.

Cuba no Mercosul, um gesto

Caminhos Solidários

Há dias que estou com a Revista do Brasil que tem Fernando Morais na capa e que faz uma bela entrevista sobre este jornalista e militante que é um “Bom Contador de Histórias”. Os jornais Folha e Estadão também deram páginas sobre o lançamento do novo livro de Fernando Morais. Um livro sobre espionagens, guerra fria, sabotagens, crimes e barbaridades. Tudo isto realizado por orientação e proteção dos governos dos Estados Unidos e de Cuba. É a tal da “guerra suja”, não convencional. Como se as guerras convencionais fossem menos sujas que as guerras de espionagens? Acontece que as guerras convencionais pressupõem regras reconhecidas pela ONU e pela imprensa internacional.

Olho para a revista e fico meditando se esta é a melhor forma de sensibilizar as pessoas sobre a realidade de Cuba. Confesso que não acho que seja. Prefiro pensar em Cuba como pensamos num amigo ou irmão que precisa de ajuda. Aquele irmão ou amigo que nos ajudou quando estava na boa fase e nós estávamos precisando de ajuda. É hora de retribuição efetiva.

Cheguei a conclusão que a melhor forma de o Brasil ajudar Cuba é convidando-a para participar do Mercosul. Fazer um Convênio de Intercâmbio Comércial, Educacional, Esportivo e de Saúde. Convidaríamos nossas empresas e cooperativas para montarem empresas na Ilha, possibilitando a dinamização da economia, do turismo, do comércio e de outras atividades com os países da América do Sul e do Caribe e de lá para cá. As esquerdas farão a maior festa e os empresários ganharão dinheiro. E o povo cubano terá melhores condições de vida, mais renda e mais oportunidade para se adequar ao mundo da economia de mercado sob regulação do Estado.

No mundo, da segunda metade do século XX para cá, há três países que são emblemáticos e que tiveram grandes vitórias contra os abusos e a violência humana. O primeiro é Cuba por tudo que representou de simbolismo na luta contra o imperialismo americano na América Latina e Caribe. O segundo é o Vietnã que representa o único país do mundo que derrotou os Estados Unidos numa guerra. A estratégia popular e de longa resistência obrigou os militares americanos a deixarem o Vietnã em fuga. Hoje o Vietnã produz e comercializa com o mundo todo, particularmente porque conta com grande apoio da China. O terceiro país é a África do Sul, pela sua histórica luta contra o “apartheid”.

A África do Sul e o Vietnã avançam na melhoria da economia e na qualidade de vida de seu povo. Cuba ainda sofre a violência do “bloqueio econômico dos Estados Unidos”, mas precisa de uma ação mais efetiva por parte dos países solidários, como os países do Mercosul. Os BRICs, os novos ricos do mundo, podem ter um papel mais efetivo de solidariedade a Cuba.

Pode parecer um sonho, mas Lula começou a visitar os países africanos no início de seu governo e o mundo passou a valorizar mais as relações com a África. Lula bem que poderia ser um Secretário Geral da ONU na luta contra a pobreza e o preconceito. O mundo caminharia mais rapidamente para a fraternidade e o respeito entre os povos e os países. É uma pena que uma parcela da imprensa brasileira seja tão mesquinha que não reconheça a importância que este metalúrgico fez para o Brasil e pode fazer para o mundo. Sonhar é preciso...

Vejam esta bela música , cantada pela cubana Omara Portuondo. TAL VEZ, autoria de Juan Formell.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

O mundo na beira do abismo

Prof. Bresser Pereira faz boa reflexão sobre a Crise no Mundo

O mal-estar dos nossos dias

LUIZ CARLOS BRESSER-PEREIRA

São Paulo, segunda-feira, 29 de agosto de 2011 – Folha SP – Mundo
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft2908201109.htm

Os anos neoliberais do capitalismo terminaram com a crise financeira de 2008,que os desmoralizou

VIVEMOS UM tempo de crise, um tempo de mal-estar. A selvagem revolta no Reino Unido mostrou com clareza; foi uma reedição agravada das revoltas da França de 2005.Essas, como as manifestações mais moderadas e mais objetivas na Grécia, na Espanha, e na própria Inglaterra contra as políticas de austeridade impostas pelos credores ou então autoimpostas pelo próprio governo conservador, demonstram que não vivemos dias felizes.

A miséria material continua a identificar países pobres e explorados da periferia, mas a miséria humana, a sensação de insegurança e falta de perspectivas e a frustração generalizada estão em toda parte. Especialmente no mundo rico.Os EUA, que no pós-guerra eram uma sociedade coesa e vigorosa, hoje são uma sociedade dividida e desorientada. Na Europa a crise provocada pelo euro sugere para todos a estagnação senão a decadência econômica.

Como explicar o que está acontecendo? É o capitalismo que fracassou, é o Estado social que foi destruído, como afirma um crítico tão radical como brilhante como é Slavoj Zizek? Não aceito esse tipo de diagnóstico.Os 30 anos neoliberais do capitalismo foram um tempo de retrocesso social e político, de aumento brutal das desigualdades e da instabilidade financeira e de diminuição das taxas de crescimento econômico. Mas o Estado social europeu sobreviveu porque foi defendido em eleições democráticas.

Foi então porque o mundo moderno perdeu seus parâmetros morais, como pretendem os conservadores? Não vale a pena perder tempo com esse tipo de não-explicação. As revoltas nem sempre são racionais, e muitas vezes não são sequer razoáveis, mas são sempre morais.Mostram sempre indignação moral contra a injustiça, o privilégio e a corrupção dos ricos.

Os revoltosos de Londres agiram em alguns momentos como criminosos, mas não subestimemos sua indignação.Houve, sim, decadência moral no nosso tempo. Mas a perda de parâmetros morais decorreu da aliança contraditória e malsã do conservadorismo com o neoliberalismo - com uma ideologia ferozmente individualista, que nega de forma militante solidariedade e interesse público.

Os progressistas não têm o monopólio da moral, já que os conservadores foram sempre guardiões da moralidade, embora a confundindo com a ordem estabelecida. O conservador apenas não estava disposto, como estão o progressista e o revolucionário, a arriscar a ordem em nome da justiça social.

Quando, entretanto, nos 30 anos neoliberais, o conservadorismo foi capturado pelo neoliberalismo, tornou-se uma fonte de desorganização social e de retrocesso moral.

O mal-estar do nosso tempo só será superado quando o mundo rico redescobrir o futuro. Mas essa redescoberta só pode ser feita quando fizer a crítica ao neoliberalismo.

Os anos neoliberais do capitalismo terminaram com a crise financeira de 2008, que os desmoralizou, como desmoralizou a teoria econômica neoclássica que os justificava.

Mas nem as elites conservadoras nem os intelectuais progressistas foram capazes de fazer a crítica necessária do que aconteceu. Nem de reafirmar sua confiança na ideia do progresso ou do desenvolvimento.

28 vezes 28 de Agosto

Milhares de Sonhos e Realizações

Ontem, domingo, foi 28 de Agosto, um dia que poderia ser como outro qualquer. Mas cada dia tem uma importância especial para cada pessoa. Há as pessoas que nascem e há as que morrem. Há as que se realizam e há as que se frustram. Há as que se recuperam e há as que definham. O calendário pode se repetir,os fatos e a história de cada dia não se repetem.

Há 28 anos, milhares de trabalhadores se reuniram para criar pela primeira vez uma central sindical no Brasil. Apesar de os países europeus terem construídos suas centrais sindicais no final do século XIX, o Brasil, como não tem pressa em nada, demorou cem anos para criar a sua primeira central sindical. É a síndrome do “Deitado eternamente em berço esplêndido”.

Mas, enquanto as centrais sindicais européias têm muitas histórias de guerras, vitórias e derrotas. Enquanto eles vivem, como agora, uma nova crise e uma nova recessão, nós brasileiros vivemos uma história recente que tem muitas vitórias e muitas alegrias. É evidente que muitos morreram, foram demitidos e muitos ficaram pelos caminhos. De 1983 para cá, nossa central só cresceu, deu flores e gerou milhares de frutos, bons frutos.

O Brasil passou a ter quadros, oriundos do sindicalismo, que foram eleitos vereadores, prefeitos, deputados estaduais, governadores, deputados federais, senadores e até Presidente da República. O melhor presidente da república que o Brasil já teve. Isto tudo sem guerra e sem proibir a existência de ninguém e sem censurar ninguém. Pelo contrário, valorizando as diferenças e a diversidade. Reconhecendo que da diversidade surge a melhor democracia. Dinâmica, multiplicadora e aglutinadora.

Embora o PT tenha surgido antes da CUT, foi a partir da CUT que o partido passou a contar com quadros permanentes e qualificados para exercitar a capacidade de administrar, governar e somar esforços com os diversos partidos e grupos da sociedade. Sindicato por natureza é plural, é coletivo. No sindicalismo os eleitores elegem chapas e não um indivíduo. O espírito coletivo está em tudo. Na chapa, na diretoria, na assembléia, na greve, no acordo salarial. Nada é resolvido sozinho, o que diminui a possibilidade de erro e estimula a aprendizagem coletiva.

Acertar e errar coletivamente, respeitando as características de cada um.

Por coincidência, o Professor Bresser Pereira escreve hoje na Folha de SP, um texto falando sobre a crise gerada pelo neoliberarlismo, a exacerbação do individualismo e a crise financeira de 2008 que contaminou o mundo e está destruindo a Europa e a força dos Estados Unidos. Como diziam os filósofos, nós temos a tese, a antítese e a síntese, e a vida vai se renovando dialeticamente...

Com o fim da segunda guerra mundial, o modelo do Estado do Bem Estar Social serviu de anteparo à ameaça do comunismo soviético. Com o fracasso da União Soviética, a direita achou que não precisava mais respeitar os trabalhadores, radicalizando no cinismo e implantando o neoliberalismo no mundo. A essência do neoliberalismo é deixar as empresas, principalmente os bancos, mandarem na economia e na sociedade. É o culto à barbárie econômica e social. Este modelo também está se exaurindo e os países como o Brasil são as novas esperanças.Democracia aberta, mercado aberto e povo aberto. Um país para todos, um país onde o futuro chegou.

A CUT já tem 28 anos de idade. Já deu flores e frutos. Mas não é uma árvore de uma florada só. A CUT deve ser como as grandes árvores da floresta. Deve durar séculos e servir de amparo e de referência para os trabalhadores brasileiros e do mundo, como já acontece agora. Também precisa inovar-se, aprender com sua própria história e buscar novas perspectivas e novas esperanças de qualidade de vida para todos.

A CUT deve saber viver as épocas de vacas gordas e de vacas magras. Deve ser como a mãe que chora de alegria ao ver os filhos felizes e chora de tristeza quando vê algum filho doente ou necessitado. Na história da humanidade, os grandes símbolos são representados pelas mulheres. A CUT, por ser nosso grande símbolo de luta, não será representada por uma linda mulher como Vênus ou a Liberdade da Revolução Francesa, a CUT para realizar a sua missão, precisa exercer a missão das mães que protegem e ensinam os seus filhos.

E por falar em simbolismo, creio que a CUT pode ser como este pequeno pé de Jasmim que eu ganhei nos dias dos pais. Eu já fui um bom sindicalista, agora eu cuido mais de flores e da importância de uma vida saudável, sem ódio e sem rancor. Uma vida que respeite o momento de cada um, com suas alegrias e suas tristezas. Uma vida onde estejamos sempre abertos a ouvir e ajudar os outros.

Este Jasmim está ao lado do pé de Primavera que fica no jardim da frente de nossa casa. Temos um Jasmim já crescido no quintal e na janela de nossa filha. Este pequeno pé de Jasmim deverá crescer e florir na frente da casa, junto com a Primavera.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Notícias que eu gostaria de entender

Ainda bem que temos flores e pássaros

1 – O jornal FolhaSP publica na parte de Ciências, que foi descoberto um grande rio subterrâneo na Amazônia. Pela dimensão gigantesca do rio e pela importância que a Água tem no mundo atual, eu imagino que a notícia seja tão importante quanto se fosse um rio de petróleo. No entanto, saiu como curiosidade científica. Se eu fosse o editor eu colocaria na Capa do Jornal.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ciencia/fe2608201103.htm

2 – Os jornais estão fazendo um bom barulho por que apareceu um vídeo dos policiais militares de São Paulo matando suspeitos. Duas coisas chamam atenção: a primeira é que a gravação foi feita pelos próprios policiais; a segunda é que a data do episódio é 09 de maio de 2008. Três perguntas: Qual o interesse dos policiais em gravar a cena? Por que esta gravação veio em público só agora? Quem era o governador na época?

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2608201101.htm

3 – O jornal Estadão, que até agora fazia política de oposição grosseira contra o PT só no primeiro caderno, hoje publicou uma página inteira no Caderno de Economia sobre um seminário realizado pelo Instituto Fernando Henrique Cardoso. Bem que dizem que o jornal agora é de FHC & Cia. Se for verdade será uma dupla derrota: diminuir o lado saudável da economia e da cultura; e perder um assinante divulgador do jornal.

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,alta-do-endividamento-publico-impede-ampliacao-de-beneficio-social-diz-malan,763813,0.htm

4 – Ainda bem que depois de ler os dois jornais, quando saí de casa para trabalhar, encontrei os sabiás brincando e cantando nas nossas árvores, ao passar pela Rua Fradique Coutinho ainda tinha o pé de Ipê. E ao chegar à Rua Madalena, isto mesmo, além da Vila Madalena, há a Rua Madalena, encontrei este lindo pé de Ipê Amarelo em flores. Como tinha vaga para estacionar, parei o carro tirei uma foto e quando fui tirar outra vi que um casal de periquitos brincava com as flores do Ipê. Mas eles não quiseram ser fotografados.

Segue então a foto do pé de Ipê da Rua Madalena.


E Maria Bethânia com Omara Portuondo cantando a chuva e os pássaros para "VocÊ"


O sonho não acabou

Elizete Cardoso e amigos

Um disco inesquecível, que só quem conhece ou assistiu ao show é capaz de imaginar. Este era o Brasil verde e brilhante de antes do AI-5 fechar de vez a ditadura militar brasileira. Mas a vida continuou, o Brasil renasceu e já brilha para o mundo.

Elizeth Cardoso – Zimbo Trio – Jacob do Bandolim – Época de Ouro (Ao vivo no Teatro João Caetano)

Estes albums (3 LPs ou 2 CDs), gravados ao vivo, que reproduzem o mágico e histórico show com Elizeth Cardoso – Zimbo Trio – Jacob do Bandolim e Conjunto Época de Ouro, realizado no Teatro João Caetano (Rio de Janeiro), superlotado com mais de 1.500 expectadores, numa noite de segunda-feira de intensa chuva, 19 de Fevereiro de 1968, um dia pouco adequado para um Show deste porte.

Era um show beneficente visando arrecadar fundos para o Museu da Imagem e do Som. Em pleno verão carioca em mais de 2 horas de Show (iniciou às 21:30 horas, se estendendo até às 23:50 horas), num dos anos mais turbulentos da história contemporânea Brasileira (e mundial).

Este documento foi lançado inicialmente em 1968 como apenas 2 albums long plays pelo selo do Governo do Estado do Rio de Janeiro – “Museu da Imagem e do Som” (MIS). Posteriormente, em 1977, foi lançado, também pelo “Museu da Imagem e do Som” (MIS) o Volume 3, denominado “Fragmentos Inéditos”, com algumas sobras de gravação. Em CDs foi lançado pela Biscoito Fino na caixa da Elizeth Cardoso “Faxineira das Canções” em 2 CDs.

Este foi um dos shows mais memoráveis da Música Brasileira no Rio de Janeiro. Reuniu no mesmo palco, tocando em conjunto, várias correntes da Música Popular Brasileira. Havia de um lado o Zimbo Trio, um grupo de Bossa Jazz. Fortemente influenciado pelo Jazz, o Zimbo, se utilizava de harmonias sofisticadas oriundas do be-bop e na parte melódica tinha ênfase na improvisação jazzística. Este grupo tinha como formação Amilton Godoy (Piano acústico), Luiz Chaves (Baixo acústico) e Rubinho Barsotti (Bateria).

Já Jacob do Bandolim, acompanhado pelo Conjunto Época de Ouro, executava a música tradicional brasileira, como Sambas, Choros, Maxixes, Valsas, Samba-Canções, Polcas, Baiões, Canções Brasileiras e outros gêneros do início de nossa música. Este grupo de exímios instrumentistas tinha em sua música um enfoque altamente melódico, com linhas melódicas originadas das escalas maiores e menores tradicionais, dos arpejos e cromatizações e embelezamentos sobre a nota alvo. Sua harmonia era basicamente triádica (exceto nos acordes dominantes), com algumas raras incursões em acordes Tônicos com 7ª Maior (Major7) e com 6ª (add 6). O que também caracterizava a música por estes executada era a marcante linha de baixos, executada pelo Violão 7 Cordas, magistralmente empunhado pelo Dino. A formação do Grupo Época de Ouro era Jacob do Bandolim (Bandolim), Horondino José da Silva (Dino – Violão 7 Cordas), Carlos Leite (Carlinhos - Violão nylon), Jonas da Silva (cavaquinho) e Gilberto d'Ávila (pandeiro). OBS: César Faria (Violão nylon), pai do Paulinho da Viola e integrante do Época de Ouro, consta nos créditos dos discos como participante do show, o que na realidade não ocorreu. O César estava viajando e não pode participar.

Mas Elizeth agiu como uma Divina argamassa que amalgamou todas as diferenças e fez tudo se resumir em apenas Música! A Verdadeira Música Brasileira!

Tecnicamente a gravação não é das melhores. No Brasil, os equipamentos de gravação eram obsoletos, os técnicos sem muita formação / informação do assunto, além das condições sempre adversas dos Teatros para realização de um feito tão grandioso. Até as fitas de rolo utilizadas para a gravação do show, gratuitamente cedidas pela Embaixada Norte Americana no Rio de Janeiro, eram já utilizadas e continham discursos de políticos, que foram devidamente apagados. O gravador rodava a uma velocidade de 71/2 IPS, utilizada apenas em situações amadoras. Apesar de todas estas limitações técnicas, o brilho do evento não conseguiu ser maculado.

O espetáculo é permeado pela emoção da primeira até a última canção. Sem que houvesse um ensaio geral, tudo acontece de forma improvisada, bem espontânea e intimista, levando a platéia ao delírio e fazendo-a ativa participante deste evento inesquecível.


quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Banco Real, Santander, Abril... Abril?

Caminhos e Despedidas

Fabio Barbosa é daqueles profissionais que você pode ter diferenças, mas respeita. Como presidente do Banco Real, teve um papel fundamental na criação da imagem do banco, como uma instituição de qualidade e de rentabilidade. Como cidadão brasileiro, sempre esteve na vanguarda da defesa de um Brasil moderno, competitivo e democrático. Sempre acompanhei sua carreira profissional, mesmo estando em campos distintos. Ele como porta voz dos banqueiros e eu como porta voz dos bancários.

Ao ler nos jornais de ontem que ele estava saindo do Santander, vi com naturalidade, afinal o Banco Real era melhor do que é o Banco Santander. Mas, ao ver nas notícias que ele estava indo para o Grupo Abril, fiquei meditando este tempo todo:
“Mudou o Fábio Barbosa ou vai mudar o Grupo Abril?”

Todos sabem que o Grupo Abril representa o que tem de pior na mídia brasileira. A revista Veja transformou-se no porta voz do fascismo, da provocação, da manipulação da informação e do patrocínio do cinismo.

O que um homem de bem vai fazer numa empresa desta?
Como sou cristão, estarei rezando todos os dias para que Fabio Barbosa seja capaz de fazer na Abril o que ele não conseguiu fazer completamente no Santander: Transformá-la numa organização que seja o modelo de governança democrática, cidadã, lucrativa e que todos os brasileiros tenham orgulho de ver seus produtos.

Não quero despedir-me de Fábio Barbosa do sistema financeiro para ficar triste com o seu futuro. Ao contrário, quero que ele continue brilhando profissionalmente, e mais do que tudo, tendo orgulho daquilo que faz, como profissional e como brasileiro. Que Deus o ilumine muito e que Fábio possa contar com todos os amigos e admiradores para esta nova tarefa, inclusive comigo. O Brasil está merecendo um grupo econômico de comunicação mais respeitoso e educativo. Que Deus nos proteja também.

Fábio Barbosa deixa o Santander e vai para a Abril
Saída era esperada pelo mercado desde que o executivo deixou a presidência executiva do banco, no fim de 2010

24 de agosto de 2011 - Fernando Scheller e Patrícia Cançado - O Estado de S.Paulo
http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,fabio-barbosa-deixa-o-santander-e-vai-para-a-abril,762769,0.htm

Foi com centenas de funcionários do Santander reunidos ontem em um auditório da sede do banco, em São Paulo, que o executivo Fábio Barbosa anunciou que era hora de pôr um ponto final a uma "era" de 16 anos, que começou no ABN Amro Bank, se estendeu pelo Real e culminou no banco espanhol.
Com direito a profissionais chorando na despedida, Barbosa anunciou a sua já esperada saída do Santander - onde era presidente do Conselho de Administração - para assumir o comando do grupo de mídia Abril.
O executivo de 56 anos havia deixado a presidência executiva do banco no fim de 2010 - poucos dias antes do Natal -, depois de comandar o IPO do Santander (que levantou R$ 14,1 bilhões, um recorde) e organizar a integração entre as operações do Real e do Santander.
Novo setor. A migração para o mercado de mídia interrompe, para o executivo, um período de 25 anos em cargos de destaque em instituições financeiras. Depois de um período trabalhando para a Nestlé na Suíça, Barbosa retornou ao Brasil em 1986, para atuar na área de controle financeiro do Citibank, onde ficou até 1992. Antes de chegar ao ABN, presidiu a operação latino-americana do japonês LTCB (Long-Term Credit Bank of Japan). Ele entrou no ABN em 1995 e capitaneou, três anos depois, a compra do Real pela instituição holandesa. Também comandou a fase de transição do Real após o Santander comprar as operações mundiais do ABN Amro, em 2007.
A única experiência de Barbosa com imprensa foi justamente na Abril, como membro do Conselho de Administração, no período de março de 2004 a fevereiro de 2007. De acordo com comunicado divulgado ontem pelo grupo de mídia, o executivo assumirá a presidência executiva da Abril S/A em 26 de setembro. Barbosa também terá fará parte do Conselho Editorial da companhia.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Kadafi chegando ao Fim

A Guerra Civil na Líbia também

Como sou contra, por princípio, a todo e qualquer tipo de Monarquia ou Governo Vitalício, não posso deixar de comemorar a "derrubada de Kadafi". Se "a classe operária" é internacional,os interesses da classe dominante também são. As "frentes amplas", quando são para aumentar a democracia e a participação popular, sempre devem ser bem-vindas. Valeu para defender a Europa contra o Nazismo, deveria ter valido para defender a República Popular na Espanha contra o fascismo de Franco, e deve valer para estimular a Primavera no Oriente Médio, incluindo a criação do Estado Palestino, pela ONU agora em Setembro.

Este pequeno texto publicado na The Economist dá uma síntese da situação. Governar na democracia é difícil, mas só se aprende... governando!

23 de agosto de 2011, 18:27 Por The Economist online | BENGHAZI

Pela segunda vez em 48 horas, a oposição unida da Libia irrompeu nas ruas com tiros em comemoração a notícia de um golpe dramático dado pelos rebeldes contra o regime de Muhammar Kadafi que está se desintegrando. O primeiro anúncio foi o ingresso de tropas rebeldes em Tripoli e a captura do deputado e filho de Kadafi, Seif al-Islam, e rapidamente piorou com o líder do regime reaparecendo livre e desafiador para liderar uma resistência em defesa do regime na capital. Mas, como as últimas notícias e imagens demonstram, a situação parece ser irreversível: os rebeldes derrubando os símbolos do regime, a Fortaleza Murada de Bab al-Aziziya.

Depois de meses de impasse, os rebeldes reuniram uma ofensiva coordenada que varreu Tripoli com uma velocidade surpreendente. Colunas convergiram para a capital vindos de três lados, estabelecendo uma ligação com células rebeldes, que estavam clandestinas na cidade. Uma brigada legalista que guarda os arredores rendeu-se sem luta: Funcionários da oposição e do Conselho Nacional de Transição (NTC) disseram que seu comandante, cujo irmão era ex-tenente de Kadafi, e foi assassinado pelo regime, tinha secretamente negociado com os rebeldes desde maio .

Ainda assim, a guerra ainda não acabou. Atiradores leais e equipes de morteiros continuam atacando os rebeldes em Tripoli e lutando com uma devoção ao regime extraordinária. Mustafa Abdel Jalil, presidente da NTC, disse que a vitória dos rebeldes só será completa quando Muhammar Kadafi for capturado. Mas o irmão do líder, para não mencionar Seif al-Islam, continua foragido. Ele pode ainda ter escapado para outras partes da Líbia, ainda dominadas pela tribo de Kadafi, como a cidade costeira de Sirte, ou o Oasis de Sebha. Tendo já inúmeras oportunidades para ir para o exílio, Kadafi pode simplesmente ter decidido tornar sua deposição tão longa e confusa quanto possível.

Chuva, Lembranças e Música

Madrugada chegou, o sereno caiu...

O ar seco da semana passada afetou as flores do Jasmim. Muitas secaram, mesmo eu colocando água todas as noites. A seca é perversa! De sexta para sábado choveu e a manhã começou com as plantas molhadas. Elas estavam alegres e brincando com as gotas da chuva.

Este bambu molhado de dia já é bonito, mas à noite o impacto da luz nas gotas fica mais bonito ainda.

Este bambu molhado também me lembra quando eu tinha 9 a 11 anos de idade e ia passar as férias escolares na roça (fazenda) dos colegas e amigos, lá em Serrinha-Bahia. Uma das tarefas dos meninos era ir buscar os cavalos no pasto. Só que o capim tinha dois metros de altura e nós éramos bem pequenos. Entrávamos no meio do capinzal, cheio de orvalho e saíamos com a roupa toda molhada. Não era nada romântico! Muitas vezes a gente nem trocava a roupa molhada, tomava café e saia assim mesmo. O período melhor para passar as férias na roça era junho-julho, por causa do São João. Período de fartura, que era mais importante do que o Natal ou Ano Novo, quando é mais seco e quente.



Esta Nandina com gotas de chuva já é mais urbana, planta que eu conheci aqui em Sampa. Já lembra a fartura da vida paulista, a Vila Madalena e seu charme.



Mas o seu romantismo me lembra também uma música da época da chuva na roça. É uma música que eu ouvia cantada por uma mulher que não me lembro o nome, nem a achei no youtube. Lembrei-me então que Caetano Veloso gravou, mas ao procurar a gravação, achei também com Marisa Monte. Senti que na voz de Marisa Monte a gravação está mais dengosa (como os baianos gostam) e me lembra a voz feminina do tempo de infância. Também achava que o nome da música fosse “Madrugada chegou”, mas o nome certo é “Madrugada e Amor” e o compositor é José Messias.

Não deu para voltar para a cama, mas eu e minha esposa tomamos um café romântico, como a letra da música:

Madrugada chegou o sereno caiu
Meu amor de cansaço
Caiu nos meus braços
Sorriu e dormiu (bis)
Eu só queria que não amanhecesse o dia
Que não chegasse a madrugada
Eu só queria amor
Amor e mais nada



terça-feira, 23 de agosto de 2011

Celso Amorim é o "Cara"

Poucos dizem o que ele diz

Apesar de ser longo, faço questão de publicar as "Sugestões de Celso Amorim" na íntegra. Fica mais fácil de os militantes lerem e reproduzirem. Vale a pena...

Sugestões para o Brasil transitar em um planeta
onde o eixo de poder muda de lugar
e as certezas se dissipam no ar.

Celso Amorim: Diante da (Des)Ordem Mundial

Fonte: Celso Amorim: Diante da (Des)Ordem Mundial | Política Externa Brasileira
Política Externa Brasileira
http://www.politicaexterna.com/21195/celso-amorim-diante-da-desordem-mundial
Fonte: Carta Capital – 19/08/2011
Nota 1: Retirado da lista de e-mails IRBR-CACD
Nota 2: O texto é "antigo", foi publicado no dia 19, com trecho divulgado no dia 17, então a visão sobre a Líbia está, naturalmente, imprecisa.
Nota 3: Peço desculpas pelo atraso, mas não sabia que o Celso Amorim continuaria publicando após ter assumido o cargo de Ministro da Defesa.

“TUDO QUE É SÓLIDO desmancha no ar"
, a célebre frase do Manifesto Comunista de Marx, utilizada como título de um dos raros best sellers de filosofia, de autoria do norte-americano Marshall Berman, bem poderia descrever a realidade do mundo em que vivemos. Logo depois do espetáculo circense – com malabarismos algo pobres, é verdade – oferecido pelo Congresso norte-americano, uma agência chinesa de avaliação de risco e depois uma norte-americana decretaram o rebaixamento dos títulos dos Estados Unidos. O fato, noticiado quase com naturalidade por boa parte da mídia, se ocorrido 20 anos atrás, no auge da euforia com o "Fim da História", teria soado como um exercício de ficção científica, um daqueles filmes de apocalipse político dos anos 1950.

Quem poderia prever, logo após a queda do Muro de Berlim, quando o Ocidente celebrava o fim do comunismo e a vitória final do capitalismo e da democracia liberal? E que, em duas décadas, o mundo estaria envolto em incertezas, que os pressupostos que haviam embasado todas as crenças e convicções teriam caído por terra, que o recém-expandido (para acomodar a Rússia) G-8 teria sido substituído por um (então) inimaginável G-20 como o principal fórum para coordenação de política econômica global?

E, para passar do terreno da economia política para o da paz e da segurança, quem imaginaria, não há 20 anos, mas há dois ou três, que Washington assistiria, impassível, ao julgamento, com possível condenação à morte, do seu grande aliado no mundo árabe, o exemplo de "líder moderado" egípcio, Hosni Mubarak? Enquanto a Líbia em chamas (não só pelas atrocidades de Muamar Kadaffi, mas também pelos bombardeios da Otan) aguarda que um lampejo de coragem e sensatez ajude a encontrar uma saída negociada para a guerra civil em que está submersa.

Ao mesmo tempo, conceitos que nos acostumamos a considerar como inabaláveis – mas nem por isso menos sujeitos à manipulação – como o de "ocidente", passam a inspirar ações terroristas, levianamente atribuídas (e de certa forma descartadas) à loucura de um indivíduo. Seria preciso recordar o nosso Euclides da Cunha, que, ao comentar as medições feitas no crânio de António Conselheiro, após o massacre de Canudos, recordava que ainda não havia um método para medir as "loucuras das civilizações". É que, na nossa visão particularista do mundo, somente a religião do "outro" poderia conduzir a atos de barbárie.

E mesmo que se diga, talvez com razão, que se trata de um ato isolado, que não faz parte de uma conspiração ou de um movimento organizado, como separar tal ação do crescimento da extrema-direita europeia, fomentado por uma cultura de exclusão do "estrangeiro", visto como bárbaro invasor. E a mesma atitude de desprezo – que facilmente se transforma em ódio – diante do mundo, revela-se na irresponsabilidade com que o Congresso dos Estados Unidos tratou da questão da dívida, pouco se importando que, em consequência da batalha por ganhos eleitorais, a incerteza sobre a economia mundial pudesse se transformar em crise profunda, que levaria à bancarrota o sistema financeiro internacional, mas, sobretudo, espalharia a fome e a pobreza pelo mundo, em uma escala provavelmente muito maior do que ocorreu durante a Grande Depressão, por causa mesmo da interdependência gerada pela globalização.

Tudo isso faz pensar em uma crise de valores, que vai muito além de um fenômeno puramente econômico ou político e que nos obriga a uma reflexão profunda. Minha geração, que cresceu no pós-Guerra, foi formada em torno de certezas que não mais se sustentam. A esquerda via no socialismo a esperança de salvação não só do proletariado, mas de toda a humanidade. Teve de ajustar seu discurso e, mais que isso, sua visão do mundo a uma realidade sem paradigmas concretos a serem seguidos. De alguma maneira, reinventou-se com base em movimentos de trabalhadores e na defesa de outras causas nobres, como a igualdade de raça e de gênero, a defesa de padrões sustentáveis de vida e o exercício de uma práxis solidária, tida por muitos como irrealista.

Essa atitude teve impacto nos sistemas políticos internos e, de alguma forma, chegou ao cenário internacional, em que pese à resistência conservadora. Não é uma adaptação fácil. Como manter o idealismo transformador sem ter mais no horizonte o "socialismo científico" ou outra forma semelhante de utopia? E o que fazer, no mundo de hoje, de conceitos como o de "Ocidente", que, de Voltaire a Marx, de Bertrand Russel a Sartre, serviram de inspiração para os jovens das décadas de 1950 e 1960, que, já na idade madura, veriam esboroar, juntamente com o Muro de Berlim e a certeza na força do capitalismo norte-americano, os "tijolos" da construção de um novo mundo. Não é uma coincidência talvez que analistas políticos hoje estejam em busca de novos BRICS.

Essas reflexões aparentemente abstratas não são irrelevantes quando se considera o lugar do Brasil no mundo. Acostumamos a nos ver como um país ocidental, parte de uma civilização que alguns dentre nós queriam transformar e outros conservar, mas cujos alicerces não contestávamos. Hoje, quando assistimos às consequências desastrosas do particularismo, seja muçulmano, cristão ou judeu, seja de qualquer outra índole, devemos nos perguntar se a ideia do não alinhamento, surgida durante a Guerra Fria, como resposta à bipolaridade, não deve ser aprofundada e levada às suas consequências lógicas.

Essencialmente, trata-se de encarar o mundo como ele é, sem os confortos de uma inserção automática, de um lado ou de outro do espectro político. Aquela época, feita a escolha inicial (ou, na maioria das vezes, aceita a condição que decorria de nossa situação no centro ou na periferia), éramos "poupados" de escolhas subsequentes. Nesse "admirável mundo novo", que sucedeu não só a Guerra Fria, mas de certa forma o "pós-Guerra Fria", não há agendas prefixadas nem opções predefinidas. Em política externa, como queria Sartre para os indivíduos, estamos "condenados" a ser livres. Há algo de muito positivo nisso, como vimos no caso das negociações da Alça ou mesmo do Acordo Mercosul-União Europeia, em que nossa atitude firme impediu, de forma surpreendente para muitos, que embarcássemos em arranjos comerciais que teriam, no mínimo, agravado os efeitos da crise financeira de 2008. Naqueles dois casos e na ênfase na integração da América do Sul e na busca de diversificação de parcerias, ficou claro que nosso País tinha não só a capacidade de posicionar-se sobre os temas de uma agenda imposta de fora, como também de – algo novo para nós, pelo menos nessa escala – de "criar" nossa própria agenda.

O que tem ocorrido recentemente no mundo corrobora essa reflexão. Do Ira à Síria, da Primavera Árabe à tragédia líbia, passando pelo reconhecimento do Estado > Palestino, nosso País tem sido "obrigado" a posicionar-se de forma independente, frequentemente "inventando" soluções e criando novas coligações, como o IBAS e os BRICS. Até porque não há mais um ou outro "lado" com o qual possamos ou queiramos nos alinhar. Nossa recente atitude no Conselho de Segurança em relação ao caso da Síria, de cautela em apoiar uma resolução que abrisse caminho para o eventual uso da força, seguida de uma construtiva busca de consenso em torno da condenação do ataque indiscriminado a civis, é um exemplo desse "exercício da liberdade", como antes, a nossa busca de um acordo que abrisse caminho para a solução do impasse em torno do programa nuclear iraniano, certamente teve um custo em termos de opinião pública, em geral vítima da desinformação imposta pelo simplismo direcionado da grande mídia. Mas ele é uma consequência inescapável da nossa por fim assumida grandeza, de um lado, e da fluidez da realidade internacional, de outro.

O mesmo, mutatis mutandis, se passará na esfera econômica. Não tenho a pretensão de sugerir saídas mágicas, como uma nova moeda ou a utilização mais intensa dos Direitos Especiais de Saque, como meios de troca e reserva de valor. Falecem-me conhecimentos para isso. Mas se a força da moeda repousa, nesta era pós-padrão ouro, na "confiança" (não é outro, como é óbvio, o sentido da palavra "crédito"), alguma solução deve ser buscada para a irreversível perda de credibilidade dos que decidem sobre o futuro da maior economia do mundo (e, em certo grau, tan bem sobre a economia europeia).

Não devemos rejeitar o que a tradição ocidental nos legou: a força da razão e a busca da justiça com liberdade. Mas o Brasil é um país plural. É sul-americano (e não nos esqueçamos que América do Sul é tão indígena e afrodecendente quanto europeia). É, também parte do mundo em desenvolvimento, mesma forma que nações de outros continentes, como a índia e a África do Si com as quais temos interesses comum afinidades, como tem sido demonstrai em foros econômico-comerciais (come G-20 e a OMC) e políticos (como o Conselho de Segurança). Não podemos nos limitar a opções únicas. Ou, muito menos deixarmo-nos cercear pelo pensamento único.

Temos de nos relacionar de maneira diversificada, não só na economia mas também na política. Temos de enfrentar a "angústia" sartriana da escolha e deixar para trás os preconceitos, que além de eticamente duvidosos, já não s operacionais para atuar no mundo de hoje, em que, mais do que nunca, a evolução dos fatos varre velhas certezas.

A Esquina do Mundo

Os caminhos passam pela Espanha

Antigamente, “todos os caminhos levavam à Roma”, um dos impérios mais importantes da nossa história. Depois tivemos “o império onde o sol nunca se põe”, representando o poderio do Império Britânico. Tivemos também o império moderno com a capital em Nova York, não em Washington. O Século XX foi o século dos Estados Unidos.

Mas, quem descobriu a América não foram nem os ingleses nem os americanos, foram os espanhóis. E os portugueses descobriram o caminho para as Índias e dobraram o Cabo da Boa Esperança! E por que se apequenaram? Por que logo em seguida perderam tudo para a Inglaterra?

Quais são os mistérios desta Península Ibérica, tão importante na História da Humanidade? Sempre quis entender estas questões. Comprei vários livros sobre a História da Espanha e confesso que ainda não decodifiquei este enigma.

Durante toda minha militância sindical e com as várias organizações de esquerda, toda vez que a disputa se acirrava eu ponderava que nossa esquerda era tão autofágica quanto a Guerra Civil Espanhola, onde comunistas matavam anarquistas, enquanto os fascistas cresciam, com o apoio de Hitler e a omissão do Ocidente, e ganhavam a guerra civil, derrotando a República Democrática e implantando a Ditadura Franquista que precedeu à Segunda Guerra Mundial.

O curioso é que quando estudamos História Antiga, ficamos sabendo que os povos do Mediterrâneo consideravam o fim-do-mundo exatamente na Península Ibérica, que hoje abrange Portugal e Espanha. O mundo conhecido e seguro era da Grécia até a Espanha, no Mar Mediterrâneo, depois disto era o mar revolto, o imponderável.

Quando os muçulmanos partiram da África para conquistar a Europa, eles primeiro conquistaram a Península Ibérica. Quando os Visigodos resolveram buscar novas terras, eles lutaram até a Espanha, foram até a África. Mas ficaram mesmo foi na França e na Espanha. Neste vai-e-vém das guerras, a Esquina do Mundo, na verdade, sempre foi a Península Ibérica.

Quando os músicos e compositores da Europa quiseram descobrir novas formas de compor e de alegrar as pessoas, foram beber na cultura ibérica para alegrar os salões musicais desde a Rússia, Itália, Alemanha e França. A cultura espanhola, mesmo quando eles escreviam pouco, era reproduzida por outros escritores e compositores.

E para nós, da América Latina, que ficamos tentando ser modernos copiando a França, a Inglaterra ou os Estados Unidos, por terem derrotados a Espanha e Portugal, nunca seremos nós mesmos enquanto não formos capazes de entender nossas origens hispânicas, católicas, muçulmanas, judaicas, negras, indígenas e latinas.

Neste fim de semana, depois de assistir a um filme maluco, “A Árvore da Vida”, que dura mais de duas horas, fomos jantar com os amigos para tentar entender alguma coisa do que vimos. Conversamos sobre a “origem da vida”, as religiões católica e protestante, a rigidez da disciplina militar americana e comparamos com a nossa história, e saímos com mais dúvidas do que esclarecimentos. E ao chegar em casa, minha filha presenteou-me com mais um livro sobre a Espanha. Exatamente sobre a guerra civil espanhola e a segunda guerra mundial. Um bom livro de Antony Beevor.

Meditando sobre o filme, o jantar e o livro, cheguei à conclusão que minha angústia com a história da América Latina e da Península Ibérica tem a ver com o fato de que toda a história da humanidade passa pela Península Ibérica, como passou pelo Oriente Médio e a Índia. Ali tudo é plural, nada é singular. Não existe um povo, uma história, uma música ou uma cultura. Nossa história passa por ali. Esta nossa diversidade é hispânica!

E nosso futuro pode passar por entender o significado de tudo isto para nossa vida passada e presente. Eu, que estava pensando em voltar a estudar a Grécia Antiga, convenci-me a voltar a estudar a Espanha, e Portugal como parte desta Espanha que é a Península Ibérica. Quem sabe por aí possamos encontrar nosso futuro?



Concierto de Aranjuez, composição de Joaquin Dodrigo

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Alegria, Responsabilidade e Fantasias

A Primavera chegou?

Minhas amigas e meus amigos, é com uma mistura de alegria e medo que comunico a todos vocês que nosso Blog bateu mais um significativo recorde! Na sexta-feira, dia 19 de agosto, quando falei de “Janelas, Sabiás e Flores” e “A Floresta se moveu?”, os acessos chegaram a mais de 210 em um dia. Nunca tinha chegado a tanto!

Em apenas quatro meses e meio de existência chegamos a mais de sete mil acessos e mais seis países se juntaram aos vinte e quatro anteriores, totalizando 30 países, além do Brasil. Chegaram a Eslováquia, a Colômbia, a Coréia do Sul, a Holanda, a Letônia, o Chile e Israel. Isto tudo antes de eu colocar o Tradutor/Translator para facilitar ainda mais a consulta internacional. Agora o Blog pode ser lido em árabe, chinês, japonês, armênio, etc. As flores são universais...

O número de amigas e amigos no Facebook também cresce diariamente, ainda hoje (segunda-feira) tinham mais 19 solicitações, totalizando 1.671 amigas e amigos no “face”. É evidente que eu fico muito alegre em saber que “tenho tantas amigas e amigos”...

Quando eu fazia faculdade e escrevia um Jornal Mural chamado “O Grito”, o nome era contra a ditadura militar, tive o prazer de fazer uma entrevista com Dom Paulo Evaristo Arns, para ele falar dos títulos de Doutor Honoris Causa recebidos de vários países. Dom Paulo respondeu a uma das perguntas dizendo que “quanto mais homenagens e títulos recebia, mais responsável e comprometido ele também se sentia”. Aprendendo com Dom Paulo, quanto mais gente eu vejo lendo meus textos, vendo as flores e ouvindo as músicas, minha alegria aumenta, mas aumenta também minha responsabilidade...

E varrendo a frente de casa, neste fim-de-semana, enquanto colhia as folhas e as flores caídas no chão, vi que nosso pé de Primavera deu o primeiro cacho de flores. Ele estava lá no alto, onde meu celular não consegue fotografar. Fiquei como a raposa olhando as uvas, mas, como não sou raposa, fui buscar a escada para varrer a sujeira dos muros e aproveitar para tirar uma bela foto da Primavera. Vejam que charme...


Ainda hoje, no trânsito com chuva e frio, ao passar pela Rua Consolação, ainda vi o último pé de Ipê a dar flor naquela rua cheia de carros. Em frente a Estação do Metrô na Consolação/Paulista, tem um solitário pé de Ipê-Roxo em flor e que ainda não consegui tirar uma foto. Mas quem mora em Sampa pode ir lá ver, antes que as flores caiam.

Compartilhava minhas alegrias e responsabilidades com o CD de Chico Buarque, ouvindo uma linda música, que imaginava ter um nome, mas ao olhar na capa do CD descobri que tinha outro. Chico a chamou de “Até pensei”. E eu pensava em colocá-la com a mensagem de hoje, mas a música seguinte no disco é mortal. Chico, que junto com Vinícius de Morais, são os melhores cantadores do “Amor”, colocou como próxima música “Sem fantasia...”, com ele e Cristina cantando. E eu peço desculpas por ter pensado mas não ter colocado “Até pensei”, por que precisamos liberar todas as nossas Fantasias...



Musica “Sem fantasia” com Chico e Cristina Buarque de Holanda.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

A floresta se moveu?

Kotscho comemora aliança PSDB e PT em São Paulo

O Brasil pode mudar. Realmente, quando as forças hegemônicas do Estado de São Paulo se aliam e ainda somam esforços com os mineiros, cariocas, capixabas e gaúchos, os demais Estados brasileiros devem “botar a barba de molho”. O Brasil vai mudar! Para melhor ou para pior. É impossível, ou pode ser trágico, querer ignorar ou humilhar o PMDB e os demais partidos brasileiros.

Todos os que lutaram pela redemocratização do Brasil sempre quiseram a unidade dos setores progressistas contra o atraso e a miséria. Os sectários da direita e da esquerda sempre foram contra esta Frente Ampla ou este Pacto Social e Popular.

Várias vezes estive com Mario Covas e ele repetia: “O neoliberalismo está matando o PSDB. Nós criamos este partido para fazer aliança com vocês do PT, da CUT e da Igreja, para modernizar o Brasil. Mas estão se aliando com a Arena e o que tem de pior, para impedir que Lula seja presidente.”

Como cristãos, devemos perdoar setenta vezes sete, mas não devemos esquecer a História, para não tripudiar sobre os nossos Heróis.

Sou a favor de uma Frente Ampla contra a miséria e pela modernização da sociedade brasileira, que passa por uma nova Constituinte, ampla e soberana, para atualizar os poderes executivos, legislativos e judiciários. Para atualizar as Políticas Públicas e a liberdade de imprensa e organização dos meios de comunicação no Brasil.

Gosto muito de Ricardo Kotscho. Compreendo a alegria dele, mas recomendo cautela com a euforia. Covas e Marta foram os dois melhores prefeitos que São Paulo teve desde 1970. Podemos fazer um Frente Ampla para restabelecer a dignidade à nossa cidade. São Paulo merece voltar a ser o referencial na política nacional como foi nas Diretas Já! Mas esta Frente precisa ter uma Carta de Princípios e não ser preconceituosa com os demais partidos, com as instituições da sociedade civil nem com os pobres.

Ainda não perdemos o Bonde da História,estamos abertos para transformar este Bonde em uma Nave ou um Trem TransBrasileiro, que aceite os Seringueiros de Chico Mendes, as Bordadeiras do Nordeste, os novos ricos do Centro Oeste, os sulistas tão viris e todos do Sudeste deste imenso Brasil.

A palavra de ordem que ainda mais gosto é: Liberdade, Igualdade e Fraternidade!
Com Todos, de Todos e Para Todos. E o eterno: “Orai e Vigiai!”

A seguir, o texto de Ricardo Kotscho:

Dilma e Alckmin juntam PT e PSDB contra miséria
Publicado no Blog de KOTSCHO em 19/08/11 às 11h12


Com a nova queda nas Bolsas mundiais e de mais um ministro no Brasil, passou meio batido pelo noticiário um fato histórico registrado nesta quinta-feira, no Palácio dos Bandeirantes, o ninho dominado pelos tucanos paulistas desde a década de 90 do século passado.

Posso estar enganado, claro, mas não me recordo de nenhum evento político nos últimos 16 anos, em que fomos governados por PSDB e PT, tão cheio de simbolismos, bem definidos no discurso da própria presidente Dilma Rousseff, que comandou a cerimônia de lançamento do plano Brasil sem Miséria para a Região Sudeste, ao lado do governador Geraldo Alckmin:
"O pacto republicano e pluripartidário que estamos firmando hoje é capaz de transformar a realidade social que vivemos. É o Brasil fazendo a faxina que tem que fazer, a faxina contra a miséria".

O governador Geraldo Alckmin não deixou por menos:
"Ultrapassamos o período de disputas para unir esforços em prol daqueles que precisam. Isto, senhora presidenta, se deve em grande parte ao seu patriotismo".
Ao lado dos dois na mesa, reforçando o caráter simbólico do encontro, estava o ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso, que recepcionou Dilma na chegada e entrou com ela no auditório, ambos bastante aplaudidos pela platéia suprapartidária.

Há muito ausente de cerimônias deste tipo, FHC foi convidado por Alckmin. O ex-governador José Serra, que já escreveu artigo criticando o Brasil sem Miséria, também convidado, não apareceu. O ex-presidente Lula cumpria agenda em Minas Gerais.
Estavam presentes governadores do PMDB (Sérgio Cabral, do Rio); do PSDB (Antonio Anastasia, de Minas) e Renato Casagrande (do PSB, do Espírito Santo), além de cinco ministros, quase todo o secretariado estadual e as principais lideranças tucanas e petistas de São Paulo.

Em que outro momento da nossa história recente vimos algo parecido?
Pois é, a vida nos guarda surpresas e, quando menos esperamos, também acontecem coisas boas.

Quem diria que o provinciano Alckmin e a durona Dilma, que dizem não gostar de política, seriam protagonistas de um pacto republicano que Fernando Henrique Cardoso e Lula, os grandes líderes de PSDB e PT, não conseguiram promover em seus 16 anos de governo?
Dilma e Alckmin conseguiram reunir sob o mesmo teto e no mesmo palco representantes do governo federal petista e do governo estadual tucano para cuidar do mesmo projeto: unir esforços no combate à miséria.

É o único jeito de um dia o país poder se livrar desta praga chamada PMDB, o "fiel da governabilidade", seja qual for o partido no poder, e dos PRs e outros pês da vida, mudar de rumo e correr o risco de dar certo.

O partidão peemedebista, que um dia já foi comandado pelo grande Ulysses Guimarães, na travessia da ditadura para a democracia, tornou-se o antro dos políticos mais fisiológicos do país. Sobrevive, com força, graças à guerra fraticida entre tucanos e petistas em São Paulo, que tanto tem prejudicado o restante do país.

Afinal, que importa para os brasileiros de outras regiões se o próximo prefeito de São Paulo a ser eleito em 2012 será do PT ou do PSDB? O Brasil não pode mais ficar a reboque desta eterna disputa feita de soberba e vaidade dos líderes dos principais partidos do maior Estado do país, que elegem os presidentes da República desde 1994.
O Brasil é maior do que isso.
Dilma e Alckmin, políticos de uma nova geração, parecem já se ter dado conta disso.

Quem não sacar esta mudança vai perder o bonde da história.

Janelas, Sabiás e Flores

Discretas Janelas cantadas em prosas e versos

Às cinco horas da manhã fui acordado por um cantar sonoro vindo da nossa janela. Pensei que já fosse hora de levantar, mas para minha surpresa, ainda não eram seis horas. Era só o sabiá cantando mais cedo. É sempre assim, vai chegando a primavera e os sabiás começam a cantar para atrair suas parceiras. Cantou tanto que não consegui dormir mais. É como quando se tem criança pequena, quando você menos espera sente uma mãozinha mexendo na sua cabeça. Você não sabe se fica com raiva ou se acha graça, mas acaba concordando que ela suba na sua cama para sentir o calor dos pais.

Fiquei na cama, ouvindo o sabiá e pensando nas janelas. Lembrando das músicas de Chico Buarque que sempre falam das Janelas. ”Januária na janela...”, ”a moça triste debruçou na janela e sorriu...”, e tantas outras músicas de tantos autores. Músicas falando de serenatas e de amores.

Lembrei-me também que precisava mostrar as flores do Jasmim na janela da nossa filha. Na outra casa o quintal não tinha flores, nesta casa, o quintal também era de piso com lajotas e nós mandamos tirar tudo e fazer um “jardim japonês”. Nele quem mais aparece são as Mariazinhas, por florescer o ano inteiro. Da janela da nossa filha não se vê o Corcovado, mas vê-se as flores das mariazinhas...

As flores do Jasmim...

E a lua banhando as plantas e as flores, especialmente a Jabuticabeira que começa a florir.

Na hora de sair para trabalhar, enquanto ficava na porta de casa olhando as árvores em volta, especialmente as poucas flores do Ipê Amarelo de nosso vizinho, ouvir os gritos dos periquitos, acompanhar o voar dos sanhaços, “de repente, não mais que de repente”, UM CASAL DE SABIÁS veio pousar no muro do nosso jardim! Não sei se para desculpar-se por terem me acordado mais cedo, ou para brincar comigo, como nossa filha brincava na cama, quando nos acordava mais cedo.

E pela primeira vez, os sabiás se deixaram fotografar, para comemorar o amor e os futuros filhotes...


quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Dilma e a Arte de Pintar

Dilma na Carta Capital

A revista Carta Capital desta semana trás a primeira parte de uma entrevista exclusiva com Dilma. Na próxima edição tem a segunda parte. O título desta semana é “Dilma e o Presente”.

Mino Carta, velho jornalista italiano e libertário, também chegado a ser pintor, escreve já na introdução da entrevista, página 20, “Os gravadores ainda estavam desligados, a conversa versava sobre artes plásticas, quando Dilma Rousseff, por um instante, pensou em outra vida: “Vocês sabem que eu gostaria de ter sido pintora, não?”

Quantas coisas a gente gostaria de ter sido e acaba não sendo. Dilma não conseguiu ser pintora, e mesmo gostando de ver exposições, visitar museus e ler sobre Arte, Cultura e Literatura,arranja tempo para fazer política, governar e cuidar de flores, da filha, do neto e dos amigos. Este é o mundo moderno. Para dar conta de tudo, só mesmo sendo uma artista!

Eu fiquei pensando que tipo de artista seria Dilma: Modernista? Romântica? Renascentista? Cubista? Iluminista? E achei que ela seria mais Iluminista. Por que ela gosta de pintura e gosta de iluminar a vida das pessoas. Dizem que lá no Rio Grande do Sul ela lançou o programa “Luz para Todos” e foi um sucesso. Quando ela veio trabalhar com Lula ela lançou o mesmo programa para todo o Brasil e vejam que história interessante eu escutei:

Nas eleições de 2006, eu perguntei a um amigo que é filho de baiano, lá dos cafundós do mundo, no interior da Bahia, como ele estava vendo as eleições daquele ano. E ele, parecendo conversa de mineiro, respondeu: Eu acho que vamos ganhar esta eleição. Lula vai ser reeleito, apesar da imprensa. Eu todo surpreso com a firmeza dele perguntei por que tanta certeza. Ele respondeu: Conversei com meu pai, que nunca votou no PT, e ele disse-me que da Bahia ao Piauí todos vão votar em Lula. Meu amigo perguntou se era por causa da “Bolsa Família” e o pai dele respondeu que não, era por que agora todo mundo tinha luz elétrica nas casas. Um tal de “Luz para Todos”. Graças a ele, eles estavam tomando banho com água quente, tinham geladeira e até televisão para ver jogo, novela e noticiário. Eles tinham virado gente. Tudo isto em pleno final do século XX e graças a um tal de Lula.

E quem iluminou todo o Nordeste, o Norte e os rincões deste Brasil? Dilma com o “Luz para todos”. Logo, esta mulher é “Iluminista”! Ela Ilumina... Os iluministas combateram as trevas, o absolutismo, as monarquias, o pensamento único, a ignorância e falta de saúde... Falavam até em Contrato Social e Direitos Humanos.

Se Lula, sem fazer faculdade, deu aula para os doutores de como se governa um país; se Mino Carta, quando menino, sonhava em ser pintor e escritor, virou jornalista famoso e pintor nas horas vagas, fazendo até exposições, Dilma, mesmo não entendendo muito da Arte de Pintar, está iluminando o país e mostrando a todos a “Arte de Governar”.

Dilma, Lula e o Estadão

Análise Política do Estadão

Vejam esta preciosidade! O Editorial do Estadão de hoje fala de Dilma, de Lula e da política brasileira comparada à americana. A parte política deste jornal vive uma bipolaridade. Tem um passado digno e um presente indigno. Dizem até que o pessoal de FHC ficou sócio do jornal. Não acredito muito, porque o Jornal ainda tem mais qualidades do que defeitos. Se os tucanos tivessem comprado, estaria igual a Veja ou a Globo. “Vade Retro!” Não tenham medo, leiam e meditem sobre os assuntos abordados.

Dilma segue a Lei de Johnson

EDITORIAL - O Estado de S.Paulo – 18 de agosto de 2011

Quando vieram lhe pedir a cabeça do todo-poderoso chefe do FBI, J. Edgar Hoover, porque mandara espionar os líderes do movimento pelos direitos civis, sem respeitar nem o reverendo Martin Luther King, o presidente Lyndon Johnson, que governou os Estados Unidos de 1963 a 1969, rejeitou a ideia com um argumento que se tornaria um marco do pragmatismo político, quanto mais não fosse pela forma que o desbocado texano encontrou para se expressar. "É melhor ter o Hoover dentro da nossa tenda, urinando para fora", ensinou, "do que tê-lo fora, urinando para dentro".

A presidente Dilma Rousseff pode, ou não, conhecer a história - e decerto não usaria tais termos em circunstâncias similares. Mas, aconselhada pelo expoente do pragmatismo na política brasileira, o seu antecessor Lula da Silva, a presidente aplicou a Lei de Johnson para recompor as suas relações com os partidos aliados, a começar pelo mais forte deles, o PMDB do vice Michel Temer, com seus 80 senadores e 20 deputados. Reunida na segunda-feira à noite com a cúpula da sigla e a do PT - a "espinha dorsal do governo", como disse -, Dilma parecia o seu patrono.

Enquanto os convivas sorviam um alentador caldo verde, anunciou o descongelamento imediato de R$ 1 bilhão para as emendas parlamentares da base, prometeu evitar novos atritos, manifestou "confiança" no peemedebista Pedro Novais, titular da escrachada pasta do Turismo, e considerou nada menos do que "exemplar" a conduta do colega dele na Agricultura, Wagner Rossi, outro correligionário alcançado por denúncias de corrupção. (No dia seguinte, exsudando felicidade, ele desfilaria pela repartição com os braços erguidos e os punhos cerrados, repetindo, pateticamente: "Estou firme, estou firme". Em menos de 24 horas viu-se obrigado a deixar o governo.)

Não menos exultante, também por motivos pessoais, como não poderia deixar de ser, ficou o líder do PMDB na Câmara, Henrique Alves, que vinha reclamando do frio na tenda dilmista. A reunião, entoou, representou um "novo marco". Pudera: a anfitriã chancelou o acordo pelo qual o PT ficou de ceder ao PMDB, ou seja, a Alves, a presidência da Casa em 2013. Era o que ele mais queria para se sentir reconfortado e pronto para fazer o equivalente ao que o americano Johnson queria que o indócil Hoover fizesse "para fora". E Dilma, que imaginara ingenuamente que bastaria um encontro daqueles por semestre, vai fazer um por mês - sem deixar de fora nenhuma legenda aliada.

Poderá, quem sabe, convidar até os senadores do PR que divergiram da decisão do seu presidente, o ex-ministro Alfredo Nascimento, de retirar o partido da coalizão, em represália à limpeza ética que o apeou e aos seus apaniguados dos Transportes. O capixaba Magno Malta, por exemplo, anunciou que não tem a menor intenção de sair da base. O seu irmão Maurício, a propósito, usufrui de uma boquinha no famigerado Dnit. Outro perrepista dissidente, o mineiro Clésio Andrade, tem um afilhado na superintendência local do órgão. A rigor, não havia motivo para ansiedade: o PR não pediu a ninguém que se demitisse; apenas que deixasse os cargos "à disposição".

O pano de fundo da conversão de Dilma ao pragmatismo lulista combina dois tons. Um é a ficha que enfim caiu: a base não pertence à presidente; é uma aquisição do seu mentor, cedida a ela em comodato e sujeita a panes se não for administrada como os seus membros foram acostumados a esperar. O outro tom são as circunstâncias: Dilma precisa de votos no Congresso não apenas para a "governabilidade", em abstrato, mas para aprovar medidas que poupariam o País do contágio da crise externa e derrubar aquelas que, no seu entender, tenham efeito oposto. Nessa conjuntura, a higiene johnsoniana na tenda é tida como crucial pela presidente.

Não se trata, portanto, daquela que seria propiciada pela dedetização dos inumeráveis focos de corrupção no seu interior. Talvez Dilma já não reaja a novas denúncias da imprensa como reagiu no caso dos Transportes. Segundo uma versão, no ágape com o esfaimado PMDB, ela teria considerado "sectarista" (sic) a cobertura dos escândalos. No sentido que conta, é mesmo. Cabe à imprensa, de fato, distinguir o bem do mal - e escolher entre um lado e outro.

Globo e Dirceu, juntos?

Após dez anos, acordo vai da Globo a Zé Dirceu

Emissora festeja mudança por poder vender Net a Slim e resguardar conteúdo;petista vê 'fruto de consenso'

NELSON DE SÁ - ARTICULISTA DA FOLHA

A Record resistiu até o último instante, com o sobrinho de Edir Macedo, o senador Marcelo Crivella, argumentando que o projeto é prejudicial por adotar cotas para produção nacional -e por um suposto estímulo à transferência de publicidade da TV aberta para a TV paga.

Também a Bandeirantes resistiu, ela que tem operadora de cabo, a TV Cidade, em propriedade cruzada agora proibida pelo projeto. Também o SBT, que controla a operadora TV Alphaville. Encerrada a votação, a Band saiu acusando o ministro das Comunicações e os parlamentares de permitir "a invasão do galinheiro pelas raposas", as "generosas teles" que "derramaram milhões durante a campanha".

Mas a Globo, que teria reafirmado apoio ao projeto em reunião com o ministro das Comunicações, dois meses atrás, não questionou sequer as cotas para produção nacional, atacadas ruidosamente por parlamentares do PSDB e do DEM.O projeto permite à Globo formalizar a venda da Net para o mexicano Carlos Slim.Por outro lado, resguarda o conteúdo: "Para produzir programas, a empresa terá que ter capital nacional mínimo de 70%", o que barra Slim e a espanhola Telefónica.

As teles, pelo acordo, são proibidas até de comprar direitos sobre eventos e contratar artistas. Na mesma reunião com o ministro, também teria sido aceita a "cota mínima e crescente de produtos nacionais" na TV paga, inclusive "parte deles realizados por produtores independentes".

A aprovação, anteontem, foi imediatamente saudada tanto pela Telebrasil, a associação das teles, como pela ABTA, das empresas de TV por assinatura.

De sua parte, o líder petista José Dirceu, consultor de Slim, também festejou publicamente a aprovação, "já não era sem tempo", depois de dez anos de disputas no Congresso. E justificou que foi "fruto de um consenso no qual todos cederam".

Com a nova lei dependendo agora da sanção da presidente Dilma Rousseff, o ministro das Comunicações comemora publicamente ter desatado o nó que impedia maior concorrência na TV a cabo, um virtual monopólio da Net. Também abre caminho para a entrada no cabo da "campeã nacional", a operadora de telefonia Oi, da "famosa Andrade Gutierrez", como descreve a contrariada Bandeirantes.
Folha SP, 18/08/11 – Caderno Mercado


Nós, militantes,simpatizantes e cidadãos brasileiros,queremos entender primeiro, para comemorar depois. Afinal, quando assinamos TV a Cabo, era para não ter propaganda. Agora está ficando tudo igual e nós pagamos por uma coisa e recebemos outra, de má qualidade.Em vez de ser o ganha-ganha, está parecendo que uns poucos vão ganhar e a maioria vai perder. Que se esclareçam...

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

O Heróico Jasmim da Vila

A Esquina da Vila tem Jasmim!

Hoje eu consegui parar o carro e tirar uma fotografia deste Jasmim.
Todos os dias passava em frente à casa, mais devagar que o normal, para tentar ver as flores deste Jasmim. Era sempre algo cheio de ansiedade e dúvidas: E se venderem a casa para construírem um prédio?

Como ficará este Herói da Resistência?


Na esquina da Rua Fradique Coutinho com a Purpurina tem um comércio não sei de que, no segundo imóvel à esquerda, tem uma casa com jardim, arquitetura bonita e um pé de Jasmim em Flores. Do lado direito da casa tem mais uma casa apertada e ao lado... UM Prédio! E em frente à casa estão construindo... Outro Prédio!!!!

Estou fazendo o texto para o blog só agora, 16:15hs, porque pela manhã estávamos num Seminário sobre Desenvolvimento Sustentável, com os palestrantes Ladislau Dowbor, Luis Paulo Bresciani e Ricardo Abramovay, todos professores, todos moradores no nosso bairro e todos sonhadores que gostam de flores, de música e de gente. E eu perguntei a Abramovay, que falava de Economia Verde: Como ficarão nossas flores na Vila se estão destruindo tudo? E ele que vai dar aula na USP de BICICLETA! Respondeu: Se não agirmos rápido, vão destruir tudo...

Como ficarão as flores da Vila Madalena? Serão substituídas por painéis da “cidade antiga”, como fazem com o Centro de São Paulo? Meu Deus, estão matando a nossa cidade! Se não agirmos logo, nossa cidade vai ficar como esta foto que tirei da janela do meu trabalho. Rua São Bento, 365 – 19º. Andar. E ao lado esquerdo da janela, sem aparecer na foto, da para ver o Banespa e o Martinelli.

Prédios sem flores...



Precisamos convocar os poetas para cantarem a Vila.
Os Chicos, Caetanos, Miltons, Elises, Inesitas, Adonirans, enfim, vamos convocar os vivos e os mortos. Inclusive nosso inesquecível NOEL ROSA, na voz de Elizeth Cardoso e o apoio de Jacob do Bandolim. Vamos cantar à Vila, mesmo que ainda não seja a Vila Madalena, a Vila Beatriz, a Vila Ida, todas filhas do mesmo português. Isto é São Paulo! Isto é Brasil!



terça-feira, 16 de agosto de 2011

Pedras e Flores no Caminho

Olhos para ver e ouvidos para ouvir

As pessoas têm me perguntado porquê eu resolvi falar das flores e de música, em vez de falar de sindicalismo e política, assuntos que eu tenho tanta experiência. Eu andei pensando sobre isto, dando várias respostas que até agora não me satisfizeram e acho que estou descobrindo qual é o motivo principal.

Somos uma geração que viveu o conflito entre a modernização do mundo com os Hippies e os Beatles, e as trevas no Brasil e na América Latina, com as Ditaduras Militares. Mesmo assim, tivemos a Bossa Nova, a Jovem Guarda, o Cinema Novo, a urbanização do Brasil e a integração nacional.

Nossa geração também acreditou em dois sonhos. Que a derrubada da ditadura era um trabalho coletivo e que as Estatais e o Emprego Público eram instituições sérias e meios de ascensão econômica e social.

O primeiro sonho estava certo, a redemocratização do Brasil e da América Latina foi fruto de um grande processo coletivo onde todos foram importantes. Mas o segundo sonho durou pouco. Com a redemocratização do Brasil, os neoliberais Collor e FHC destruíram as Estatais estaduais e federais, empobrecendo milhões de pessoas que tinham estudado muito para fazer concurso e esperavam ter uma boa aposentadoria. Precisou vir o governo Lula para estancar esta sangria.

O mundo está vivendo uma nova grande crise, gerando medos e incertezas. As pessoas vêem incertezas em todos os lugares. No meio dos caminhos há muitas pedras. Mas também há flores dos diversos tipos e cores. O mundo demanda uma reestruturação. O mundo de hoje não é mais o mundo do pós Segunda Guerra Mundial. Obama não é Roosevelt, nem os Estados Unidos de hoje são os grandes vencedores das guerras.

Ao fazer um balanço da vida eu percebo que, se a dediquei à luta contra a ditadura, à criação e consolidação da CUT e do PT, tudo isto era um meio para contribuir para uma boa qualidade de vida. A geração de nossos pais teve baixa escolaridade, nossa geração já fez universidade, nossos filhos já são poliglotas e viajam pelo mundo.

Na verdade, sempre gostei de flores, de música e das pessoas. Sempre achei que respeitar os pedestres, os fracos, os ignorantes, os mais velhos e as crianças fosse parte de uma vida civilizada e fraterna. Uma vida democrática. Já chegando à terceira idade e respeitando o pedido dos jovens para eu contar meus causos, cheguei a conclusão que contar causos a partir das flores e das músicas, pode sensibilizar mais as pessoas, do que a partir das pedras e da morbidez da imprensa.

Caminhando entre nossa casa e o posto de gasolina para ir buscar o carro, encontrei uma laranjeira, cheia de flores. E, como uma abelha, parei vendo tantas flores e fiquei pensando: Quanto simbolismo tem uma laranjeira em flor! Quantas poesias e músicas falam da flor da laranjeira. Quantos casamentos e sonhos já aconteceram a partir desta pequena flor.

Aí concluí que todos os caminhos têm pedras e têm flores. Têm horas que percebemos mais as pedras e têm horas que percebemos mais as flores. Eu estou na fase das flores e das músicas. Se já recuperamos a Democracia, espero que meus causos, com as flores e as músicas, possam ajudar as pessoas que estão passando dificuldades a superarem seus desafios.



segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Flores Gêmeas e Lindas

Nascidas da mesma mãe, porém diferentes

Já pensou se todas as flores fossem iguais? Seria um tédio...
Por que tem gente que acha que as pessoas deveriam ser iguais? É só olhar para as flores, para perceber a beleza de cada uma, conforme sua cor e sua forma.

Vejam o milagre da Natureza!

O mesmo pé dá duas cores de flores. Ambas bonitas e atraentes. Disseram-me que é um pé de Manacá. Como o nosso manacá só dava flores brancas e perfumadas, eu fiquei em dúvida. Mas a beleza é evidente. E as Margaridas aparecem também mostrando seu charme.



Por falar em diferença, vejam que flores especiais! Brancas ou Vermelhas, ambas são lindas do mesmo jeito. Não tenho idéia como se chamam, mas isto não diminui a beleza delas.

















E este mimo? Será um tipo diferente de Jasmim? Andando na nossa rua, vamos descobrindo uma infinidade de flores. Felizmente os prédios e os bares ainda não chegaram à nossa rua.











Vejam ainda esta Cerejeira Italiana! São flores que atraem abelhas e pássaros. O Sabiá pula de galho em galho querendo aparecer na foto, mas não se aproxima o suficiente para aparecer ao lado das flores.



sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Herói da Resistência Pacífica


O pequeno Ipê Amarelo

As construtoras vão comprando as casas antigas da Vila Madalena para transformá-las em Bares ou Prédios. Este pequeno pé de Ipê Amarelo, com suas belíssimas flores, resiste! Plantado exatamente na divisa entre um imóvel e outro. Está refém da loucura humana e do destino.


Por enquanto, ele sinaliza a quem passa pela Rua Wizard, que apela para a Magia dos Homens, para evitar que os prefeitos e vereadores que estão soltos para praticar a barbárie, que preservem as flores da Cidade.

Como resistir a tanta destruição?

Talvez tenhamos que chamar os japoneses do Parque do Carmo para fazermos uma manifestação na Vila Madalena, por mais verde, mais flores, mais alegria, menos prédios e menos trânsito desorganizados. Ou esperar as eleições do ano que vem. Que pode ser tarde demais.

A gente não quer só comida...

We want the world

Education in Chile

A trial of strength between students and the government
Aug 13th 2011 | SANTIAGO | The Economist - from edition The Americas

IT BEGAN on August 4th with the metallic clink of a few pots and pans. By nightfall, thousands of people were on the streets of Santiago banging kitchenware, a form of protest last heard under the dictatorship of General Pinochet. This time the cacerolazos, as they are called, are being staged in the name of educational Utopia—and in response to a cack-handed government ban on marches.

Chile’s school system is the least bad in Latin America, according to the OECD’s PISA tests, which compare educational attainment across countries. But that does not make it good. And the overall performance hides huge disparities. Analysis done in Chile of the test results in the 65 countries that took part finds that it ranked 64th in terms of the variance of the results according to social class. Rich pupils get good private education; poor ones are condemned to underfunded, dilapidated state-funded schools.

This “educational apartheid” as Mario Waissbluth, a campaigner, puts it, is widely blamed for the fact that Chile remains a highly unequal society, despite its dramatic progress over the past quarter of a century in reducing poverty. “The kids from the posh suburbs study in those suburbs, go to university in those suburbs, get jobs as company executives in those suburbs and employ friends from the schools they went to themselves,” says Mr Waissbluth.
The centre-right government of President Sebastián Piñera agrees. Chile inherited from the dictatorship a voucher system under which the government pays money to the school of the parents’ choice. In November the government unveiled a plan to increase the value of the voucher, especially for the poorest children. As well as trying to attract better teachers to state schools, the government will set up 60 lycée-style “schools of excellence” aimed at bright children from poor families.

Students and teachers responded by demanding the abolition of all for-profit education. After they staged big marches along the Alameda, Santiago’s main thoroughfare, Mr Piñera last month sacked his unpopular education minister. The government also said it would draw some $4 billion from its reserve fund of windfall copper revenue to pay for better schools.

On August 1st the new minister, Felipe Bulnes, published new proposals. He proposes to put the national government, rather than municipalities, in charge of state schools. Any chance that this would settle the dispute was scotched when the government decided to ban protests in the Alameda. The students have since twice marched anyway. On August 4th breakaway groups of masked youths, with little apparent interest in learning, set up barricades, fought police and looted. Five days later the pattern was repeated.

But many of the student leaders appear articulate and reasonable. For now they seem to have public opinion on their side. A recent opinion poll gave Mr Piñera an approval rating of just 26%, the lowest of any president since Chile returned to democracy in 1990. The students are unlikely to win their demand in full. But they have damaged Mr Piñera, perhaps permanently.

Mariazinhas em Flor

Flores são como filhas e filhos.

A noite acendemos as luzes do quintal para iluminar as flores do Jasmim. Iluminadas elas ficam mais perfumadas e belas. Principalmente agora que já são milhares... Mas perto do chão há vários pés de Mariazinhas, todos floridos.


As Mariazinhas também gostam de ser prestigiadas. E ontem, quando fui acender as luzes, vi perto do pequeno hall, que na Bahia a gente chama de “alpendre”, que mesmo antes de acender as luzes, dava para ver as diversas flores das Mariazinhas. Estas estão “ao pés” de outra planta chamada – Lágrimas de Cristo – que agora está em recesso, seca, esperando chegar a primavera. As Lágrimas de Cristo crescem na rama que fixamos ao lado da pilastra e floresce de cima a baixo, chamando a atenção de todos. Mas agora só tem Mariazinhas.


Flores no Trânsito e Sinal Fechado


Outro dia, parei o carro para dar passagem a um ônibus. O motorista olhou pela janela, sorriu e agradeceu com a mão. Quando o ônibus seguiu viagem, perto do ponto tinha um grande pé de Ipê Amarelo em flor. Se eu não tivesse dado passagem ao ônibus, teria passado direto e não veria as flores do pé de Ipê Amarelo.

Hoje, um casal atravessava à rua, quando o farol estava verde para carros e vermelho para pedestres. Ao sinalizar para eles que o sinal estava fechado, o rapaz disse: Mas estou na faixa. Pelo que sei, a faixa sem farol tem uma regra e a faixa com farol tem outra. Mas as faixas da CET orientando as pessoas falam mais em punir, multando e aumentando os pontos. Tem que EDUCAR e tem que PUNIR.

Mas a educação é mais importante. Na família, na escola, nas Igrejas, nos locais de trabalho e no trânsito. Eu não consegui sorrir para o casal e não tinha ninguém da CET para orientar, embora fosse no Largo Paissandu, bem no Centro de São Paulo.