sábado, 30 de julho de 2011

Uma homenagem com boas lembranças

Arcádio Minczuk comemora 30 anos de Osesp
em concertos com regência do irmão Roberto

28 de julho de 2011 - João Luiz Sampaio - O Estado de S.Paulo

Publicada em abril de 1981, a matéria do Jornal da Tarde contava a história do mais jovem integrante da Sinfônica do Estado de São Paulo. Arcádio tinha 17 anos, acabara de ser contratado pelo maestro Eleazar de Carvalho e falava de sua rotina de estudos e ensaios. Lembrava também que seu irmão mais novo, Roberto, de 14 anos, aguardava uma vaga na orquestra do Teatro Municipal - na verdade, recebera um convite para tocar no Rio, mas o pai decidiu que ele era novo demais para se mudar sozinho para outra cidade.

O tempo passou e, hoje, oboísta Arcádio Minczuk sobe ao palco da Sala São Paulo para comemorar seu aniversário na orquestra; vai solar o Concertino para Oboé e Cordas, de Brenno Blauth, com repetição amanhã e no sábado. Do seu lado, comandando a orquestra, Roberto Minczuk, o irmãozinho que, depois de uma rápida carreira como trompista, tornou-se regente, já ocupou o posto de diretor adjunto da Osesp e hoje é titular da Sinfônica Brasileira e da Filarmônica de Calgary, no Canadá.

Arcádio começou na música, como os irmãos, por influência do pai, sargento da Polícia Militar. O primeiro instrumento foi o bandolim. "Frequentávamos uma igreja evangélica de origem russa e eu tocava por conta disso", lembra Arcádio. "Também aprendi outras coisas, como o bombardino, que o meu pai tocava na banda da polícia. Até que um dia ele me trouxe o oboé, dizendo que era um instrumento lindo e raro de encontrar. No começo, foi difícil me entender com o instrumento, que é difícil de controlar, exige uma capacidade física que eu ainda não tinha, precisei aprender a lidar com as palhetas, que não eram fáceis de encontrar aqui no Brasil. Mas, depois de dois ou três anos, me acostumei e gostei."

Ele já tocava na Sinfônica Jovem quando fez a prova para a Osesp, na época comandada por Eleazar de Carvalho. "Ele já era o grande maestro brasileiro, eu sempre acompanhava seus concertos e tinha trabalhado com ele em Campos do Jordão também. E, de repente, fazia parte da orquestra dele. Olhando em retrospecto, acho que não estava totalmente preparado para a dificuldade do repertório que ele fazia, Stravinski, Bartók, era tudo muito complicado. Mas, ao mesmo tempo, a Osesp de certa forma me ajudou a concluir o aprendizado, porque estudava muito para estar pronto nos ensaios."
Trajetória.

Arcádio presenciou momentos distintos da história da Osesp. "Ainda vivi alguns anos de glória do Eleazar, mas, depois, no final dos anos 80, vieram os desentendimentos dele com o governo, perdemos a sede, não tínhamos onde tocar, o próprio Eleazar começou a viver mais nos EUA, antes de ficar doente. Com isso, o público também foi se afastando."
Nessa época, diz, pensou em deixar a música. "Era um cenário muito desanimador para o músico de orquestra. Mas éramos jovens, idealistas e abraçamos o projeto novo que surgiu, com o maestro John Neschling e o governador Mário Covas." Atualmente, ele faz um doutorado sobre a relação do renascimento da orquestra com o contexto político e econômico vivido pelo País no fim dos anos 90. E se diz satisfeito. "Depois de todo esse tempo, o que posso dizer é que é muito bom ser o primeiro oboé dessa orquestra, nessa sala que até quem vem de fora inveja, tocando os solos mais bonitos que existem."

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