quinta-feira, 21 de julho de 2011

A imprensa, Dilma e Itamar Franco

Estão tentando transformar Dilma em Itamar Franco.

Vejam que coincidência, nós estávamos tomando o café da manhã, e minha esposa perguntou-me como estavam os jornais (Folha e Estadão) e eu respondi: Estão tentando transformar Dilma em Itamar Franco.

Para quem não se lembra, na época que Itamar Franco estava no governo, a imprensa o transformou em “laranja” de Fernando Henrique. Isto é, Itamar era um presidente fraco e problemático, e quem tomava conta da economia era Fernando Henrique, a Rede Globo e a grande mídia nacional e internacional.

Com Dilma, a imprensa está tentando dar mais um “golpe branco”, mas a imprensa nunca está sozinha. Em 64 a imprensa chamou os militares... No início do governo Dilma, o avalista era Palocci, não deu certo. Agora a imprensa tenta mostrar que “não temos governo, temos um governo fraco ou que ela terá o apoio da imprensa se se livrar de Lula”. Só falta achar o “Fernando Henrique” de Dilma. Ou “deixar Dilma sangrando até 2014”, como os tucanos tentaram fazer com Lula em 2005. O problema é que tem gente do nosso lado fazendo este jogo. Como tinha também em 2005. Só que naquela época o presidente era Lula...

Dilma, além da sua própria história de vida, tem o apoio da militância, dos eleitores, de parcela significativa dos empresários. Mas não pode ficar refém da imprensa, nem de assessores dúbios.

A jornalista abaixo é gente séria, não escreveu a matéria com a intenção acima, mas, como Shakespeare em Macbeth, ela abordou um assunto que está nos bastidores. Ou nas “forças ocultas”, como dizia Jânio Quadros.

Um ‘quê’ de Itamar no jeito Dilma de governar

Presidente avalia que errou na mão com Palocci
e tenta mandar mensagem para base

20 de julho de 2011 | 23h 00 - Vera Rosa, de O Estado de S.Paulo

Sem se importar com a fúria dos aliados do PR nem com a real possibilidade de troco em votações no Congresso, a presidente Dilma Rousseff não está disposta a segurar nenhum auxiliar, seja ele ministro ou secretário, que tenha o nome sob suspeição.

A advertência não é apenas para o Ministério dos Transportes. Dilma avalia que errou a mão no tempo de blindagem do então ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, e quer sinalizar para os subordinados da Esplanada que a política pode ser feita de outro jeito.
Palocci agonizou durante 24 dias, acusado de ter multiplicado seu patrimônio em 20 vezes, em quatro anos, de 2006 a 2010. No domingo, 5 de junho, 48 horas antes de Palocci cair, a presidente disse a ele, no Palácio da Alvorada: "Você deveria ter pedido licença da Casa Civil. Se tivesse feito isso, nada teria chegado a esse ponto".

O afastamento, ainda que temporário, é uma prática que Dilma pretende adotar, de agora em diante, sempre que perceber consistência nas denúncias.

Há um quê de Itamar Franco nesse estilo. Em novembro de 1993, o então presidente Itamar dispensou o chefe da Casa Civil, Henrique Hargreaves, acusado de desvio de dinheiro público durante as investigações da CPI do Orçamento. Inocentado, Hargreaves voltou ao Palácio do Planalto três meses depois.

Dilma não acha que foi precipitada ao ordenar as degolas no Ministério dos Transportes, no Departamento Nacional de Infraestrutura dos Transportes (Dnit) e na Valec, empresa que cuida das ferrovias, quando surgiram as primeiras acusações de superfaturamento de obras.

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