segunda-feira, 20 de junho de 2011

Amor, só de mãe

Principalmente quando os filhos se realizam.

Outro dia, passando pela Marginal Pinheiro, vi um caminhão com o pára-choque com a mensagem: “Amor, só de mãe”. Fiquei pensando sobre a complexidade desta frase. Os caminhoneiros são pessoas solitárias, dirigem noites e dias sozinhos e voltam para suas casas sempre pensando encontrar as esposas e os filhos. Tem motorista que até coloca os nomes dos filhos no pára-choque. Mas, muitas vezes, quando chegam em casa, as esposas e os filhos nem sempre os acolhem bem. Reclamam da falta de dinheiro, da falta disto e daquilo. E os motoristas queriam apenas um pouco de descanso e atenção, como todo mundo. Aí a frase passa a ter sentido. As mães gostam de receber os filhos...

No mundo moderno, mesmo a Pastoral da Criança, já tem registrado casos de mães que abandonam filhos. A televisão tem mostrado muitas reportagens de bebês abandonados.
Será que este último reduto do amor está sendo superado na sociedade moderna?
O namoro foi substituído pelo “ficar”. O casamento tem o tempo que antigamente era usado pelo noivado. A família vai perdendo seu papel aglutinador e protetor de todos.

Embora as pessoas vivam mais tempo, elas estão cada vez mais sós. Mesmo tendo plano de saúde, aposentadoria complementar e casa própria. Tem cada vez mais gente morando só.
E tem gente morando junto, mas vivendo cada um no seu canto, com seu computador, sua televisão, seu celular e sua solidão.

Mas a alegria das mães é ver os filhos casados, sendo um bom profissional, ganhando dinheiro, tendo filhos e sendo querido por todos. Quando isto não acontece, elas pensam: “Onde errei?” Porque uns filhos conseguem e outros não? E as filhas? Porque umas casam e outras não? E quando elas voltam com filhos e separadas. Como lidar com isto? As mães sempre acolhem. Os filhos e as filhas. Mesmo resmungando.

Antigamente era comum ouvir: “Meu emprego é uma mãe”. Atualmente é difícil ouvir isto. O emprego também dura pouco e o mundo do trabalho está mais instável do que as famílias.

Com a modernidade, as mulheres desenvolvem novos papéis, como presidentes, executivas, pessoas livres e com poucos filhos; talvez os jovens da Espanha e da Grécia, que vão às ruas por mais emprego e melhores condições de vida, estejam em busca de uma nova sociedade, que lhes acolham como as mães. Mesmo que já não sejam iguais as mães de antigamente. Mas que lhes respeitem e ajudem. Para que eles não fiquem solitários e sem perspectivas.

Um comentário:

  1. Gilmar, se não viu ainda, veja dois filmes interessantes:

    Um deles é 'óliudiano': "Wall-E". É um longa sobre um futuro provável onde a terra virou um amontoado de lixo e as pessoas vivem em outro canto do espaço. O robozinho Wall E é apaixonante. Os humanos dessa geração de fone no ouvido 24 horas por dia perderam até o uso dos braços e pernas de tão dependentes da tecnologia. Sempre uso o filme como referência.

    Outro filme ADMIRÁVEL MUNDO NOVO - o livro é de 1931 - e a versão do filme é inglesa dos anos 80 se não me engano: Camarada, eu leio o livro a cada 5 anos, pois nos últimos 30 vi cada coisa dessa obra chegando à realidade. Vale a pena.

    Abraços, William

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