sexta-feira, 24 de junho de 2011

Parada LGTB: O que será, que será?

“Deixo uma sugestão: Que tal falar sobre a Parada LGBT?”

“Nós do coletivo LGBT vamos trabalhar na quinta, na sexta, no sábado e no domingo. E, como ser militante ainda está no nosso coração, estamos felizes por poder sair às ruas e defender direitos, principalmente respeito ao próximo.
O tema desta Parada é "Amai- vos uns aos outros". “

Recebi a sugestão acima há vários dias. E, como sempre, fiquei pensando, pensando e pensando sobre como abordar a questão. Como contribuir para as pessoas se respeitarem mais e respeitarem mais o próximo? Tenho sido exigente comigo e com todos. Sou do tempo que “o sim” deveria ser sim, e o “não” deveria ser não. Para criticar as demissões no Banco Itaú, eu usei o texto abaixo. E estas mesmas palavras devem valer também para as pessoas, para as religiões, as polícias e os governos.

“Credibilidade, Confiança, Transparência, Sustentabilidade, Respeito. Palavras maravilhosas do mundo moderno e que valem para o passado, o presente e o futuro. Estas palavras somadas às famosas palavras símbolos da Revolução Francesa: “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”, representam a essência da Democracia Moderna, pós guerra-fria, pós fim do bloco soviético e pós fim da hegemonia absoluta dos americanos.”

E combinando as palavras de ordem da Revolução Francesa, Mãe da Democracia Moderna, com o Tema desta Parada Gay “Amai-vos uns aos outros”, reproduzo a seguir as palavras milenares do Apóstolo São Paulo, o homem que transformou a pregação de Jesus na maior religião da Terra. Epístola de São Paulo aos Coríntios.

O amor é o dom supremo.
Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos,
se não tiver amor,
serei como o bronze que soa,ou como o címbalo que retine.
Ainda que eu tenha o dom de profetizar e conheça todos os mistérios e toda a ciência;
ainda que eu tenha tamanha fé ao ponto de transportar montes,
se não tiver amor,
nada serei.
E ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres,
e ainda que entregue o meu próprio corpo para ser queimado,
se não tiver amor,
nada disso me aproveitará.

Mas ainda não me sentia realizado com o texto, faltava falar da sexualidade. E pensei, pesquisei, lembrei-me que nem Freud, o pai da psicanálise, conseguiu explicar a questão da homossexualidade. Então ouvi minha vizinha cantando: o que será, que será, que me dói no meu peito, será, que será... Fui escutar a música, ler a letra, ler reportagens. E achei melhor reproduzir o material abaixo com as indicações de duas versões maravilhosas da música.

Uma gravação inesquecível de Chico com Milton Nascimento. Sem palavras:
http://www.youtube.com/watch?v=q0RjFhymjho

E com Maria de Medeiros, então... uma delícia!
http://www.youtube.com/watch?v=GTRuhoYZRmo&feature=watch_response

"O que será que será / que todos os avisos não vão evitar / porque todos os risos vão desafiar / porque todos os sinos irão repicar / porque todos os hinos irão consagrar..."

Em 15.9.92, ao tomar conhecimento do conteúdo de sua ficha no Dops-DPPS, em que há uma análise de "O Que Será", Chico Buarque declarou ao Jornal do Brasil: "acho que eu mesmo não sei o que existe por trás dessa letra e, se soubesse, não teria cabimento explicar..." (Fonte: Livro 85 anos de Música Brasileira Vol. 2, 1ª edição, 1997, editora 3)

Se Chico não explica, se Freud também não explica, quem sou eu para explicar. Devemos sentir, simplesmente. O tempo irá explicar.

Um comentário:

  1. Com música, poesia e afeto ... posso dizer que me senti tocada pelo texto e pela emoção de poder lutar e amar quando necessário !
    Valeu !

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