quarta-feira, 20 de julho de 2011

Cemitérios Vivos e Praças Mortas

O trânsito lento ajuda a ver nossa cidade

Hoje observei que de casa até o centro eu passo por três cemitérios e três praças. O curioso é que, enquanto os cemitérios são floridos, cheios de árvores e bem cuidados, as praças não têm flores, as árvores são poucas e nem sempre estão bem cuidadas.

O primeiro cemitério é do lado direito da Av. Dr. Arnaldo, eu acho que é um cemitério protestante. Não vejo placa de identificação, mas vejo muitas árvores e muitas flores. Ali os mortos devem descansar em paz.

O segundo cemitério é do lado esquerdo da Av. Dr. Arnaldo, imenso, cheio de Ipês Rosa, cheio de árvores e estátuas, verdadeiros monumentos em cada sepultura. Este cemitério está em frente à Faculdade de Medicina da USP, outro monumento histórico da nossa cidade. Um cuida dos mortos, o outro cuida da vida.

O terceiro cemitério é o da Rua Consolação, mais árvores, mais Ipês-Rosa, mais monumentos. Este cemitério também é muito grande, e com certeza, é uma reserva ecológica, um pulmão para nossa cidade. Estes dois cemitérios, mesmo sendo cemitérios de ricos, também devem propiciar um bom descanso para os mortos que ali foram enterrados. Afinal, ser enterrado em lugar bonito faz bem para os mortos e para os vivos!

Aí aparece a primeira praça, a Praça Roosevelt, em demolição, sem árvores, as árvores existentes são da Igreja da Consolação, não da praça. Eu morei em frente a esta praça, quando cheguei em São Paulo, em 1970. Era uma praça de “arquitetura moderna”, já sem árvores. Embora esteja num ambiente artístico, antigamente tinha o Cine Bijou com filmes maravilhosos, faltavam as árvores.

A segunda praça é a Dom José Gaspar, onde o que se destaca é a Biblioteca Mário de Andrade e moradores de rua. Nesta praça também tem árvores, mas elas ficam depois do prédio da biblioteca. As poucas que aparecem não estão floridas...

A terceira praça
é a Ramos de Azevedo. Além de ter que tomar o maior cuidado com os ônibus, quando olhamos para os lados temos dois monumentos. À direita tem o Viaduto do Chá e a área verde da praça bem cuidada pelo Grupo Votorantim. É uma área muito bonita e tem flores. À Esquerda está o também centenário Teatro Municipal. Aí não tem verde nenhum. Nem um pé de nada, nenhuma flor. Acho que os arquitetos que cuidam do teatro não gostam de flores. Já pesquisei como era o entorno do teatro quando foi construído e há fotos mostrando que ali era uma colina com o teatro em destaque e com verde e flores. Depois os prefeitos demolidores autorizavam a construir o Mappim e muitos outros prédios enormes e sem verde. Hoje, nesta área resta apenas um teatro árido e seu brilho musical mudou-se para a Sala São Paulo.

Ainda bem que perto de casa nós temos duas praças: a dos jovens, que é a Praça do Por-do-Sol, e a nossa, dos velhos, que é cheia de árvores e sem monumentos artísticos tomando o lugar das flores. Eu não sei o nome oficial desta praça, eu prefiro chamá-la de “a praça dos velhos”. Nela nós caminhamos para manter a saúde e o convívio com a Natureza.

Um comentário:

  1. muito bom o texto, e esse título me chamou bem a atenção, moro aqui em floripa e a situação é quase a mesma, a diferença é que os cemitérios também estão na sua grande maioria mais mortos que os mortos que sobrevivem a falta de cuidado e furtos por ladrões. visite meu blog http://discordeja.blogspot.com/

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