sábado, 30 de julho de 2011

Uma homenagem com boas lembranças

Arcádio Minczuk comemora 30 anos de Osesp
em concertos com regência do irmão Roberto

28 de julho de 2011 - João Luiz Sampaio - O Estado de S.Paulo

Publicada em abril de 1981, a matéria do Jornal da Tarde contava a história do mais jovem integrante da Sinfônica do Estado de São Paulo. Arcádio tinha 17 anos, acabara de ser contratado pelo maestro Eleazar de Carvalho e falava de sua rotina de estudos e ensaios. Lembrava também que seu irmão mais novo, Roberto, de 14 anos, aguardava uma vaga na orquestra do Teatro Municipal - na verdade, recebera um convite para tocar no Rio, mas o pai decidiu que ele era novo demais para se mudar sozinho para outra cidade.

O tempo passou e, hoje, oboísta Arcádio Minczuk sobe ao palco da Sala São Paulo para comemorar seu aniversário na orquestra; vai solar o Concertino para Oboé e Cordas, de Brenno Blauth, com repetição amanhã e no sábado. Do seu lado, comandando a orquestra, Roberto Minczuk, o irmãozinho que, depois de uma rápida carreira como trompista, tornou-se regente, já ocupou o posto de diretor adjunto da Osesp e hoje é titular da Sinfônica Brasileira e da Filarmônica de Calgary, no Canadá.

Arcádio começou na música, como os irmãos, por influência do pai, sargento da Polícia Militar. O primeiro instrumento foi o bandolim. "Frequentávamos uma igreja evangélica de origem russa e eu tocava por conta disso", lembra Arcádio. "Também aprendi outras coisas, como o bombardino, que o meu pai tocava na banda da polícia. Até que um dia ele me trouxe o oboé, dizendo que era um instrumento lindo e raro de encontrar. No começo, foi difícil me entender com o instrumento, que é difícil de controlar, exige uma capacidade física que eu ainda não tinha, precisei aprender a lidar com as palhetas, que não eram fáceis de encontrar aqui no Brasil. Mas, depois de dois ou três anos, me acostumei e gostei."

Ele já tocava na Sinfônica Jovem quando fez a prova para a Osesp, na época comandada por Eleazar de Carvalho. "Ele já era o grande maestro brasileiro, eu sempre acompanhava seus concertos e tinha trabalhado com ele em Campos do Jordão também. E, de repente, fazia parte da orquestra dele. Olhando em retrospecto, acho que não estava totalmente preparado para a dificuldade do repertório que ele fazia, Stravinski, Bartók, era tudo muito complicado. Mas, ao mesmo tempo, a Osesp de certa forma me ajudou a concluir o aprendizado, porque estudava muito para estar pronto nos ensaios."
Trajetória.

Arcádio presenciou momentos distintos da história da Osesp. "Ainda vivi alguns anos de glória do Eleazar, mas, depois, no final dos anos 80, vieram os desentendimentos dele com o governo, perdemos a sede, não tínhamos onde tocar, o próprio Eleazar começou a viver mais nos EUA, antes de ficar doente. Com isso, o público também foi se afastando."
Nessa época, diz, pensou em deixar a música. "Era um cenário muito desanimador para o músico de orquestra. Mas éramos jovens, idealistas e abraçamos o projeto novo que surgiu, com o maestro John Neschling e o governador Mário Covas." Atualmente, ele faz um doutorado sobre a relação do renascimento da orquestra com o contexto político e econômico vivido pelo País no fim dos anos 90. E se diz satisfeito. "Depois de todo esse tempo, o que posso dizer é que é muito bom ser o primeiro oboé dessa orquestra, nessa sala que até quem vem de fora inveja, tocando os solos mais bonitos que existem."

sexta-feira, 29 de julho de 2011

O Jasmim começou a florir, bom sinal

A primeira Flor do Jasmim a gente nunca esquece...


Depois de três anos de cuidados e mais de um mês acompanhando cada botão, surgiu a primeira flor do Jasmim. La petit fleur, como dizem os franceses e o pequeno príncípe.


Elas começaram a abrir no dia 28 de julho, depois de eu ter falado de música, noticias e um dia de sol. O milagre do Sol! Tão pequena, tão bela, mas aos poucos serão milhares de flores!

As flores do Jasmim também irão embelezar a janela do quarto da nossa filha, que também é uma flor. Já pensaram, abrir a janela para ver o sol, deixar entrar a luz e o aroma do Jasmim?

Cada um pode e deve fazer sua parte para melhorar o mundo e a vida. Com flores fica mais alegre e saudável. Afinal, a primavera está chegando...

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Músicas, notícias e um dia de sol

A música como ponto de ligação

Outro dia recebi um e-mail de meu irmão que é físico de formação, e músico por prioridade de vida, onde ele contava que fez uma apresentação musical lá em Serrinha, nossa cidade no interior da Bahia, perto de Nova Soure, a cidade da presidenta do Sindicato dos Bancários de SP, Juvândia Moreira.

Foram três violinos, piano elétrico, duas flautas doces, violoncelo e canto (seis pessoas cantando). O repertório era variado, eclético, como dizem os eruditos: Danúbio Azul,de Strauss, na íntegra, Tristesse de Chopin, Serenata de Mozart, Concerto para uma voz, (não me lembro o autor); músicas japonesas como: “Sen no kaze ni natte”, Hana, Kimi to Itsu mademo; músicas mais atuais como: How can I go on, Hey Jude, Carinhoso e Como é grande o meu amor por você.

O auditório estava lotado e as pessoas aplaudiram de pé! Era o “samba do crioulo doido”, mas as pessoas adoraram! Isto mesmo, são músicas de várias partes do mundo, músicas de brancos e de negros, músicas “clássicas” e até Roberto Carlos. As músicas japonesas fazem parte da nossa mistura de baianos-paulistas-japoneses. Estudamos no Colégio Roosevelt em São Paulo, que na época 80% dos alunos eram filhos de japoneses e meu irmão, quando acabou o curso de física na USP, foi fazer doutorado de Física Quântica em Nagóia-Japão. Como todo músico baiano, cantou uma japonesa de lá, casou e teve uma filha que veio aprender português na Bahia. Meu irmão defendeu a tese em japonês!

Ando lendo um livro enorme sobre a História dos Compositores Clássicos e fico impressionado com a história de vida de cada compositor. Suas loucuras, suas necessidades, suas excentricidades, e suas anormalidades... Eles são diferenciados, para o bem e para o mal. Um deles, por exemplo, resolveu ser músico depois de ouvir a Nona Sinfonia de Beethoven. E virou uma referência para seu país e para o mundo. Estou falando de Wagner.

Fiquei tão impressionado que, apesar de já ter ouvido várias vezes a Nona Sinfonia, fui até a Livraria Cultura para comprar a Nona, regida por Karajan e tocada pela Orquestra Sinfônica de Berlim. Isto é, o melhor do melhor. Música para se ouvir sentado, prestando atenção. Não dá para ouvir dirigindo no trânsito de São Paulo. É como diz meu irmão: É música como oração... Mas na Livraria Cultura também tinha o disco de Chico e outras obras primas!

E andando pela loja vejo outros discos maravilhosos, e entre eles um me chamou muito atenção: Louis Armstrong – “Itinéraire d’un Génie”. Eu sempre gostei de Armstrong com seu trompete e seu vozeirão! Mas este tem o título em francês! Os franceses também gostam de blues e jazz? Gostam e muito. Voltando para casa, coloquei o disco no cd da carro e fui ouvindo... já na quarta música empaquei como cavalo velho. Que música bonita e diferente! Não conseguia entender o inglês da letra, mas ficava dirigindo muito devagar e prestando atenção na melodia, nos arranjos e na voz. Coisa de louco! A música era “SAINT JAMES INFIRMARY”, gravada em 1928. Isto mesmo: 1928!

Baixei a letra, procurei no Google sobre a história da música e descobri que é um símbolo da história inglesa e americana, além de já ter sido gravada pela nata da música negra americana e internacional.

Se meu irmão na Bahia faz “o samba rock meu irmão”, como diz Gilberto Gil, eu, ao comprar três diferentes discos, também reproduzo esta diversidade brasileira. E não me venham os ortodoxos dizer que isto é coisa de “novo rico”. Nós aprendemos jogar xadrex, lá na Bahia, com as peças sendo confeccionadas de “cabo de vassoura”, em 1963. Mas era xadrez. Como aprendemos música, aos nove anos, lá em Serrinha, na Filarmônica 30 de Junho, fundada em 1948. Isto é pobreza digna!

O disco de Armistrong é uma obra prima, são 23 músicas. Ele tocando, cantando e sendo acompanhado ao piano, em inglês e francês: “La vie em rose”, se o disco fosse de vinil já teria furado!

Querem ouvir três versões diferentes de “Saint James Infirmary”? A música transforma a dor da perda em algo que pode ser belo e triste, diminuindo o sofrimento e aumentando as esperanças. Vejam abaixo: (não consegui "linkar")

1 - http://letras.terra.com.br/louis-armstrong/426797/ - Armstrong
2 - http://www.youtube.com/watch?v=HJA21UmUquI – Eric Clapton
3 - http://www.vagalume.com.br/van-morrison/saint-james-infirmary.html - Van Morrison



quarta-feira, 27 de julho de 2011

Aprendendo com as flores

No Brasil temos flores o ano inteiro

Esta oportunidade climática que o Brasil tem, nos ajuda a enfrentar as dificuldades da vida. Como agüentar ler as manipulações dos jornais, sem o reconforto das flores? Como ouvir os noticiários nos carros, sem olhar para as flores que ainda sobrevivem aos prefeitos e as construtoras? Como acreditar nas autoridades que mudam de partidos e de opiniões todos os dias, sem observar que há vários tipos de flores conforme o período do ano? Como superar o medo dos assaltantes, (de caixa dois, de armas na mão, de paletó e gravata), sem fotografar as pequenas flores? Enfim, como acreditar no futuro dos nossos filhos e nas nossas aposentadorias, sem olhar para as árvores que duram mais do que nossa existência?

Ao ler a declaração de Nelson Jobim na Folha e o início do editorial do Estadão de hoje, eu pensei muito em deixar as flores para depois e fazer um texto forte sobre a hipocrisia, a covardia, a corrupção, a mentira, a manipulação, os assaltos, os assassinatos e os idiotas. Mas como eu prometi a meus amigos que este blog priorizaria a qualidade de vida, para evitar ser contaminado pela mediocridade política, eu vou mostrar as fotos das flores.

Por mais que eu tente ser forte ao dar estímulos para as pessoas resistirem ao sofrimento, à insegurança e à perfídia humana, eu também mantenho comigo uma parte deste sofrimento e desta tristeza. E vocês sabem que sou religioso e que também faço terapia. Afinal, eu sou do “orai e vigiai”. Tento cuidar do corpo e do espírito. E além do corpo e do espírito, eu tenho um coração que se alegra com pequenas coisas, como gostar de flores e da natureza.

As flores do Ipê-Rosa vocês já conhecem. Nesta foto com várias árvores, a mais ao fundo é o pé de Ipê-Rosa com as flores caindo. A árvore do meio, e mais verdinha, é a Cerejeira com nova folhagem verde e bonita, além de pouquíssimas flores. A árvore da esquerda eu ainda não sei o nome, mas ela anda florindo por toda cidade. Estas árvores se complementam nas floradas e nas folhas verdes. Assim deveriam ser as pessoas, os mais velhos cuidando e respeitando as crianças, para estas quando crescerem cuidarem e respeitarem os mais velhos. Preservando a espécie e os valores...




E as flores brasileiras são de todas as cores e tipos. Viva a diversidade!

terça-feira, 26 de julho de 2011

Eu queria falar das flores, mas a violência está insuportável

Solidariedade na alegria e na tristeza...

Eu estou com várias fotos das flores da nossa praça e de nosso bairro para mostrar para vocês. Pensei em mostrar na segunda-feira, mas achei que a Homenagem a Chico Buarque fosse mais importante. Pensei em mostrar hoje, mas achei o texto de Celso Amorim tão importante, que resolvi reproduzi-lo, mesmo sabendo que outros blogueiros já fizeram isto. É que pensei: Se não saiu no Jornal Nacional, nem na Folha de São Paulo, o pessoal acha que não saiu em “lugar nenhum”. Coisa de “formador de opinião”. Só existem a Globo e a Folha, os demais são... resto, são informações secundárias. É o imperialismo tupiniquim.
Além do texto sobre o nacionalismo ao ver “autoridades americanas recomendando o Brasil para o Conselho de Segurança da ONU”, já tinha na cabeça e nas fotos uma linda matéria sobre as diferentes flores.

Se o Conselho de Segurança da ONU não está funcionando bem, imaginem a “segurança de São Paulo e do Brasil”. São uma vergonha!
E a vergonha se transforma em tristeza quando a violência atinge as pessoas mais próximas...

A filha de uma amiga estava fazendo aniversário, 14 anos, uma linda idade para as meninas. Os meninos nesta idade ficam feios, mas as meninas viram flores, lindas flores... A mãe, cheia de orgulho, pegou a filha com uma amiga e foram comemorar na casa da Avó, que mora em Santo Amaro, Bairro da Zona Sul de São Paulo. Pegaram um taxi e iam cheias de alegrias e esperanças...

Mas no meio do caminho tinha trânsito, e com o trânsito tinha “mototrombadinhas”! Eu nunca tinha ouvido esta palavra... Com o taxi parado, duas pessoas numa moto encostaram na porta do lado do taxista, apontaram revólveres e exigiram os celulares, as “férias do taxista”, a bolsa e os celulares da mãe (minha colega) e das meninas, inclusive a aniversariante... E a festa só aconteceu depois de passar horas na delegacia, chorando, sem celular, sem bolsa e sem dinheiro. Além de não terem mais nem alegria, nem esperança...
Não dormi pensando no relato da minha colega. Porque a imprensa não faz uma grande campanha contra a violência? Ouço sempre no rádio do carro que em São Paulo morrem 1,5 motoboys por dia. Isto representa mais de 400 mortes por ano. É uma guerra! Que está voltando-se contra nós em todos os sentidos.

Ao abrir os jornais de hoje, vi tanto na Folha como no Estadão matérias sobre assaltos em São Paulo. São matérias tímidas, lá no Caderno Cidade... Se fosse no governo do PT seriam MANCHETES DE CAPA... Mas o prefeito foi indicação de Serra e a imprensa não pode transformar Kassab em Pita de Maluf...

A violência está em todos os bairros, em todas as cidades... e a segurança é a coisa mais importante para o ser humano! A violência urbana é a porta da guerra-civil e dos golpes de Estado.

Não quero que morram motoboys, nem crianças de bairros pobres! Mas não quero que morra nem seja assaltada pessoa alguma! A barbárie é inadmissível em qualquer circunstância! Seja nas condições de trabalho, seja nas moradias, nos hospitais, nas escolas, nas ruas de nossas cidades, muito menos dentro de nossas casas...

Quero que nossos filhos possam comemorar seus aniversários, ter suas alegrias e suas esperanças... Todos os filhos e filhas, como agora dizem os politicamente corretos.

E por falar em tristeza, vou mostrar somente uma foto das flores. É uma foto triste, porque as flores dos Ipês-Rosa estão caindo...transformando nossos chãos em “chãos de flores”. Apesar das motos, dos carros e das pessoas indiferentes.

Na Rua Harmonia, onde eu compro o pão, eu fico olhando onde piso, para não pisar nas flores no chão...
Na Rua Harmonia tem flores, mas nossa Cidade não tem harmonia.

Não deu no Jornal Nacional, mas deu na Carta Capital

Especialistas americanos recomendam o Brasil para o Conselho de Segurança da ONU


"A obsessão e o complexo de vira-lata

Mais um bom artigo do ex-chanceler Celso Amorim na Carta Capital - Tijolaço – Brizola Neto – 24julho2011. Leiam a íntegra:

Até os jornais brasileiros tiveram de noticiar. Uma força-tarefa criada pelo Conselho de Relações Exteriores, organização estreitamente ligada ao establishment político/intelectual/empresarial dos Estados Unidos, acaba de publicar um relatório exclusivamente dedicado ao Brasil, -pontuado de elogios e manifestações de respeito e consideração. Fizeram parte da força-tarefa um ex-ministro da Energia, um ex-subsecretário de Estado e personalidades destacadas do mundo acadêmico e empresarial, além de integrantes de think tanks, homens e mulheres de alto conceito, muitos dos quais estiveram em governos norte-americanos, tanto democratas quanto republicanos.

O texto do relatório abarca cerca de 80 páginas, se descontarmos as notas biográficas dos integrantes da comissão, o índice, agradecimentos etc. Nelas são analisados vários aspectos da economia, da evolução sociopolítica e do relacionamento externo do Brasil, com natural ênfase nas relações com os EUA. Vou ater-me aqui apenas àqueles aspectos que dizem respeito fundamentalmente ao nosso relacionamento internacional.
Logo na introdução, ao justificar a escolha do Brasil como foco do considerável
esforço de pesquisa e reflexão colocado no empreendimento, os autores assinalam:
“O Brasil é e será uma força integral na evolução de um mundo multipolar”.

E segue, no resumo das conclusões, que vêm detalhadas nos capítulos subsequentes:
“A Força Tarefa (em maiúscula no original) recomenda que os responsáveis pelas políticas (policy makers) dos Estados Unidos reconheçam a posição do Brasil como um ator global”.

Em virtude da ascensão do Brasil, os autores consideram que é preciso que os EUA alterem sua visão da região como um todo e busquem uma relação conosco que seja “mais ampla e mais madura”. Em recomendação dirigida aos dois países, pregam que a cooperação e “as inevitáveis discordâncias sejam tratadas com respeito e tolerância”.
Chegam mesmo a dizer, para provável espanto dos nossos “especialistas” – aqueles que são geralmente convocados pela grande mídia para “explicar” os fracassos da política externa brasileira dos últimos anos – que os EUA deverão ajustar-se (sic) a um Brasil mais afirmativo e independente.

Todos esses raciocínios e constatações desembocam em duas recomendações práticas. Por um lado, o relatório sugere que tanto no Departamento de Estado quanto no poderoso Conselho de Segurança Nacional se proceda a reformas institucionais que dêem mais foco ao Brasil, distinguindo-o do contexto regional.

Por outro (que surpresa para os céticos de plantão!), a força-tarefa “recomenda que a administração Obama endosse plenamente o Brasil como um membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas. É curioso notar que mesmo aqueles que expressaram uma opinião discordante e defenderam o apoio morno que Obama estendeu ao Brasil durante sua recente visita sentiram necessidade de justificar essa posição de uma forma peculiar.

Talvez de modo não totalmente sincero, mas de qualquer forma significativo (a hipocrisia, segundo a lição de La Rochefoucault, é a homenagem que o vício paga à virtude), alegam que seria necessária uma preparação prévia ao anúncio de apoio tanto junto a países da região quanto junto ao Congresso. Esse argumento foi, aliás, demolido por David Rothkopf na versão eletrônica da revista Foreign Policy um dia depois da divulgação do relatório. E o empenho em não parecerem meros espíritos de porco leva essas vozes discordantes a afirmar que “a ausência de uma preparação prévia adequada pode prejudicar o êxito do apoio norte-americano ao pleito do Brasil de um posto permanente (no Conselho de Segurança)”.

Seguem-se, ao longo do texto, comentários detalhados sobre a atuação do Brasil em foros multilaterais, da OMC à Conferência do Clima, passando pela criação da Unasul, com referências bem embasadas sobre o Ibas, o BRICS, iniciativas em relação à África e aos países árabes.

Mesmo em relação ao Oriente Médio, questão em que a força dos lobbies se faz sentir mesmo no mais independente dos think tanks, as reservas quanto à atuação do Brasil são apresentadas do ponto de vista de um suposto interesse em evitar diluir nossas credenciais para negociar outros itens da agenda internacional. Também nesse caso houve uma “opinião discordante”, que defendeu maior proatividade do Brasil na conturbada região.

Em resumo, mesmo assinalando algumas diferenças que o relatório recomenda sejam tratadas com respeito e tolerância, que abismo entre a visão dos insuspeitos membros da comissão do conselho norte-americanos - e aquela defendida por parte da nossa elite, que insiste em ver o Brasil como um país pequeno (ou, no máximo, para usar o conceito empregado por alguns especialistas, “médio”), que não deve se atrever a contrariar a superpotência remanescente ou se meter em assuntos que não são de sua alçada ou estão além da sua capacidade. Como se a Paz mundial não fosse do nosso interesse ou nada pudéssemos fazer para ajudar a mantê-la ou obtê-la."

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Uma homenagem imperdível a Chico Buarque

Todos devem ler esta resenha sobre Chico Buarque
e seu novo disco


Inacreditável!
Uma página inteira do Caderno 2 do Estadão de sábado, dia 23 de julho, só sobre Chico e seu novo disco. Um texto poético, analítico, que reconhece as virtudes de um grande poeta, compositor, escritor e brasileiro.E Arthur Nestrovski não é qualquer um. É diretor do OSESP – Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, compositor, violonista e escritor. Apesar da esquizofrenia política da nossa imprensa, há jornais que ainda valoriza a Cultura. O Estadão ainda mantém este mérito secular. Vou reproduzir abaixo somente uma parte do texto, mas divulgarei o endereço eletrônico para que todos baixem o texto e mostrem para seus amigos, colegas, alunos e familiares. É um texto histórico! Eu já tinha comprado o disco antes de ler o texto. O disco também é daqueles que marcam nossa vida. Só poesia, melodia e vontade de viver um grande amor, como dizia Vinícius.
Agora leia a introdução e depois copie tudo. Além de comprar o disco e curtir muito. É claro.

Um pouco de todos

Chico Buarque renova-se ao lançar disco
com um grande resumo de seus recursos


23 de julho de 2011 | 0h 00 - Arthur Nestrovski - O Estado de S.Paulo
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110723/not_imp748804,0.php


Não tenha pressa. A arte é longa e a vida é breve, essas canções vão durar pra sempre e nosso tempo é curto (como diz o narrador-personagem da faixa 3), mas por isso mesmo não pode haver meia hora melhor gasta do que essa, ouvindo cada história, cada pequeno romance, cada poema cantado, com a devida atenção.

Ouvir com atenção, por sinal, é o que as canções mais pedem; e era disso mesmo que falava Chico numa notória entrevista de 2004, sobre "o fim da canção". Na sequência, em 2006, o próprio Chico lançou o CD Carioca, que já bastaria para reforçar a aposta na canção como forma de arte brasileira.
Cinco anos e um romance (Leite Derramado) depois, Chico chega ao Chico; e dizer que ele chega a si não seria nada justo, depois de o Chico ser o Chico há tanto tempo. Mas o depuramento e ao mesmo tempo o virtuosismo, o controle e o puro prazer de escrever letra e música, e de cantar canções, chega aqui a um ponto que faz por merecer a simplicidade definitiva do próprio nome - um dos nomes mais comuns no Brasil, mas que há muito tempo, dito assim, solto, todo mundo sabe que só pode ser o Chico Buarque.

Ninguém como ele mesmo percebe melhor a diferença entre esse Chico público, um espírito da música e da poesia que hoje virou patrimônio coletivo, e o homem íntimo, que se confronta com o papel em branco a cada vez que vai escrever uma letra. O tema da duplicidade, somado à comédia ou farsa da celebrização, já era o grande assunto do romance Budapeste; e ganha agora outra versão em Rubato, parceria com o baixista Jorge Helder.

Rubato (italiano para roubado) é um termo técnico, uma indicação para tocar fora do pulso metronômico exato. A ironia já começa aí, porque nessa canção a melodia de mil ângulos imita ritmos imprevisíveis da fala, e só quem estiver bem a tempo será capaz de não perder o rumo expressivo do canto. Que o poeta também tenha sido capaz de achar uma sílaba precisa para cada nota constitui outra façanha. Mas a maior ironia se vai ver mesmo na letra.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

A vida de Vinícius é tão importante quanto sua música

Como se faz um grande amor – Vinicius de Moraes

Marcus Vinícius da Cruz de Melo Moraes nasceu no Rio de Janeiro RJ em 19 de Outubro de 1913. Filho de Clodoaldo, funcionário da prefeitura, poeta, violonista amador, e de Lídia, pianista também amadora. Em 1922, a família mudou- se para a ilha do Governador, menos ele, que deveria concluir o primário e ficou com os avos. Nas férias e nos fins-de-semana, ia para a casa dos pais, onde toda noite havia musica, com a presença do tio Henrique de Melo Moraes e do compositor Bororó, entre outros.

Em 1924 entrou para o Colégio Santo Inácio, em Botafogo, onde cantava no coro da igreja e montava pecinhas de teatro. Em 1927, cursando o ultimo ano ginasial tornou-se amigo dos irmãos Paulo e Haroldo Tapajós, e, juntos, formaram um conjunto que tocava em festinhas nas casas de amigos. Em sua fase inicial na musica popular, foi o letrista de dez musicas gravadas entre 1932 e 1933: sete em parceria com Haroldo Tapajós, duas com Paulo Tapajós e uma com o violonista J. Medina, esta gravada por Petra de Barros. Em 1933 terminou a faculdade de direito e o C.P.O.R., e publicou o primeiro livro – O caminho para a distância – pela Schmidt Editora, edição recolhida pelo autor.

Nessa época, era amigo de Manuel Bandeira, Oswald de Andrade e Mário de Andrade. Em 1935, seu livro Forma e exegese recebeu o prêmio Filipe d’Oliveira. Dois anos depois, ganhou bolsa do Conselho Britânico para estudar língua e literatura inglesas na Universidade de Oxford, e nesse ano publicou os Novos poemas. Com o inicio da Segunda Guerra Mundial, retornou ao Rio de Janeiro.

Em 1941 empregou-se como critico cinematográfico no jornal A Manhã, colaborando também em seu Suplemento Literário e na revista Clima, dirigida pelo critico literário Antônio Cândido. Ainda em 1941, conseguiu cargo burocrático no Instituto dos Bancários e, aconselhado por Osvaldo Aranha, começou a se preparar para prestar exame no Itamaraty, sendo aprovado em 1943

Em 1953 compôs o primeiro samba, Quando tu passas por mim (com Antônio Maria). Ainda nesse ano, seguiu para Paris, França, como segundo secretário da embaixada. Sua peça Orfeu da Conceição, premiada em 1954 no concurso de teatro do IV Centenário de São Paulo SP, foi publicada nesse ano na revista Anhembi.

Em 1955 publicou a Antologia poética e, com Cláudio Santoro, compôs algumas canções de câmara. No Brasil em 1956, resolveu montar Orfeu da Conceição, paralelamente a filmagem da peça, que o francês Marcel Camus dirigia. O cenarista da peça foi Oscar Niemeyer e a música ficou a cargo de um jovem pianista – Tom Jobim – quase desconhecido na época.

A peça estreou no dia 25 de setembro, no Teatro Municipal, do Rio de Janeiro. Pôs letra nas músicas de Tom Jobim Lamento do morro, Se todos fossem iguais a você, Um nome de mulher, Mulher, sempre mulher, Eu e o meu amor etc., lançadas logo em seguida em disco de dez polegadas, pela Odeon, com o cantor Roberto Paiva, o violonista Luís Bonfá e orquestra. No fim de 1956, retornou a Paris e, em 1957, lançou o Livro de sonetos.

Em 1958 Elizeth Cardoso lançou
, pela marca Festa, o LP Canções do amor demais, em que estavam incluídas composições suas em parceria com Tom Jobim: Luciana, Estrada branca, Canção do amor demais, Chega de saudade e Outra vez, sendo que, nas duas últimas, João Gilberto apresentava a batida de violão que caracterizaria o movimento musical da bossa nova.

No ano seguinte, Lenita Bruno lançou o LP Por toda a minha vida, também com músicas dos dois parceiros. Ainda em 1959, o filme Orfeu do Carnaval, baseado em Orfeu da Conceição, que incluía a composição A felicidade (com Tom Jobim), ganhou a palma de ouro no Festival de Cannes, França, e o Oscar de Hollywood, EUA, como melhor filme estrangeiro.

Outro importante parceiro foi Carlos Lyra, que conheceu em l961, ano em que fizeram juntos os sambas-canções Você e eu, Coisa mais linda, Primeira namorada e Nada como ter amor, entre outras, Em 1962, em parceria com Pixinguinha, fez a trilha sonora do filme Sol sobre a lama, de Alex Viany, lançado no ano seguinte. Também para esse filme, colocou letra em Lamento, antigo choro do novo parceiro.

Publicou livro de crônicas e poemas, Para viver um grande amor e, ainda em 1962, conheceu Baden Powell, em show da boate Arpège. Juntos compuseram grandes sucessos, como Samba da bênção, Só por amor, Canção de amor e paz, Pra que chorar, Deixa, Tem dó, Tempo feliz, Formosa, Apelo, Samba em prelúdio, Consolação e Berimbau.

Em agosto de 1962, ao lado de João Gilberto, Tom Jobim e de Os Cariocas, tomou parte em Encontro, na boate Au Bon Gourmet, show com produção de Aluísio de Oliveira, no qual foram lançados os êxitos Garota de Ipanema, Só danço samba, Insensatez, Ela é carioca e Samba do avião (todos com Tom Jobim), e Samba da bênção. Na mesma boate foi apresentada a peça Pobre menina rica (com Carlos Lyra), que lançou Nara Leão e as canções Sabe você, A primavera e Pau-de-arara.

Em 1963, novo parceiro: com Edu Lobo comporia, entre outras, Arrastão, Zambi e Canção do amanhecer. Designado para trabalhar na delegação do Brasil junto à UNESCO, em Paris, foi para a Europa, de onde voltou em 1964. Fez então parceria com Francis Hime, produzindo Eu te amo, amor, Saudade de amar e Sem mais adeus.

Com Dorival Caymmi, fez show na boate Zum-Zum, gravado em LP da Elenco, que foi um grande sucesso e lançou o Quarteto em Cy. No I FMPB, da TV Excelsior, de São Paulo, em 1965, Arrastão obteve o primeiro lugar, interpretada por Elis Regina, e Valsa do amor que não vem (com Baden Powell) ficou em segundo, defendida por Elizeth Cardoso. Trabalhou com o diretor Leon Hirszman no roteiro do filme Garota de Ipanema, e, com Dorival Caymmi, voltou a fazer o show na boate Zum-Zum. Participou, em 1966, do show Pois é (direção de Francis Hime), no Teatro Opinião, no Rio de Janeiro, ao lado de Maria Bethânia e Gilberto Gil, quando foram lançadas para o público carioca as musicas do compositor baiano.

Convidado para participar do júri do Festival de Cannes (França), descobriu que Samba da benção havia sido utilizado na trilha sonora do filme Um homem e uma mulher (de Claude Lelouch), vencedor do festival, sem que os autores fossem mencionados. Depois de. uma ameaça de processo, seu nome e o de Baden Powell passaram a constar da apresentação do filme.

Em 1967, após a estréia do filme Garota de Ipanema, no Rio de Janeiro, afastou-se um pouco das atividades musicais, organizando festival de arte em Ouro Preto MG. Em 1968 foi punido pelo Ato Institucional n.º 5 com aposentadoria compulsória do Itamaraty, depois de 26 anos de serviços prestados.

Também em 1968, participou de show em Lisboa, Portugal, ao lado de Chico Buarque e Nara Leão, e em Buenos Aires, Argentina, com Dorival Caymmi, Baden Powell, Quarteto em Cy e Oscar Castro-Neves. No ano seguinte, apresentou-se com Dori Caymmi e Maria Creusa em Punta del Este, Uruguai.
(Parte da Biografia: Enciclopédia da Música Brasileira-Art Editora e PubliFolha)


1968 - O ano que não ainda acabou – Apesar de cassado pelo AI-5, a vida cultural e artística de Vinícius continuou durante muitos anos, trazendo muita alegria para todos nós. Pena que ele não usufruiu em vida o fim da ditadura. Vinícius iria gostar muito de ver o Brasil de hoje. Onde o futuro chegou...

A ditadura passou, mas as poesias, os livros e as músicas de Vinícius não passarão.Fazem parte da História do Brasil.

Mostra fotográfica revela o Lula estadista e o homem do povo

Exposição pode ser visitada até o dia 18 de agosto de 2011

No Centro Cultural Fiesp - Ruth Cardoso - Aberta ao público




Mostra fotográfica LULA: recorte dos momentos históricos e representativos do ex-chefe de Estado no Brasil e no cenário internacional, e também em eventos na Fiesp

Há fotografias que apenas registram a história e outras que demonstram quem realmente faz a história. Foi esta a intenção da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) ao promover a exposição LULA: compor uma delicada leitura do ex-presidente que não mudou apenas sua trajetória pessoal – de Caetés, Pernambuco ao Palácio do Planalto –, mas teceu outro curso para o País.

Pelas lentes de Ricardo Stuckert, seu fotógrafo oficial, Luiz Inácio Lula da Silva não é visto apenas como ex-sindicalista, ex-metalúrgico, ex-presidente, mas sim como o eterno cidadão brasileiro.

A exposição, aberta ao público, reúne fotos coloridas e em preto e branco, um recorte dos momentos históricos e representativos do ex-chefe de Estado no Brasil e no cenário internacional, além de sua participação em eventos na Fiesp, entre eles, a entrega do título de presidente emérito da Fiesp ao vice José Alencar, em 2009.

O ex-presidente foi clicado junto a populares, recebendo o abraço de Nelson Mandela, acenando a Fidel Castro, comemorando, emocionado, a vitória da presidente Dilma Rousseff e ao lado do ex-presidente dos Estados Unidos, George Bush.

A mostra fotográfica integra a homenagem feita a Lula no último dia 18, na sede da Federação, pelo presidente Paulo Skaf e setores representativos da comunidade empresarial. Para Skaf, a exposição é uma forma de reviver grandes momentos e revelar quem é o ex-presidente, “uma pessoa simples, um cidadão e homem do povo”.

Serviço
Mostra fotográfica LULA
Período: Até 18 de agosto. De terça-feira a sábado, das 10h às 20h. Segunda-feira, das 11h às 20h. Domingo, das 10h às 19h. Entrada franca.
Local: hall do térreo inferior do edifício sede da Fiesp, à Av. Paulista, 1313 (em frente ao Metrô Trianon-Masp)
Ficha técnica: Com curadoria de Juca Varella e projeto expográfico de Haron Cohen, a Mostra reúne 54 fotos, algumas inéditas, a maioria de Ricardo Stuckert, fotógrafo oficial do ex-presidente. Também integram a exposição imagens do acervo da Fiesp.

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp - São Paulo - 20/07/2011

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Esta foto diz milhões de palavras


Anotícia é mérito do Estadão

Dona Canô é um símbolo da Bahia e do Brasil. Faz parte da história da nossa música porque os Tropicalistas, como todos os baianos, gostam de falar da família e da importância que as mães têm na formação cultural dos filhos. As baianas gostam de cantar e contar histórias...
Entre muitos méritos, Lula tem esta capacidade de reconhecer a importância das pessoas idosas. Ele sempre visitou os militantes antigos e sempre reconheceu a importância do apoio de Dona Canô à sua candidatura e ao seu governo.
Vida longa para ambos...

Lula visita Dona Canô, mãe de Caetano e Bethânia

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva visita Dona Canô, de 103 anos de idade, mãe dos cantores Caetano Veloso e Maria Bethânia, em Santo Amaro da Purificação, a 72 km de Salvador, no Recôncavo Baiano. Dona Canô, que é eleitora declarada de Lula, recebeu alta na última quinta-feira, 14, depois de passar uma semana internada em um hospital de Salvador, tratando uma traqueobronquite.

Em visita ao Hospital da Criança, de Feira de Santana (BA), 110 quilômetros a oeste de Salvador, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva evitou falar com a imprensa sobre a crise no Ministério dos Transportes, mas fez uma breve análise sobre o caso quando provocado sobre os cada vez mais frequentes afastamentos de funcionários do governo.
“(As demissões) podem chegar a 100, a mil, a 10 milhões”, disse o ex-presidente. “Só existe uma forma de a pessoa não ser investigada e não ser punida: não cometer erros. Se cometerem erros, serão punidas. Tenho certeza que a presidente Dilma (Rousseff) pensa como eu.”

Lula também falou que a visita à Bahia já integra um plano de viagens pelo País. “Depois, vou a Pernambuco, ao Ceará, a Sergipe… Vou conversar com o povo, porque ainda tem muita coisa a ser feita”, afirma. “Já me adaptei à nova vida, sinceramente desencarnei (da presidência) e vou começar a andar pelo Brasil. Sou um ajudante da presidente Dilma. Tenho plena convicção da competência dela.”

A passagem pelo Hospital da Criança foi feita porque o ex-presidente não compareceu à inauguração da unidade, em 26 de agosto do ano passado, apesar de ter prometido. “Eu tinha de ter vindo visitar este hospital, mas o tempo não estava bom para pousar aqui e eu não pude vir. Desta vez, pude conhecer.”
Antes da ida a Feira de Santana, Lula esteve em Santo Amaro, no Recôncavo Baiano, onde encontrou a matriarca da família Velloso, dona Canô. Depois de conhecer a unidade médica, o ex-presidente partiu para Salvador, onde se reúne com lideranças políticas da base de apoio ao governador Jaques Wagner (PT).

Em novembro de 2009, Dona Canô se disse chateada e constrangida com declarações de seu filho sobre Lula. Em entrevista ao ‘Estado’, Caetano disse considerar Lula ‘analfabeto e cafona’ e que por isso apoiaria Marina Silva na eleição de 2010. Após Dona Canô declararar que gostaria de se desculpar com o então presidente, o próprio Lula ligou para ela para dizer que não se preocupasse.
Estadão – 21/julho/2011

A imprensa, Dilma e Itamar Franco

Estão tentando transformar Dilma em Itamar Franco.

Vejam que coincidência, nós estávamos tomando o café da manhã, e minha esposa perguntou-me como estavam os jornais (Folha e Estadão) e eu respondi: Estão tentando transformar Dilma em Itamar Franco.

Para quem não se lembra, na época que Itamar Franco estava no governo, a imprensa o transformou em “laranja” de Fernando Henrique. Isto é, Itamar era um presidente fraco e problemático, e quem tomava conta da economia era Fernando Henrique, a Rede Globo e a grande mídia nacional e internacional.

Com Dilma, a imprensa está tentando dar mais um “golpe branco”, mas a imprensa nunca está sozinha. Em 64 a imprensa chamou os militares... No início do governo Dilma, o avalista era Palocci, não deu certo. Agora a imprensa tenta mostrar que “não temos governo, temos um governo fraco ou que ela terá o apoio da imprensa se se livrar de Lula”. Só falta achar o “Fernando Henrique” de Dilma. Ou “deixar Dilma sangrando até 2014”, como os tucanos tentaram fazer com Lula em 2005. O problema é que tem gente do nosso lado fazendo este jogo. Como tinha também em 2005. Só que naquela época o presidente era Lula...

Dilma, além da sua própria história de vida, tem o apoio da militância, dos eleitores, de parcela significativa dos empresários. Mas não pode ficar refém da imprensa, nem de assessores dúbios.

A jornalista abaixo é gente séria, não escreveu a matéria com a intenção acima, mas, como Shakespeare em Macbeth, ela abordou um assunto que está nos bastidores. Ou nas “forças ocultas”, como dizia Jânio Quadros.

Um ‘quê’ de Itamar no jeito Dilma de governar

Presidente avalia que errou na mão com Palocci
e tenta mandar mensagem para base

20 de julho de 2011 | 23h 00 - Vera Rosa, de O Estado de S.Paulo

Sem se importar com a fúria dos aliados do PR nem com a real possibilidade de troco em votações no Congresso, a presidente Dilma Rousseff não está disposta a segurar nenhum auxiliar, seja ele ministro ou secretário, que tenha o nome sob suspeição.

A advertência não é apenas para o Ministério dos Transportes. Dilma avalia que errou a mão no tempo de blindagem do então ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, e quer sinalizar para os subordinados da Esplanada que a política pode ser feita de outro jeito.
Palocci agonizou durante 24 dias, acusado de ter multiplicado seu patrimônio em 20 vezes, em quatro anos, de 2006 a 2010. No domingo, 5 de junho, 48 horas antes de Palocci cair, a presidente disse a ele, no Palácio da Alvorada: "Você deveria ter pedido licença da Casa Civil. Se tivesse feito isso, nada teria chegado a esse ponto".

O afastamento, ainda que temporário, é uma prática que Dilma pretende adotar, de agora em diante, sempre que perceber consistência nas denúncias.

Há um quê de Itamar Franco nesse estilo. Em novembro de 1993, o então presidente Itamar dispensou o chefe da Casa Civil, Henrique Hargreaves, acusado de desvio de dinheiro público durante as investigações da CPI do Orçamento. Inocentado, Hargreaves voltou ao Palácio do Planalto três meses depois.

Dilma não acha que foi precipitada ao ordenar as degolas no Ministério dos Transportes, no Departamento Nacional de Infraestrutura dos Transportes (Dnit) e na Valec, empresa que cuida das ferrovias, quando surgiram as primeiras acusações de superfaturamento de obras.

Estádio do Corinthians e Futebol

Corinthians pensa grande e joga bola

Depois das humilhações nas Libertadores e nos últimos campeonatos, talvez motivados pelo seu maior patrono, Luis Inácio Lula da Silva, a direção do clube tomou juízo e resolveu trabalhar para construir um estádio que será um novo marco turístico na nossa cidade. E todos querem participara da festa, inclusive o governo tucano. E além de trabalhar para viabilizar o estádio, o time também resolveu jogar bola.

Vejam estas matérias sobre o Itaquerão:

Um estádio com a cara da Fiel
11 de julho de 2011 - PAULO FAVERO – Estadão/Jornal da Tarde

Um estádio com a cara de sua torcida. É isso que pretende o Corinthians com a construção do Itaquerão. Tudo foi pensado levando-se em conta o perfil social dos fãs alvinegros e com a intenção de fazer o ingresso caro subsidiar o barato. Haverá setores populares, mas também espaços luxuosos para empresas e pessoas de alta renda, que poderão assistir a uma partida de futebol com todo requinte.
Dentro do planejamento de construção da arena, o Corinthians contratou uma empresa internacional, que mapeou o perfil de sua torcida. O documento mostrou que o clube é líder entre o público da classe A.

O material foi enviado para o escritório CDC Arquitetos, que fez o projeto do estádio. “Nós recebemos esse resultado e tivemos a noção exata de quantos lugares deveríamos oferecer para cada tipo de ingresso”, conta o arquiteto Anibal Coutinho.
O especialista conta que o Itaquerão foi pensado de forma a mostrar uma preocupação com o conforto do público presente e com a receita que pode gerar para o clube. “Teremos um setor popular, que é uma tendência contemporânea. Muitos estádios da Europa possuem isso. Nos Estados Unidos, partidas de beisebol contam com setores com ingressos a menos de US$ 10 (R$ 15,6). Então concentramos no lado oeste do estádio 13 mil lugares de setores mais caros, que viabilizam os outros 35 mil lugares”, diz.

Até o espaço das organizadas, atrás dos gols, foi projetado com a intenção de deixar o torcedor próximo do campo e ao mesmo tempo poder pressionar os times visitantes. “O lugar que a Gaviões e as outras uniformizadas do clube ficarão é excepcional. Só para se ter uma ideia, a distância das cadeiras para o campo é de sete metros na lateral e de nove metros no fundo”, explica o arquiteto, complementando. “O Corinthians briga para ter um lado luxuoso, para poder fazer o outro lado ficar mais barato. Vai tirar de quem pode.”

A ideia de fazer um estádio segmentado partiu do departamento de marketing do clube do Parque São Jorge. O diretor Luis Paulo Rosenberg sabe que a receita da nova arena será de suma importância não só para a manutenção do campo para 48 mil espectadores – na Copa de 2014 será de 65 mil, para receber a abertura, mas a capacidade será diminuída após o torneio – como para ajudar na contratação de reforços. E ele também entende que, se o Corinthians colocar ingressos muito caros, a Fiel vai fazer barulho.

Estado SP também paga por Itaquerão/Corinthians

No dia em que Kassab sanciona lei que concede isenção fiscal ao Corinthians, governo revela que bancará ampliação do estádio para 68 mil lugares.

21 de julho de 2011 | 0h 00 - Paulo Favero e Almir Leite - O Estado de S.Paulo

SÃO PAULO - Corinthians e Odebrecht vão construir, em Itaquera, um estádio para 48 mil pessoas - distante, portanto, dos 68 mil lugares exigidos pela Fifa para que a arena abrigue a cerimônia de abertura da Copa do Mundo de 2014.

Isso não significa que a cidade está fora da briga pelo cobiçado evento: o governador Geraldo Alckmin (PSDB) decidiu bancar, com dinheiro público, a diferença de 20 mil assentos que garantirá ao Estado a organização do primeiro jogo do Mundial.
A revelação foi feita ontem pelo diretor superintendente da empreiteira, Carlos Armando Paschoal. "Isso (a ampliação de 48 mil para 68 mil lugares) não está nos R$ 820 milhões (preço estipulado pela Odebrecht para a obra). Não está no nosso contrato. Será uma obra a ser contratada pelo governo de São Paulo".
Segundo a empresa, o custo da instalação (e posterior remoção) dos assentos adicionais não custará menos de R$ 70 milhões.

Emanuel Fernandes, secretário estadual de Planejamento e Desenvolvimento Regional e coordenador do Comitê Paulista, confirmou o envolvimento do poder público na execução da obra - mas defende que se trata de um "apoio".
"Isso já acontece hoje. Eventos como a Fórmula 1 contam com o apoio logístico das esferas de governo, inclusive com a montagem de estruturas provisórias no autódromo. O mesmo vai ocorrer com a abertura da Copa, pois teremos um grande retorno com a exposição positiva da cidade e do Estado para o mundo inteiro", afirmou.

Para Fernandes, o caráter provisório da estrutura a ser usada em Itaquera justifica a participação financeira do Estado.
"O que o Estado vai fazer é dar apoio logístico ao evento de abertura da Copa e não ao estádio do Corinthians. Após a realização dos jogos, essa estrutura será retirada. Nenhum parafuso ficará com o Corinthians", explicou Fernandes, que disse que o governo estuda alugar a estrutura por "ser mais barato".

Se fosse FHC a imprensa daria capa

Lula, o presidente de diversos Brasis, é homenageado na Fiesp

Vejam abaixo o Boletim da Fiesp, Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, divulgando a Homenagem oferecida a LULA. Nossa "grande imprensa" é tão cínica que escondeu a noticia. Sé deu notinhas... Se fosse FHC ela daria capas e capas. É aquela estória, um faz e o outro simula que faz...

Vale a pena ler a mensagem:

Para Paulo Skaf, Lula fez diferença para o Brasil:
"Foi o presidente que mais valorizou o setor produtivo"

Pelo reconhecimento às ações em seu governo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi homenageado na noite desta segunda-feira (18) por aproximadamente 200 representantes do setor produtivo, em jantar reservado na Fiesp.

Um pouco antes, Paulo Skaf, presidente da entidade, surpreendeu Lula com a abertura da exposição fotográfica em sua homenagem, no Centro Cultural Fiesp - Ruth Cardoso: Mostra fotográfica Lula.

A foto que mais sensibilizou o ex-presidente foi na qual ele aparece batendo bola com a camiseta do Corinthians: “Esta é a melhor”, disse orgulhoso, convicto de que ali estava mais uma nação dos diversos Brasis existentes. (leia mais abaixo).

"Durante a campanha à Presidência da República, Lula falava na criação de 10 milhões de empregos no Brasil. Acreditávamos que era ‘conversa de candidato’, que isso seria impossível, mas ele gerou 15 milhões de vagas, tirou 26 milhões de pessoas da miséria e elevou 39 milhões de brasileiros à classe C", disse Skaf.

Lula colocou o Brasil no centro do cenário internacional, lembrou o presidente da Fiesp. “Foi o estadista que correu mundo, como um caixeiro viajante”, brincou. “Aqui [na Fiesp], Lula recebeu duas dezenas de chefes de Estado, valorizando o setor produtivo, e fomos convidados para liderar diversas missões internacionais. O presidente Lula fez diferença para o Brasil”, enfatizou.

Emocionado com a homenagem, Lula reforçou o valor da construção do consenso entre um chefe de Estado e a sociedade brasileira, incluindo os setores organizados e o empresarial: “Foi uma lição de vida”, declarou referindo-se aos seus oito anos de mandato.

Para Lula, na economia não há mágica. "Esse consenso foi baseado na diversidade. Tivemos divergência e temos que ter, pois agimos de modo civilizado para construir o mundo de hoje.” Mas cutucou a dinâmica complexa da política, pois cansou de ouvir sobre a necessária reforma da política tributária: “Mandei duas propostas para o Congresso Nacional e elas estão lá, intactas”.

Bem humorado, o ex-presidente reforçou sua confiança no governo Dilma Rousseff e também na Seleção brasileira: “Na Copa de 2014, nossa meninada vai aprender a bater o pênalti”, finalizou, sobre a eliminação do Brasil na Copa América.

Também integraram a homenagem os ex-ministros Delfim Netto, Celso Amorim, Miguel Jorge, Patrus Ananias, Roberto Rodrigues e o ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, além do empresário Josué Gomes da Silva.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Cemitérios Vivos e Praças Mortas

O trânsito lento ajuda a ver nossa cidade

Hoje observei que de casa até o centro eu passo por três cemitérios e três praças. O curioso é que, enquanto os cemitérios são floridos, cheios de árvores e bem cuidados, as praças não têm flores, as árvores são poucas e nem sempre estão bem cuidadas.

O primeiro cemitério é do lado direito da Av. Dr. Arnaldo, eu acho que é um cemitério protestante. Não vejo placa de identificação, mas vejo muitas árvores e muitas flores. Ali os mortos devem descansar em paz.

O segundo cemitério é do lado esquerdo da Av. Dr. Arnaldo, imenso, cheio de Ipês Rosa, cheio de árvores e estátuas, verdadeiros monumentos em cada sepultura. Este cemitério está em frente à Faculdade de Medicina da USP, outro monumento histórico da nossa cidade. Um cuida dos mortos, o outro cuida da vida.

O terceiro cemitério é o da Rua Consolação, mais árvores, mais Ipês-Rosa, mais monumentos. Este cemitério também é muito grande, e com certeza, é uma reserva ecológica, um pulmão para nossa cidade. Estes dois cemitérios, mesmo sendo cemitérios de ricos, também devem propiciar um bom descanso para os mortos que ali foram enterrados. Afinal, ser enterrado em lugar bonito faz bem para os mortos e para os vivos!

Aí aparece a primeira praça, a Praça Roosevelt, em demolição, sem árvores, as árvores existentes são da Igreja da Consolação, não da praça. Eu morei em frente a esta praça, quando cheguei em São Paulo, em 1970. Era uma praça de “arquitetura moderna”, já sem árvores. Embora esteja num ambiente artístico, antigamente tinha o Cine Bijou com filmes maravilhosos, faltavam as árvores.

A segunda praça é a Dom José Gaspar, onde o que se destaca é a Biblioteca Mário de Andrade e moradores de rua. Nesta praça também tem árvores, mas elas ficam depois do prédio da biblioteca. As poucas que aparecem não estão floridas...

A terceira praça
é a Ramos de Azevedo. Além de ter que tomar o maior cuidado com os ônibus, quando olhamos para os lados temos dois monumentos. À direita tem o Viaduto do Chá e a área verde da praça bem cuidada pelo Grupo Votorantim. É uma área muito bonita e tem flores. À Esquerda está o também centenário Teatro Municipal. Aí não tem verde nenhum. Nem um pé de nada, nenhuma flor. Acho que os arquitetos que cuidam do teatro não gostam de flores. Já pesquisei como era o entorno do teatro quando foi construído e há fotos mostrando que ali era uma colina com o teatro em destaque e com verde e flores. Depois os prefeitos demolidores autorizavam a construir o Mappim e muitos outros prédios enormes e sem verde. Hoje, nesta área resta apenas um teatro árido e seu brilho musical mudou-se para a Sala São Paulo.

Ainda bem que perto de casa nós temos duas praças: a dos jovens, que é a Praça do Por-do-Sol, e a nossa, dos velhos, que é cheia de árvores e sem monumentos artísticos tomando o lugar das flores. Eu não sei o nome oficial desta praça, eu prefiro chamá-la de “a praça dos velhos”. Nela nós caminhamos para manter a saúde e o convívio com a Natureza.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Sinais dos Tempos: Murdoch, Iraque e...

Na guerra, a primeira vítima é a verdade

Países que foram referências importantes agora estão em crise. A Inglaterra mostra suas veias abertas com espionagens, manipulações de informações, policiais corruptos e imprensa sendo denunciada. Os Estados Unidos invadiram o Iraque e não sabem como sair de lá, alongando uma crise moral que virou também crise econômica. Os demais países da Europa passam um período de agonia por terem preferido apoiar os bancos e não se precaverem com suas dívidas aos próprios bancos.

Nas disputas econômicas internacionais, no jogo político e na disputa de mercado também a verdade está sempre correndo risco. Afinal, o que é a verdade? Há a verdade de quem ganhou, a verdade de quem perdeu, e a verdade de quem ver de fora.
A crise do início do Século XX levou à primeira guerra mundial e depois à segunda. Não sabemos como os conflitos começam nem como terminam. Só sabemos depois que eles acabam...

O Brasil faz parte deste mundo. Aqui a crise é mais moral do que econômica. É preciso fazer uma revisão geral nas leis que regulamentam a vida política, o judiciário, a imprensa, o sistema de segurança e as políticas públicas. Vivemos uma crise de hegemonia. Não só no Brasil, mas em todo mundo. São os sinais dos tempos...

Vejam o bom texto sobre a Crise da Imprensa Britânica, que é também uma crise de governo. O sistema de governo britânico está ficando tão desmoralizado quanto ficaram os Estados Unidos na época de Bush.

A queda rápida da guilhotina

19 de julho de 2011 - Gilles Lapouge - O Estado de S.Paulo

O escândalo Murdoch está se revelando um caso excepcional. Mal nasceu e já tem uma série de ramificações. Avança a uma velocidade avassaladora, com revelações em cascata e demissões de personagens intocáveis. Trata-se de um escândalo colossal. No início, dizia respeito à imprensa e aos estranhos jornalistas do império Murdoch, de preferência os que atuam naquela dita imprensa marrom, do tipo do News of the World, que foi fechado rapidamente.
Imediatamente, outras áreas foram atingidas pela onda de choque: em primeiro lugar, os meios políticos nos seus mais altos níveis, a começar pelo primeiro-ministro David Cameron, que estava ligado a Murdoch. Essas ligações entre Murdoch e Cameron evidentemente caíram do céu para o novo líder do opositor Partido Trabalhista, Ed Miliband, que até então tinha dificuldade para se impor. Por fim, além do círculo político, também foi atingida a polícia, o coração da Scotland Yard.

O fato mais surpreendente e significativo é que as pessoas atingidas pela onda nauseabunda do escândalo não opõem uma longa resistência. Elas caem como pinos de boliche. Comumente, nestes casos, os suspeitos defendem-se com unhas e dentes, resistem semanas, meses ou anos, antes de afundar. No caso Murdoch, as sanções caem como uma lâmina sobre a nuca de um guilhotinado e no mesmo instante.
É o caso da ex-diretora do News International, a implacável, exuberante e temida Rebekah Brooks. Na sexta-feira, ela teve de se demitir do cargo, sob suspeita de "corrupção". No domingo, foi presa e logo depois liberada.

O mais espantoso é que o chefe da Scotland Yard, Sir Paul Stephenson, anunciou sua demissão no domingo, chorando. Seu pecado foi ter como assessor na área de comunicações um sujeito chamado Neil Wallis, ex-redator-chefe assistente do News of the World. Ao mesmo tempo, fomos informados de que o chefe da Scotland Yard, teve a felicidade, quando convalescente, de se hospedar gratuitamente com a mulher num dos spas mais luxuosos do país, cuja promoção era uma das tarefas do mesmo Wallis. A rapidez dos que se lançaram à caça nos leva a pensar que, na realidade, o dossiê montado contra o tentacular Murdoch é pesado e praticamente indefensável.

Há uma terceira característica que confere ao escândalo Murdoch um estilo ao mesmo tempo universal e simbólico: estamos diante de uma família enorme e terrível, uma família que está certamente unida, por um objetivo comum (dinheiro, conquista do poder, dominação etc...), e também, dividida entre os diferentes ramos do "clã", menos dedicados à ternura e ao amor da família do que a ódios mortais suscitados pela ganância e ciúme.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Se cada um cultivar uma flor...

Teremos milhões de flores

De tanto observar os Ipês-Rosa, descobri que suas flores estão caindo. Estava fotografando os Ipês perto de casa e, enquanto os focava, fui vendo as flores caindo. Fiquei assustado e pensei: E se as flores acabarem? Que seria da vida humana sem as flores? Lembram da rosa de Hiroshima? Hiroshima com a bomba e sem a rosa?
Mas, ao olhar em volta do pé de Ipê, descobri que existiam outras flores e voltei a ficar contente. Sempre podemos ter flores, é só cultivá-las. Mas cultivar uma flor, é como ter um amigo, um animal de estimação, ou até um filho. Cultivar significa ter vínculo, ter compromisso, ser responsável por. E aí resolvi mostrar os pés de Ipês de perto de casa, mas também mostrar algumas flores que temos em casa.


Este bonito pé de Ipê é no jardim de uma casa perto da padaria onde eu comprei o disco de Chico Buarque.


Este outro pé de Ipê, está no jardim do Colégio Santa Clara, uma das escolas que abordei ao falar da Festa de São João. Vejam que perto do pé de Ipê, está a estátua de Santa Clara.



Estas bonitas florzinhas são nos jardins de casa. Uma nós chamamos de mariazinha e a outra, tão bonita e pequena, eu não me lembro do nome.


Há anos estamos cultivando um pé de Jasmim. Ele ainda não deu flor, mas os botões estão crescendo e a qualquer hora as flores aparecerão. Serão centenas, talvez milhares de flores.

Mas não adianta minha casa ter milhares de flores e as outras milhares de casas e apartamentos não terem flores. Se cada casa tiver ao menos uma flor, nossas cidades serão verdadeiros jardins. E os prefeitos destruidores passarão, mas as flores estarão presentes para continuar a lembrar as pessoas que a Terra é de todos, inclusive das plantas.

E como disse Exupery:
“Le petit prince traversa le désert et ne rencontra qu’une fleur. Une fleur à trois pétales, une fleur de rien du tout...
- Bonjuour, dit le petit prince.
- Bonjour, dit la fleur.
- Oú sont les homes? Demanda poliment le petit prince.
La fleur, un jour, avait vu passer une caravane:
- Les homes? Il en existe, je crois, six ou sept… “

sexta-feira, 15 de julho de 2011

As Cisternas do Comitê Betinho e de Zé Roberto

Zé Roberto e um Comitê contra a fome, a seca e a indiferença...

A Folha Bancária, jornal do Sindicato dos Bancários de SP desta semana, fez uma boa matéria sobre “As cisternas do Comitê Betinho”, que eu reproduzo quase na íntegra. Tive que reproduzir uma parte, porque acho importante fazer um depoimento sobre o trabalho de Zé Roberto. Falar em Comitê Betinho, falar em Cisternas para o Nordeste, tem que falar também de Zé Roberto, uma pessoa que faz a diferença. Eu o conheço desde 1978. Quando ainda não dirigíamos o Sindicato. Ainda era tempo da ditadura.

Em 1979, quando ganhamos as eleições e assumimos o Sindicato, Zé Roberto e um pequeno grupo de bancários, ajudou-me a organizar o trabalho sindical com os bancários da noite. Aqueles que trabalham na compensação, nos malotes e no transporte de valores. Na época eram mais de 10 mil bancários. Fazíamos um Jornal da Noite onde publicávamos as denuncias contra as condições de trabalho na noite. Zé Roberto sempre foi um trabalhador da primeira hora. Nunca quis ser diretor do sindicato. Sempre quis ser um bom militante. O sindicato voltou a ter importância, as greves históricas aconteceram e sempre Zé Roberto estava ajudando, como um modelo de vida.

Quando Betinho, irmão de Henfil, fez o chamamento para a Campanha contra a fome, Zé Roberto procurou-me e disse que era importante organizar um Comitê no Banespa e nos demais bancos. Ele fez a sua parte e o Comitê Betinho entrou para a história. Hoje, todo mundo que participou da campanha contra fome, de Betinho, também conhece o Comitê Betinho, nome dado somente depois da morte de Betinho.

Ao publicar a reportagem na Folha Bancária, além de praticar cidadania, o jornal e o Sindicato prestam uma justa homenagem a este grande companheiro: Zé Roberto do Banespa e do Comitê Betinho.

As Cisternas do Comitê Betinho




Quando a grande seca de 1998 assolou o Nordeste, mobilizando vôos da Força Área Brasileira no socorro aos sertanejos, muita gente chorou diante da tevê com os noticiários narrando o drama dos nordestinos.
Mas um grupo de funcionários voluntários do Banespa fez diferente, preferiu agir. Foi assim, um ano depois da morte de Herbert de Souza (Betinho), sociólogo que se destacou no combate a fome, que começou a atuação do Comitê Betinho Nordeste.
De acordo com José Roberto Vieira Barboza, presidente do Comitê, foram instaladas 197 cisternas pela região, beneficiando mais de mil pessoas. “Acho que a solidariedade é uma marca dos bancários, que acompanha a proposta do Sindicato em ter uma atuação voltada para a comunidade e uma demonstração do espírito de cidadania. Num mundo de tantas desigualdades a gente não pode ser corporativista.”

A construção das cisternas custa, em média, R$ 1,6 mil reais. O preço inclui, segundo José Roberto, capacitação e sensibilização das famílias para a adoção da tecnologia de captação da água de chuva, além de visitas de monitoramento. A construção é feita pela própria comunidade por intermédio da ação da organização não-governamental Cáritas Brasileira.

Solidariedade – O Comitê Betinho iniciou suas atividades em novembro de 1993, inspirado na Ação da Cidadania contra a Fome, a Miséria e Pela Vida, iniciativa do sociólogo Betinho. Desde então, com o apoio mensal de cerca de mil aposentados do Banespa e funcionários do Santander, o Comitê mantém uma rede de ações que inclui construção de brinquedotecas, programas de capacitação profissional e geração de renda. “No início, os bancários doavam seus tíquetes alimentação que eram transformados em cestas básicas”, diz José Roberto, explicando que as próximas cisternas receberão uma homenagem. “Vamos batizá-las com os nomes de Dom Helder Câmara, Betinho e Josué de Castro, geógrafo e precursor do combate a fome no país.”
O Comitê aceita doações. Mais informações no www.comitebetinho.org.br.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

O desafio de ser referência

Uma boa mensagem para todos

“Nos próximos dias 13 e 14 de julho acontecerá o Encontro entre Líderes 2011. O evento será em São Paulo e reunirá mais de 13.000 gestores do Itaú Unibanco para debaterem sobre temas importantes como meritocracia e eficiência.
Este é o segundo ano do Encontro. No evento do ano passado foi lançado o Nosso Jeito de Fazer e apresentada a Visão do banco. De lá pra cá, a prática das atitudes da nossa cultura interna tem sido uma busca constante em nosso dia a dia.
Ser referência, dentro e fora do Itaú Unibanco, é desafio de todos. E por isso, para este Encontro entre Líderes, Pedro Moreira Salles e Roberto Setubal apresentarão um panorama de como evoluímos em termos de performance sustentável e eficiência, além de trazer a definição de meritocracia para o Itaú Unibanco, seus princípios e objetivos para o próximo período.”

A mensagem acima foi enviada para todos os funcionários do Itau Unibanco, ou colaboradores. No dia 12 também saiu uma matéria mostrando que o presidente do Itau Unibanco foi escolhido como “Banqueiro do Ano”, pela Revista Euromoney, uma das mais importantes publicações do mundo financeiro. Um dos aspectos mais importante para ser escolhido é a TRANSPARÊNCIA da empresa e da pessoa que está sendo escolhida. E, em seu discurso, Roberto Setúbal fez questão de compartilhar essa conquista com todos os “colaboradores” do banco. Parabéns!

Em 22 de junho, incluí um texto sobre as demissões no Itau Unibanco, na mensagem “Construção, Desconstrução e Reconstrução”:
– Itaú, o banco brasileiro foi o vencedor do prêmio do jornal britânico Financial Times e do Banco Mundial, como o Banco mais sustentável. Parabéns! Mais do que isto, é sabido que no Brasil atual, o Itaú é o melhor banco para seus clientes, e o mais lucrativo para seus acionistas. Era também um dos melhores lugares para se trabalhar. Tem a melhor campanha de marketing externa e interna do Brasil. Enfim, o Itau é uma marca internacional de referência.

Credibilidade, Confiança, Transparência, Sustentabilidade, Respeito. Palavras maravilhosas do mundo moderno e que valem para o passado, o presente e o futuro. Estas palavras somadas às famosas palavras símbolos da Revolução Francesa: “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”, representam a essência da Democracia Moderna, pós guerra-fria, pós fim do bloco soviético e pós fim da hegemonia absoluta dos americanos.
Mas o Financial Times e o Banco Mundial esqueceram-se que por trás das empresas, dos governos, dos exércitos e das máquinas, NÓS TEMOS PESSOAS!

O Itaú cresceu e hoje ganha um bilhão de lucro por mês. Isto mesmo, em 2011 o Banco Itaú lucrará 13 bilhões de reais! Graças ao acerto de seus gestores, à política econômica do governo Lula, aos seus funcionários e clientes. Mas, em 2011, em apenas dois meses o Itaú já demitiu mais de 1200 funcionários. Sem a menor consideração e respeito. Os encarregados demitem seus subordinados dizendo que, mesmo nos casos de mais de vinte anos de trabalho, estes funcionários não servem mais para o banco, que o banco não é instituição de caridade, etc. Isto é, falta de apreço, consideração, falta de Respeito!
O Banco poderia fazer uma entrevista mais respeitosa, explicar o porque da mudança da política do banco, pagar alguns salários a mais, ajudá-los na realocação e garantir um período de assistência médica. Por que não faz isto?
Investiram tanto na construção da imagem do banco!

Hoje, dia 14 de Julho, mesmo dia da Revolução Francesa – 14/07/1789.
A vida dos trabalhadores e camponeses era de extrema miséria, portanto, desejavam melhorias na qualidade de vida e de trabalho.

A situação social era tão grave e o nível de insatisfação popular tão grande que o povo foi às ruas com o objetivo de tomar o poder e arrancar do governo a monarquia comandada pelo rei Luis XVI. O primeiro alvo dos revolucionários foi a Bastilha. A Queda da Bastilha em 14/07/1789 marca o início do processo revolucionário, pois a prisão política era o símbolo da monarquia francesa.
O lema dos revolucionários era "Liberdade, Igualdade e Fraternidade", pois ele resumia muito bem os desejos do terceiro estado francês.
Durante o processo revolucionário, grande parte da nobreza deixou a França, porém a família real foi capturada enquanto tentava fugir do país. Presos, os integrantes da monarquia, entre eles o rei Luis XVI e sua esposa Maria Antonieta foram guilhotinados em 1793. O clero também não saiu impune, pois os bens da Igreja foram confiscados durante a revolução.
No mês de agosto de 1789, a Assembléia Constituinte cancelou todos os direitos feudais que existiam e promulgou a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. Este importante documento trazia significativos avanços sociais, garantindo direitos iguais aos cidadãos, além de maior participação política para o povo.


Hoje é dia do Itau nos jornais e
“Para comemorar com você, hoje, o jornal sai com a nossa cor”
(e a cor do Financial Times)…

Quando abri a Folha de SP pela manhã, fiquei surpreso, a Folha agora estava imitando o Financial Times no caderno econômico Mercado, depois vi que era tudo articulado com a propagando do Itau... Bem criativo, mas o custo é uma grana pesada. Mas o Itau tem lucro de um bilhão por mês, tem muito dinheiro para gastar.
Depois vi também que o caderno de econômico do Estadão também imitava a cor do Financial Times e tinha a propaganda do Itau. Era mais dinheiro ainda... Este banco é poderoso!
E a mensagem central do Itau nos jornais diz:
“Ser sustentável é ser transparente. É valorizar a as relações duradouras, é promover o uso consciente do dinheiro, é crescer ouvindo todos os que se relacionam com a gente e mudar sempre para ser um banco cada vez melhor para você. É incentivar o desenvolvimento das pessoas e do país, mas não a qualquer custo. Pode se orgulhar. O banco mais sustentável do mundo é nosso. É brasileiro. É o Itau. O mundo muda, o Itau muda para você.”

Eu também me orgulho do Itau.
Mas, se o mundo muda e o Itau também muda, faço um apelo para o banco mudar e considerar mais os seus “colaboradores” e funcionários na hora de demiti-los... Eles também fazem parte da história e dos méritos do Itau.
Um banco que é feito para todos nós, inclusive os funcionários e colabores.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Destruir é fácil

Construir dá trabalho - Viva o Olhar Local de Crédito e Capacitação!

Terça-feira,dia 12,eu, Luis Claudio Marcolino e Ana Carolina, acordamos às 4:30hs para irmos para Brasilia, fazer reunião com o diretor do Departamento de Planejamento e Ordenamento da Aquicultura, do Ministério da Pesca, Sr. Luiz Oswaldo, para discutir projetos de piscicultura para Zona Sul da Cidade de São Paulo e para Região de Registro, no Estado de São Paulo. Além de trocar experiências sobre este trabalho no Brasil, havia nossa preocupação em ampliar a piscicultura no estado de São Paulo. As escolas querem comprar mais peixe para a merenda escolar, a população cada vez mais come peixe, havendo um aumento de 40% na produção de peixes no Brasil. Este trabalho de organização de cooperativas de criadores de peixes em tanques tem mostrado grandes resultados e São Paulo pode ajudar mais ainda pela sua dimensão populacional, de consumo e de produção.

Chegamos em São Paulo à noite, fomos correr atrás dos preparativos para as inaugurações de três unidades de Olhar Local Crédito, Capacitação e Desenvolvimento dos Moradores e Empreendedores de três bairros da Zona Sul, que representam quase 200 mil habitantes. Jardim Varginha, Vila Natal e Vargem Grande, todos bairros grandes, importantes, com muito comércio, muita gente que trabalha, tem renda, mas não tem Agências Bancárias para pagar as contas, para sacar dinheiro nem pegar dinheiro emprestado... São excluídos do sistema financeiro, moram na mais rica cidade do país, mas não tem agência bancária. Não tinham...


Flavio, presidente da Bancred, e Sr. Dermeval, pedreiro e presidente da Associação dos Moradores de Jardim Varginha, preparando o imóvel para a inauguração do Olhar Local - Crédito e Capacitação de Jardim Varginha. Primeira "agência bancária" da comunidade de mais de 40 mil habitantes.

Hoje, quarta-feira, dia 13 de julho, com a presença do Vice-Presidente do Banco do Brasil, Robson Rocha, com representantes do DRS-BB, Desenvolvimento Regional Sustentável do Banco do Brasil nacional e estadual, representante do diretor local do BB, deputados, vereadores e dezenas de líderes comunitários, nós inauguramos as novas dependências do Olhar Local Crédito e Capacitação. Agora estas comunidades tem como pagar suas contas, abrirem contas correntes no BB, fazerem aplicações, poupança e empréstimos. Passaram a ser brasileiros iguais a maioria que mora nas cidades grandes. É mais um resultado do governo Lula e Dilma: o povão passa a ser classe média e passa a ser cidadão brasileiro.

Tudo isto com muito respeito à população local. Os funcionários são todos moradores de seus bairros, treinados para atenderem bem à sua população. Não são qualquer correspondente bancários, são funcionários da Bancred, remunerados e com direitos que a grande maioria dos correspondentes bancários não tem. Com isto, queremos mostrar as banqueiros, ao Banco Central e ao próprio governo, que é possível fazer um Correspondente Bancários que se respeite à população, os trabalhadores, os direitos sociais e que gere trabalho e renda para a comunidade, e que os bancos ainda ganhem direito com isto. Sem ganância, mas com responsabilidade social.

Esta experiência piloto do Sindicato dos Bancarios de São Paulo, Bancred, Banco do Brasil e as Comunidades, pode servir de modelo tanto para São Paulo, como para todos o Brasil. Destruir é fácil, como nossa imprensa vive fazendo em relação a tudo que o governo faz, mas construir condições de melhoria de vida, de forma participativa com a população, dá trabalho, é muito mais difícil, mas nos engrandece muito quando vemos os resultados.

Como disse uma senhora, já velhinha, na inauguração de Vargem Grande: Deus me deu saúde e vida, para, depois de vinte e cinco anos morando em Vargem Grande, ver uma agência bancária na comunidade, e ser inaugurada com a presença de tanta lideranças locais, sindicalistas, vereadores, deputados e até o Vice-presidente do Banco do Brasil. É um novo Brasil, é o Brasil do futuro que chegou também para os pobres e esquecidos.

Assim, aos poucos, o Brasil vai passando a ser de todos, com todos e para todos. Isto é Democracia Participativa.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Clovis Rossi e “O Homem que Amava as Mulheres”

Vejam as coincidências da vida!

Neste domingo, dia 10, cedo li a despedida de Clovis Rossi, como colunista da página dois da Folha, e à tarde, fui com a esposa assistir ao filme “Serge Gainsbourg – O Homem que Amava as Mulheres”.

Fiquei o dia sentindo-me na obrigação de reproduzir a despedida de Clovis Rossi e pensando na reação de muitos amigos que atualmente odeiam à Folha de São Paulo. Para nós, os velhos,que enfrentamos a ditadura brasileira e vimos os Estados Unidos fazerem o golpe militar no Chile e em tantos países da América Latina, jornalistas como Clovis Rossi, Heródoto Barbeiro e Ricardo Kotscho são símbolos da resistência e da imprensa solidária. Os jovens já não os vêem assim. Mas, para nós, eles são ícones, verdadeiros símbolos.

Com estes conflitos na cabeça, convidei minha esposa para almoçar no Nello’s, o tradicional restaurante italiano que freqüentamos desde 1983, e para pegar um filme leve, à tarde. Escolhi um filme que era uma retrospectiva de um músico, desde a ocupação nazista da França. Mas eu não lembrava quem era Serge Gainsbourg.

No cinema, um casal mais velho do que nós, que já estamos quase nos sessenta, imagino que eles estão nos setenta, sentou-se ao nosso lado. Se eles estão nos setenta, eles eram jovens na década de sessenta. Viveram a época dos Beatles e dos Rolling Stones. Viveram os Hippies, a guerra do Vietnã e os golpes militares. Eles viveram os sonhos, perderam a liberdade e a conquistaram de volta, mais velhos e sem os mesmos sonhos.

É um filme bonito, boas fotografias, boas imagens, boas músicas e lindas mulheres. E minha mulher, que não gosta que pessoas conversem durante o filme, começou a prestar atenção ao casal do lado, porque o senhor sempre conhecia as personagens, as artistas, ele também conhecia todas as músicas e todos os casos. Ele comentava com a esposa dele e minha mulher não reclamava. Aprendia junto com o filme.

É um bom filme! Ajudou-me a ter certeza de que eu deveria divulgar a despedida de Clovis Rossi. Os jovens, há, os jovens precisam ser mais tolerantes com os velhos! Eu continuo gostando de Clovis Rossi, mesmo ele nunca tendo escrito nenhuma avaliação crítica da Folha.

Pessoas como Clovis Rossi nos ajudaram a sonhar e a realizar novos sonhos, mesmo que não sejam os mesmos sonhos do casal sentado ao nosso lado no cinema. Eu já falei para Clovis Rossi escrever um livro sobre suas histórias, para no futuro os jovens fazerem um bom filme sobre nossos velhos e bons militantes.

Segue o texto do nosso velho amigo Clovis Rossi.


“Confissões de despedida

Despeço-me hoje (10 de julho) deste espaço, que ocupei (indevidamente) durante 24 anos. Devo ter produzido, só para esta página, algo em torno de 7.000 textos.
Portanto, tudo o que gostaria de escrever, tudo o que deveria e até o que não deveria foi escrito e devidamente publicado, sem qualquer tipo de censura ou de advertência velada ou aberta.
Mudo-me definitivamente para o caderno Mundo, no qual já tenho um espaço semanal. Agora, passarão a ser três, às terças, quintas e domingos, numa companhia que até me assusta, de tão ilustre.
Se eu fosse um veterano jogador de futebol que regressasse de longa temporada no exterior para um clube popular, diria que estou realizando um sonho de infância. Só não é bem assim porque nunca sonhei sonhos profissionais. Nada planejei como jornalista. Fui aceitando cada um dos desafios que surgiram com o mesmo entusiasmo, porque sempre gostei do que faço, ou porque gosto mesmo ou porque não sei fazer outra coisa.
De todo modo, nunca escondi meu fascínio com o mundo, adquirido quando da revolta húngara contra a ocupação soviética, em 1956. Tinha 13 anos, idade mais própria para ler quadrinhos, futebol ou revistinhas de sacanagem do que o noticiário internacional dos jornalões.
Esse fascínio até que pôde se transformar em atividade profissional porque já estou fazendo 38 anos de coberturas internacionais, a começar do golpe no Chile em 1973. Mas sempre com um pé também no Brasil, às vezes em postos de chefia (no "Estadão").
Agora, é voo solo em águas internacionais, justamente na hora de turbulências várias, políticas e econômicas, que são sempre instigantes para o jornalismo. Por sorte, o Brasil que abandono -como tema, quero dizer- está menos turbulento -e melhor do que o que me tocou sofrer nesses 48 anos de profissão.
crossi@uol.com.br – Folha SP – 10 de Julho de 2011

Futebol e Imprensa Chauvinista

Nossa imprensa vende “gato por lebre”

Quem lê, ouve ou vê nossa imprensa esportiva, fica achando que nossas seleções de futebol, tanto a masculina como a feminina, são maravilhosas... No entanto, nosso futebol vive do passado. Quem viu o jogo da seleção masculina no sábado e a feminina no domingo, fica com a sensação de perda de tempo e de quem comprou “gato por lebre”.

O Paraguai deu uma canseira nos meninos do Brasil, e as americanas com dez, deixaram nossas onze meninas desesperadas e jogando a bola para qualquer lugar. Só se salvava Marta. Esta sim, quando pegava na bola deixava as americanas desesperadas. Dois joguinhos terríveis. Poderiam ser melhores, tenho certeza que sim.

No final do campeonato paulista, no primeiro tempo, o São Paulo deu uma canseira no Santos. No intervalo do jogo, Muricy Ramalho, técnico do Santos, conversou com os meninos e voltou para o segundo tempo com nova tática de jogo. Deixou o São Paulo perdido em campo e liquidou o jogo ganhando fácil, fácil.

Um bom jogador pode fazer uma boa diferença. Marta faz muita diferença. Sem a Marta, este time brasileiro teria tomado de cinco das americanas. Não adianta nossa imprensa pintar o jogo de uma forma que não aconteceu. O Brasil mereceu perder principalmente porque o técnico brasileiro não soube administrar a vantagem e o tempo. Tomou um gol besta na prorrogação. E emocionalmente as meninas brasileiras foram para os pênaltis já derrotadas. Nem isto o técnico soube administrar. Faltou o Muricy lá.

Se faltou o Muricy para as meninas. Os meninos estão sem técnico e sem líder. As meninas têm Marta, os meninos não têm ninguém que puxe o time. Lucio ainda é uma boa personalidade em campo, mas não é um líder. Nosso técnico não está conseguindo dar uma imagem positiva para este time. Se é que podemos chamar isto de time. Time é conjunto, coletivo, equipe. Não temos nada disto, temos um improviso generalizado.

A nossa seleção masculina de futebol, há bom tempo, é preguiçosa. Joga marcando por área, não disputa bola com adversário, não corre atrás da bola, espera a bola chegar aos seus pés. Quando pega um adversário marrudo, que corre atrás da bola e com a bola, nossa seleção treme. É sempre assim quando pegamos a Argentina, o Paraguai ou o Uruguai. Já contra a França, mesmo sem os franceses jogarem bem, o Brasil treme sozinho. É lamentável.

Se a nossa imprensa é tão destrutiva na política, porque no futebol ela é tão chauvinista?

Não é de hoje que nosso futebol vem vivendo do passado. Só pensam em vender jogadores para a Europa. Os jogadores na seleção só pensam em fazer marketing para melhorarem seus preços nos times europeus. Acontece que ninguém tem mais medo do futebol brasileiro. Virou produto de liquidação. Fim de feira...

Os jornalista podem dizer que a culpa é da CBF, dos cartolas dos clubes e dos intermediários.
E qual é a parte que cabe à imprensa neste latifúndio?
Queremos voltar a ter orgulho do nosso futebol. Sem chauvinismo!

sábado, 9 de julho de 2011

A Busca da Eficiência

No Brasil se Trabalha

Vejam esta matéria de Luis Nassif, sobre a Administração Pública no Brasil.

Os avanços na gestão pública brasileira

Luis Nassif - Coluna Econômica - 08/07/2011

O programa Brasilianas sobre gestão pública (que passou na TV Brasil) trouxe alguns dados importantes para entender os avanços ocorridos no país nos últimos vinte anos. E também para compreender o papel da Câmara de Gestão, criada para assessorar a Casa Civil e o Ministério do Planejamento. Como explicou Jorge Gerdau – membro da Câmara – o primeiro trabalho será aprimorar processos – ou seja, o que já existe. Depois, o desafio maior, de mudar as estruturas gerenciais, criar um novo modelo de gestão pública.

O programa reuniu dois debatedores contemplando os dois ângulos da gestão pública. Um deles, Luiz Carlos Bresser Pereira, foi responsável pela parte estrutural em 1995, criando novos modelos de organização pública. Outro, Nelson Machado, foi responsável pela grande reforma dos processos da Previdência Social nos últimos anos, acabando com as filas para marcação de consultas. Como lembrou Bresser-Pereira, essa reforma foi feita no Brasil oito anos depois da Inglaterra dar início à sua própria reforma.

Na sua apresentação, traçou um rápido histórico das mudanças ocorridas no Estado moderno. No início, havia o Estado absolutista, no campo político, patrimonialista no campo econômico, como extensão do poder econômico de quem o dominava. A baixa complexidade dos Estados se resumia a quatro ministérios: o da Fazenda, para arrecadar; o da Guerra, para defender do inimigo externo; o da Justiça, para administrar a segurança interna; e o das Relações Exteriores, para evitar as guerras.

No século 19 ocorreram as primeiras grandes reformas do Estado nos Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha e França. Era uma reforma burocrática, que instituía concurso público e tentava profissionalizar a administração. No Brasil esse modelo chegou apenas em 1937, com a criação do DASP (Departamento Administrativo do Serviço Público).

Ao Estado liberal bastava ser efetivo, garantindo a lei. O Estado de bem estar social precisava ser eficiente, para poder legitimar-se. É nesse contexto que toma forma outros modelos de administração do Estado, exigindo ferramentas gerenciais mais efetivas. É nesse contexto que se dá a reforma gerencial.
A primeira grande lei brasileira sobre o tema – lembra Nelson Machado – foi a 420, de março de 1964, votada poucos dias antes do golpe militar. Foi fruto de um conjunto de ideias que já circulavam há mais de dez anos, influenciadas pelos estudos do Banco Mundial. A lei previa o Plano Plurianual, o orçamento programa com objetivos e indicadores.

Foi incluída na Constituição de 1988, dentro do grande pacto político que se formou no país. A Constituinte foi a porta de entrada do Brasil na era moderna. Havia concordância geral, de que era preciso redemocratizar e, ao mesmo tempo, combater as desigualdades sociais. O caminho escolhido não foi o de desapropriar ninguém nem tributar excessivamente os mais ricos: seria aumentando as despesas sociais.
Para isso, seria necessária a busca da eficiência.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

O futuro das notícias

Da Revista Economist para a imprensa brasileira

A internet está levando a indústria de notícias de volta para a cultura de conversação da era antes de mídia de massa

7 de julho de 2011 | a partir da edição impressa – The Economist
Se quiser em inglês:
http://www.economist.com/node/18928416?Story_ID=18928416

Trezentos anos atrás, as notícias viajavam de boca em boca ou carta, e circulou em tabernas e casas de café na forma de panfletos, boletins informativos e volantes. "As casas de café especial são muito cômodo para uma conversação livre, e para a leitura a uma taxa (easie) acessível a todos os tipos de notícias impressas", notou um observador. Tudo mudou em 1833 quando o primeiro jornal público de massa, o New York Sun , pioneira no uso da publicidade para reduzir o custo de notícias, dando assim os anunciantes o acesso a um público mais vasto. No momento de papel da América do lançamento do best-seller vendeu apenas 4.500 exemplares por dia, o NYSun, com sua imprensa a vapor, logo chegou a 15.000. A imprensa centavo, seguido por rádio e televisão, virou notícia de uma conversa de duas vias em uma transmissão de mão única, com um número relativamente pequeno de firmas que controlam a mídia.

Agora, como o nosso relatório especial explica, a indústria de notícias está retornando a algo mais próximo da casa de café. A internet está fazendo a notícia mais participativa, social, diverso e partidária, revivendo o ethos discursivo da era antes de mídia de massa. Que terá efeitos profundos na sociedade e na política.
Em grande parte do mundo, os meios de comunicação estão florescendo. Circulação de jornais aumentou globalmente em 6% entre 2005 e 2009, ajudado por demanda particularmente forte em lugares como a Índia, onde os papéis 110m são vendidos diariamente. Mas esses números globais máscara de um declínio acentuado no número de leitores em países ricos.

Durante a última década, em todo o mundo ocidental, as pessoas foram desistindo dos jornais e noticiários de TV e acompanhar eventos de forma profundamente diferente. Mais notavelmente, as pessoas comuns estão cada vez mais envolvidas na compilação, compartilhamento de filtragem, discutir e distribuir notícias. O Twitter permite que as pessoas em qualquer lugar relatem o que eles estão vendo. Documentos classificados são publicados em seus milhares online. Celular-metragem de revoltas árabes e tornados americano são postados em sites de redes sociais e mostrados nos noticiários de televisão. Um vídeo amador tomado durante o terremoto japones foi visto 15milhões de vezes no YouTube. "Crowdsourcing" projetos trazem leitores e jornalistas juntos para peneirar troves de documentos, das reivindicações custa de políticos britânicos para Sarah Palin e-mails. Sites de redes sociais ajudam as pessoas a encontrar, discutir e partilhar notícias com seus amigos.

E não são só os leitores que estão a desafiar a elite da mídia. Empresas de tecnologia, incluindo Google, Facebook e Twitter se tornaram importantes (alguns dizem que muito importante) condutas de notícias. Celebridades e líderes mundiais, incluindo Barack Obama e Hugo Chávez, publicam atualizações diretamente através de redes sociais; muitos países agora fazem dados brutos disponíveis através de iniciativas de "governo aberto". A internet permite que as pessoas leiam jornais ou assistim a canais de televisão de todo o mundo: o The Guardian , um jornal britânico, agora tem mais leitores on-line no exterior do que em casa. A web permitiu que novos provedores de notícias, de blogueiros individuais para sites como o Huffington Post , a ascensão para a proeminência em um espaço muito curto de tempo. E tem possibilitado abordagens inteiramente novas para o jornalismo, como a praticada por WikiLeaks, que fornece uma maneira para os denunciantes anônimos para publicar documentos. A agenda de notícias não é mais controlada por um barões da imprensa e alguns pontos de estado, como a BBC.

Nós distorcemos, vocês ridicularizam

Em princípio, todos os liberais devem celebrar isto. Um ambiente de notícias mais participativo e social, com uma notável diversidade e variedade de fontes de notícias, é uma coisa boa. Um texano que uma vez teve que contar com o Houston Chronicle de interpretar o mundo podem agora coletar informações de uma miríade de diferentes fontes. Governantes autoritários em todos os lugares têm mais a temer. Então, o que, muitos dirão, se os jornalistas tiverem carreiras menos estáveis? Ao mesmo tempo, duas áreas de preocupação se destacam.
A primeira preocupação é a perda de "jornalismo accountability/confiável", que obrigam os poderosos a prestar contas. Encolhimento das receitas ter reduzido a quantidade e a qualidade da investigação e locais de relatórios políticos na imprensa de impressão.

Mas de estilo antigo o jornalismo nunca foi tão moralmente honesto como jornalistas gostam de pensar. Na verdade, o News of the World , um jornal britânico que foi capturado a invadir telefones celulares das pessoas, é uma espécie muito tradicional da folha de escândalo (ver artigo ). Entretanto, a Internet está gerando novas formas de prestação de contas. Um grupo crescente de sem fins lucrativos, tais como roupas ProPublica, a Fundação Sunlight e WikiLeaks estão ajudando a preencher a lacuna deixada pelo declínio da mídia watchdog/investigativa. Este é ainda um trabalho em progresso, mas o grau de atividade e experimentação fornece motivos para otimismo.

A segunda preocupação tem a ver com partidarismo. Na era da mídia de massa, monopólios locais muitas vezes tiveram de ser relativamente imparciais para maximizar o seu apelo aos leitores e anunciantes. Em um mundo mais competitivo que o dinheiro, parece estar na criação de uma câmara de eco para os preconceitos das pessoas: assim, Fox News, um canal a cabo de notícias conservadora-americana, faz mais lucros do que seus rivais menos estridente, CNN e MSNBC, combinados.
De uma forma crescente a disponibilidade de notícias partidária deve ser saudada. No passado, muitas pessoas, especialmente da direita norte-americanos, já que a maioria de televisão norte-americana foi de esquerda, não tinha nada a ver que refletiam as suas opiniões. Mas como a notícia está se tornando mais opinativa, tanto a política e os fatos estão sofrendo: testemunha a insistência em dizer que Barack Obama nasceu fora da América, e outros "alguns conservadores americanos recusam em aceitar que os impostos devem aumentar (ver artigo ).

O que deve ser feito? A nível social, não muito. A transformação do negócio das notícias é irreversível, e quem tentar reverter isso está condenado ao fracasso. Mas há passos que indivíduos podem tomar para reduzir essas preocupações. Como produtores de novo jornalismo, eles podem ser escrupulosos com fatos e transparentes com suas fontes. Como consumidores, eles podem ser católicos em seus gostos e exigentes em seus padrões. E, embora essa transformação não levante preocupações, não há muito o que comemorar no barulhento, diversificado, o ambiente, ruidoso e estridente argumentativo vivo do negócio das notícias na era da internet. O café está de volta. Vamos apreciá-lo.