quinta-feira, 30 de junho de 2011

Amor e Dor

As contradições de São Paulo

Hoje eu acordei às 6:30hs com o sabiá cantando. E ainda estamos em 30 de junho. Quando chegar a primavera, o sabiá começará a cantar às 4:30hs e vamos ter que nos acostumar com a cantoria.


Esta árvore impactante, em pleno Centro de São Paulo, na Av. Prestes Maia, ao lado do Viaduto Santa Ifigênia, é o famoso IPÊ-ROSA.

É o símbolo da resistência e do amor por São Paulo - o Ipê-Rosa.

Na Rua da Consolação, hoje eu contei quatro pés de Ipês-Rosa, cada um mais bonito que outro. Ainda não consegui fazer fotos em função do trânsito. Mas no final da Rua Consolação, o farol ou semáforo é mais demorado e eu consegui fazer duas fotos de imagens que me machucam sempre.

Depois de tanta beleza e tanto amor pelas árvores e suas flores, volto a outra realidade de São Paulo: A DOR. Vejam a foto abaixo, no frio da manhã e sob as árvores em frente ao prédio que antes era o jornal centenário O Estado de São Paulo, há um monte de panos onde se aquece um morador de rua.

É a impotência humana perante o poder público e a discussão filosófica do direito ou não de morar na rua. Qual mãe gostaria de ver seu filho morando na rua em pleno frio? Nem os cachorros tem vida igual. Até quando viveremos com esta dor?


Mas ainda há esperança...
Em Setembro, com a Primavera, os sabiás aumentarão seu canto, para sensibilizar as pessoas e seus governantes.




E como as gotas de água formam os oceanos, nossa perseverança contribuirá para termos uma cidade mais fraterna e mais florida.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Lula voltou aos Bancários de São Paulo

Recebido com muita festa, Lula falou aos bancários

Valeu a espera, era para ser na segunda-feira, mas uma forte dor de dente o impediu de vir. Lula, apesar de ter viagem marcada para Alexandria, no Egito, perguntou se podia vir no dia seguinte, e todos concordaram. Não é qualquer dia que podemos nos encontrar com o melhor presidente da república que o Brasil já teve. E valeu a pena.
No plenário, quase duzentas pessoas, além de ficarem encantadas com o depoimento, também queriam tirar fotografias. E Lula deixou-se fotografar com todos. A fila era grande, o horário já estava avançado, mas ele sorria, abraçava, beijava e tirava fotos.

Para os mais velhos, foi um reencontro político e sindical muito prazeroso; para os mais jovens, foi uma oportunidade ímpar para aprender, direto da fonte, como é possível governar um país continental, com quase duzentos milhões de pessoas, cheio de conflitos, com uma imprensa trabalhando contra, mentindo e torcendo para dar errado. Mesmo enfrentando estas dificuldades, Lula saiu maior do que quando entrou no governo. Hoje é uma das personalidades mais respeitada e admirada no mundo. É o orgulho da grande maioria do povo brasileiro.

Foram anos difíceis, anos de muito trabalho, anos recebendo gente rica e gente pobre, viajando pelo Brasil e o mundo para defender o Combate à Fome, defender a Democracia Participativa, defender a maior participação dos países africanos nas decisões mundiais. Defender que as Olimpíadas fossem no Rio de Janeiro.
E a humildade em dizer: “O maior legado do meu governo foi o da Democracia”.
Só que ao sair na rua as pessoas o paravam para dizer que agora têm casa própria, os filhos estão na faculdade, os parentes estão empregados e os pobres passaram a ser respeitados neste país.

Pela primeira vez o andar de baixo chegou ao governo e teve livre acesso aos palácios e aos ministérios. Tudo isto tendo que enfrentar crises inflacionárias no inicio do governo, crise política em 2005, crise mundial em 2008 e ainda construindo a candidatura da primeira mulher para presidente do Brasil. Lula tem o maior carinho e respeito por Dilma.

E volta a dizer: “A Democracia e a Paz são o melhor caminho para crescer economicamente e incluir os excluídos.”

Depois de almoçar com a velha guarda e alguns diretores, preparou para voar para o Egito e para a Tunísia, quem sabe para ajudar a restabelecer o “Farol de Alexandria” como referência para a Nova Primavera dos Países Árabes.

O Brasil, além do futebol e da boa música, tem um bom exemplo de como governar para todos e com todos. Vida longa ao nosso presidente Lula.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Encontro Histórico

O tempo não para

Seis ex-presidentes, uma presidenta e mais de 30 anos de história. A manhã desta segunda-feira 27 reuniu no Sindicato seis bancários que conduziram a entidade nessas três décadas: Augusto Campos (presidente entre 1979 e 1983), Luiz Gushiken (1985 a 1987), Gilmar Carneiro (1988 a 1994), Ricardo Berzoini (1994 a 1998), João Vaccari Neto (1998 a 2004), Luiz Cláudio Marcolino (2004 a 2010), além da atual presidenta, Juvandia Moreira.

Foi a segunda vez na história em que se reuniram os dirigentes responsáveis pela condução da categoria bancária em São Paulo, Osasco e região. A primeira foi há um ano, na solenidade que marcou os 87 anos do Sindicato e a transmissão de cargo da Presidência da entidade, de Marcolino para Juvandia.

“O Sindicato é uma coisa muito forte dentro da gente”, ressaltou Gushiken, que participou dos primeiros anos do governo Lula, à frente da Secretaria de Comunicação da Presidência da República. “O Brasil pós-Lula se configurou entre as nações mais importantes do mercado global, estrategicamente e por longo período”, disse, sobre o que qualificou como “feito inédito”.

Augusto Campos fez coro e destacou a atuação do governo em favor da Unasul (União das Nações Sul-Americanas que reúne os doze países da América do Sul e visa aprofundar a integração da região) e a aproximação com a África. “Essa guinada na política externa é fundamental para dizermos que esperamos um mundo melhor.”

Para Gilmar Carneiro, a troca de idéias entre gerações é muito importante. “O Sindicato tem de ser o termômetro emocional da categoria e não pode perder isso de vista”, afirmou, ao lembrar o resultado da eleição realizada este mês e que elegeu Juvandia à frente do Sindicato. “Foram quase 85% de votos.”

O deputado federal Ricardo Berzoini (PT-SP) falou das dificuldades do embate político, no qual é mais fácil acusar que apresentar proposta. “Mas o governo Lula soube superar e teve coragem de enfrentar a crise econômica mundial, assumindo o comando da economia brasileira com a solução que tinha: crescimento econômico com geração de emprego, de renda e mais acesso aos direitos. Esse é o caminho para o Brasil chegar a ser um país moderno de fato.”

João Vaccari Neto, secretário Nacional de Finanças e Planejamento do Partido dos Trabalhadores, ressaltou a importância de saber valorizar as políticas governamentais que dão certo. “Nosso papel é debater o principal que são os projetos que visam transformar o Brasil num país cada vez melhor.”

A trajetória do Sindicato na construção do PT e da Central Única dos Trabalhadores (CUT), foi resgatada pelo deputado estadual Luiz Cláudio Marcolino. “Nessas tantas gerações que aqui estão, trabalhamos pelo fortalecimento da democracia, das políticas voltadas para os trabalhadores na CUT, e a evolução alcançada pelo governo Lula mostrou que estávamos certos.”

“Essa grande responsabilidade” de estar à frente do Sindicato foi destacada por Juvandia. “Temos o papel de pensar a categoria, a atuação junto à Central, à sociedade, ao país, sempre tendo em vista a defesa e ampliação dos direitos dos trabalhadores. E não vamos deixar de fazer nosso papel. Esse é o nosso compromisso com um mundo melhor com igualdade de oportunidades e direitos para todos.”
Folha Bancária – 27 de julho de 2011

A árvore que pode simbolizar São Paulo

Ipê-Rosa, além de bela, tem mil e uma utilidades

Como sou do interior da Bahia, lá de Serrinha, região da caatinga, demorei para descobrir que a árvore que todos os dias eu passo admirando-a, chama-se IPÊ-ROSA. Tirei uma foto perto de casa, hoje tirei foto do Ipê-Rosa que fica na Avenida Prestes Maia. A foto tem como fundo o Viaduto Santa Ifigênia, construído pelos ingleses no final do século XIX. Isto mesmo antes dos 1900, de Bertolucci. Como não sei transferir fotos do celular para o computador, estou usando texto e foto do Wikipédia. Quando eu aprender eu divulgo minhas fotos.

"O ipê-rosa é uma árvore Bignoniaceae nativa da América do Sul, distribuída bem entre o México e o Norte da Argentina, por conseguinte às regiões tropicais e subtropicais.
Suas flores duram de Maio a Agosto. As suas numerosas flores são recortadas e na forma de sino.
A sua madeira é preciosa. É uma espécie conspícua e famosa com uma história longa do uso humano, usada como medicamento, e é utilizada na medicina alternativa. O ipê contem potássio, cálcio, ferro, bário, estrôncio e iodo. Contem também um potente antibiótico. Possuindo vários nomes populares, ipê-comum, ipê-reto, ipê-rosa, ipê-roxo da mata, pau d'arco-roxo, etc. A madeira às vezes é comercializada como "pau-brasil"."
Texto e foto copiadas da Wikipédia. Não consigo colar a foto. Descubra uma foto.

Eu conhecia o Ipê dos livros e de músicas. Agora conheço pessoalmente, como se diz. Devíamos fazer uma campanha tipo, “coloque um Ipê-Rosa no seu caminho e seja mais feliz”. Hoje, enquanto eu ouvia Zé Simão, na Rádio Bandeirantes, eu olhava para os pés de Ipês existentes na Rua da Consolação. Eu ria das piadas de Zé Simão e minha alegria aumentava ao olhar para aquelas árvores tão floridas e tão belas.

Para conviver com “a selva de pedras”, só plantando mais Ipês. Assim, teremos mais flores, mais abelhas, mais mel,e mais amor para todos.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Sem perder a ternura

Porque nossa cidade precisa destruir as coisas belas?

Neste domingo, dia 26 de junho, fui comprar pão e, ao atravessar a rua, ouvi o barulho típico dos periquitos voando. Sim, em plena Vila Madalena, voando sobre a Rua Harmonia, eu contei dezesseis periquitos voando e fazendo sua festa de São João.

Dezesseis periquitos voando em plena Vila Madalena, perto da Av. Paulista e perto do Centro de São Paulo. Como é possível os periquitos sobreviverem em São Paulo?
Depois de comprar os pães, ao virar na esquina da Rua Harmonia com a Rua Purpurina, encontroei duas árvores totalmente floridas. Flores cor-de-rosa, sem folhas. O tronco e as flores. Este mesmo tipo de árvore tem na Rua da Consolação, na Av. Prestes Maia, em pleno Centro da Cidade, e em muitos outros lugares.

Estas árvores deveriam ser a árvore símbolo de São Paulo. Vou descobrir o nome dela. Seca, como nossa Cidade, mas florida e bela, como muitas partes desta mesma Cidade.
Mas a Vila Madalena, além dos periquitos e árvores floridas, tem muitos pés de jabuticaba, pitanga, mangueiras e milhares de outras árvores. A Vila Madalena tem muitas casas antigas, com quintais grandes, cheios de fruteiras, como também os jardins com pequenas garagens, retratando a época em que as famílias tinham apenas um carro, ou nenhum. Apenas jardins.

Agora a Vila Madalena tem muitas Construtoras, muitos prédios em construção. Enormes, invasivos, cheios de garagens, com poucas árvores e poucas flores. Onde as pessoas não conhecem os vizinhos do lado, não conhecem os funcionários dos prédios, não conhecem os atendentes das padarias e das farmácias. Talvez conheçam os garçons dos barzinhos. Talvez elas bebam para superar a solidão numa Vila Madalena tão acolhedora.

Os prédios e as construtoras destruíram o Itaim, destruíram os Jardins, destruíram a Av. Paulista e avançam para destruir a Vila Madalena e o Sumaré. São como infiltrações de água, lentas e permanentes. E os políticos aceitam fazer novos Planos de Reurbanização, onde flexibilizam a construção de novos prédios. Sem facilidade viária, sem infraestrutura elétrica e de esgoto, sem escolas públicas, sem praças. E, com o tempo, sem periquitos, sem sabiás e sem árvores.

Vão ficar apenas as “pedras no caminho”.
E os novos moradores em seus carrões já não terão ternura para perdê-la.
Quem sabe, da mesma forma que chegaram os pedreiros e pintores, cheguem também os poetas e compositores para voltar a manter e construir coisas belas tanto na Vila Madalena, como em toda nossa cidade.
Estamos precisando de novos Caetanos.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Parada LGTB: O que será, que será?

“Deixo uma sugestão: Que tal falar sobre a Parada LGBT?”

“Nós do coletivo LGBT vamos trabalhar na quinta, na sexta, no sábado e no domingo. E, como ser militante ainda está no nosso coração, estamos felizes por poder sair às ruas e defender direitos, principalmente respeito ao próximo.
O tema desta Parada é "Amai- vos uns aos outros". “

Recebi a sugestão acima há vários dias. E, como sempre, fiquei pensando, pensando e pensando sobre como abordar a questão. Como contribuir para as pessoas se respeitarem mais e respeitarem mais o próximo? Tenho sido exigente comigo e com todos. Sou do tempo que “o sim” deveria ser sim, e o “não” deveria ser não. Para criticar as demissões no Banco Itaú, eu usei o texto abaixo. E estas mesmas palavras devem valer também para as pessoas, para as religiões, as polícias e os governos.

“Credibilidade, Confiança, Transparência, Sustentabilidade, Respeito. Palavras maravilhosas do mundo moderno e que valem para o passado, o presente e o futuro. Estas palavras somadas às famosas palavras símbolos da Revolução Francesa: “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”, representam a essência da Democracia Moderna, pós guerra-fria, pós fim do bloco soviético e pós fim da hegemonia absoluta dos americanos.”

E combinando as palavras de ordem da Revolução Francesa, Mãe da Democracia Moderna, com o Tema desta Parada Gay “Amai-vos uns aos outros”, reproduzo a seguir as palavras milenares do Apóstolo São Paulo, o homem que transformou a pregação de Jesus na maior religião da Terra. Epístola de São Paulo aos Coríntios.

O amor é o dom supremo.
Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos,
se não tiver amor,
serei como o bronze que soa,ou como o címbalo que retine.
Ainda que eu tenha o dom de profetizar e conheça todos os mistérios e toda a ciência;
ainda que eu tenha tamanha fé ao ponto de transportar montes,
se não tiver amor,
nada serei.
E ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres,
e ainda que entregue o meu próprio corpo para ser queimado,
se não tiver amor,
nada disso me aproveitará.

Mas ainda não me sentia realizado com o texto, faltava falar da sexualidade. E pensei, pesquisei, lembrei-me que nem Freud, o pai da psicanálise, conseguiu explicar a questão da homossexualidade. Então ouvi minha vizinha cantando: o que será, que será, que me dói no meu peito, será, que será... Fui escutar a música, ler a letra, ler reportagens. E achei melhor reproduzir o material abaixo com as indicações de duas versões maravilhosas da música.

Uma gravação inesquecível de Chico com Milton Nascimento. Sem palavras:
http://www.youtube.com/watch?v=q0RjFhymjho

E com Maria de Medeiros, então... uma delícia!
http://www.youtube.com/watch?v=GTRuhoYZRmo&feature=watch_response

"O que será que será / que todos os avisos não vão evitar / porque todos os risos vão desafiar / porque todos os sinos irão repicar / porque todos os hinos irão consagrar..."

Em 15.9.92, ao tomar conhecimento do conteúdo de sua ficha no Dops-DPPS, em que há uma análise de "O Que Será", Chico Buarque declarou ao Jornal do Brasil: "acho que eu mesmo não sei o que existe por trás dessa letra e, se soubesse, não teria cabimento explicar..." (Fonte: Livro 85 anos de Música Brasileira Vol. 2, 1ª edição, 1997, editora 3)

Se Chico não explica, se Freud também não explica, quem sou eu para explicar. Devemos sentir, simplesmente. O tempo irá explicar.

Muricy é o Grande Campeão

Precisou sair do São Paulo para superar-se

A imprensa gosta mais de olhar para uma árvore do que olhar para a floresta.
A pessoa mais importante na vitória do Santos, foi o técnico do time, Muricy Ramalho, sem desmerecer os jogadores. Mas aqui eu falo do mais importante. Antes da chegada de Muricy o Santos capengava e suas estrelas não ganhavam jogos. Tomavam gols e brigavam com os técnicos. Com a chegada de Muricy tudo mudou e o time além de jogar bonito, ganhou jogos e títulos.

Muricy era um grande técnico, de um grande time que é o São Paulo. Mas não ganhava a Libertadores. Parecia corinthiano! Foi demitido, foi para o Fluminense, time fraco do Rio de Janeiro. Abriu mão de ser o técnico da Seleção Brasileira, trabalhou, suou camisa, não dormiu, até fazer do fraco time do Fluminense o Campeão Brasileiro. Os times paulistas ajudaram, com o ante-futebol, mas o mérito principal foi de Muricy.

Mas faltava ganhar a Libertadores. Tinham cinco times brasileiros na disputa, o Santos era o mais fraco dos cinco. E foi para o Santos que Muricy foi. Com a sua conversa de interior, ele foi treinando o time, reorganizando a defesa, que era um vexame, mostrando aos jogadores e dirigentes que “time”, significa “conjunto”, dentro e fora do campo. Assim, os jogadores começaram a jogar coletivamente, a diretoria parou de falar bobagens na imprensa e o Santos foi crescendo, crescendo, até ser o que o Corinthians seria se tivesse contratado Muricy, o Santos é o Grande Campeão!

Muricy precisou sair do time mais estruturado do Brasil para realizar-se como profissional e como pessoa. E com isto ajudou o Santos a voltar a ganhar a Libertadores depois de dezenas de anos. Esta é a beleza da vida!

Em vez de cultuar a vida fácil e descartável, precisamos aprender a cultuar o bom trabalho, cultuar a honestidade, a transparência e a humildade. Mais uma vez o esporte brasileiro nos dá boas lições. Pelé, Ronaldinho, Felipão, e milhares de outros atletas e técnicos que nos enchem de alegria e orgulho de ser brasileiro.

Parabéns ao Santos e, principalmente, parabéns a Muricy!

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Construção, DESConstrução e REConstrução

Uma vida para construir e um dia para destruir

Estou há dias com este tema na cabeça.
Depois das eleições dos bancários de São Paulo, onde voltamos a encontrar amigos de todo o Brasil, voltamos a sentir a calor da disputa eleitoral, onde mensuramos o grau de aceitação dos bancários ao trabalho desenvolvido pelo Sindicato, voltamos à rotina.

Já no sábado, dia 18, três questões chamaram minha atenção:
1 - a questão dos jovens na atualidade;
2 - a campanha que a imprensa vem fazendo de “reconstrução” da imagem de Fernando Henrique Cardoso;
3 - a premiação mundial do Banco Itaú por sustentabilidade;
4 - e amanhã, dia 23, temos o aniversário de um grande amigo e militante.

Como prometido, vou falar um pouco de cada item acima. Com o tempo pretendo voltar ao assunto mais analiticamente. Vejamos:

1 – Nesta conjuntura, qual é a perspectiva para os jovens? Eles são poliglotas, viajam pelo mundo, sabem tudo sobre computação, mas não têm os mesmos sonhos que nossas gerações tinham. Para eles, exigir Honestidade dos políticos e da sociedade, é mais importante do que exigir Liberdade. Realmente, hoje em dia, liberdade temos de sobra, mas a honestidade está fazendo falta no mundo todo. Se os jovens não tiverem sonhos, suas vidas não terão esperança. E sem esperança a vida fica mais difícil. Precisamos construir novos sonhos.

2 – A imprensa brasileira está há oito anos tentando “desconstruir” a imagem vitoriosa de Lula. Eu diria mais enfaticamente que nossa imprensa tenta histericamente destruir a imagem de Lula. E, graças a Deus, não tem conseguido. Agora, a alternativa está em tentar construir uma imagem simbólica para representar os conservadores. Serra se auto-desconstruiu, Aécio não consegue construir uma imagem positiva depois que deixou o governo estadual de Minas, e os conservadores agora estão tentando REConstruir uma imagem para Fernando Henrique. Se nossa imprensa fosse honesta, isto não seria necessário. Todos nós temos pontos positivos e pontos negativos. Na vida política de Fernando Henrique, além do Plano Real, ele tem outros pontos positivos e vários negativos. Mas, querer comparar a credibilidade nacional e internacional com LULA com a de FHC, é querer muito. Ambos foram bons presidentes, mas Lula foi O MELHOR, The Best, presidente da História do Brasil. E a História pode ser ignorada por alguns, mas não pode ser apagada por todos. Já dizia Galileu Galilei: “No entanto, a Terra gira”.

3 – Itaú, o banco brasileiro foi o vencedor do prêmio do jornal britânico Financial Times e do Banco Mundial, como o Banco mais sustentável. Parabéns! Mais do que isto, é sabido que no Brasil atual, o Itaú é o melhor banco para seus clientes, e o mais lucrativo para seus acionistas. Era também um dos melhores lugares para se trabalhar. Tem a melhor campanha de marketing externa e interna do Brasil. Enfim, o Itau é uma marca internacional de referência.

Credibilidade, Confiança, Transparência, Sustentabilidade, Respeito. Palavras maravilhosas do mundo moderno e que valem para o passado, o presente e o futuro. Estas palavras somadas às famosas palavras símbolos da Revolução Frances: “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”, representam a essência da Democracia Moderna, pós guerra-fria,pós fim do bloco soviético e pós fim da hegemonia absoluta dos americanos.

Mas o Financial Times e o Banco Mundial esqueceram-se que por trás das empresas, dos governos, dos exércitos e das máquinas, NÓS TEMOS PESSOAS!
Os Democratas americanos, já que gostamos tanto de imitar os americanos, fizeram há anos uma campanha onde a mensagem principal era “People First”, isto é, as pessoas em primeiro lugar. Depois, o movimento sindical americano e mundial copiaram a campanha, transformando-a numa campanha de todos os trabalhadores contra o neoliberalismo.

O Itaú cresceu e hoje ganha um bilhão de lucro por mês. Isto mesmo, em 2011 o Banco Itaú lucrará 13 bilhões de reais! Graças ao acerto de seus gestores, à política econômica do governo Lula, aos seus funcionários e clientes. Mas, em 2011, em apenas dois meses o Itaú já demitiu mais de 1200 funcionários. Sem a menor consideração e respeito. Os encarregados demitem seus subordinados dizendo que, mesmo nos casos de mais de vinte anos de trabalho, estes funcionários não servem mais para o banco, que o banco não é instituição de caridade, etc. Isto é, falta de apreço, consideração, falta de Respeito! O Banco poderia fazer uma entrevista mais respeitosa, explicar o porque da mudança da política do banco, pagar alguns salários a mais, ajudá-los na realocação e garantir um período de assistência médica. Por que não faz isto? Investiram tanto na construção da imagem do banco!

4 – Mas agora vamos falar de flores. O Brasil tem muita gente importante com nome de flores. Vou pegar aqui alguns exemplos de pessoas com nome de ROSA. A mais importante para nossa história musical é nosso querido NOEL ROSA. Na filosofia e literatura temos também Garcia Roza, eu acho que o nome dele é com “z”, mas é rosa. E nós temos um grande amigo, colega bancário, jornalista de formação e militante de coração chamado SERGIO ROSA.

Um exemplo de pessoa, em todos os sentidos. Amanhã é feriado e não escreverei mensagens para o blog. Assim, estou antecipando a comemoração do Aniversário de SERGIO ROSA. Conviver com Sergio Rosa é um privilégio. Tentaram prejudicá-lo, levantar dúvidas sobre sua idoneidade, tentaram até tirá-lo do BB, mas ele tem dignidade, personalidade e continua com a gente. Se Sergio faz 54 anos de vida, vamos torcer para que ele tenha mais 50 de sucessos. Esta é uma vida bem construida.
E viva os ROSAS...

terça-feira, 21 de junho de 2011

Hora de ouvir e Hora de falar

Tem dia que o melhor é ouvir

Esta terça-feira foi um destes dias. Tantos problemas aparecendo que achei melhor deixar para fazer um texto mais cuidado amanhã, quarta-feira.

Ouvir as pessoas é muito importnte. Prestar atenção no que elas estão falando. Responder levando em consideração o momento de cada um. Isto vale para pessoas e também para instituições.

Devemos evitar o maniqueísmo, a simplificação ou o preconceito. Quando aceitamos escrever em um blog, temos que ter responsabilidade e compromisso. Um dos compromissos que assumi foi que este blog não seria politiqueiro, que o compromisso maior seria com a cidadania e o respeito humano. Isto não é fácil. Os impulsos são muitos. Daí a necessidade do auto-controle.

Uma das frases que sempre usei no movimento sindical foi que "devemos pensar mil palavras, falar cem e escrever dez de tudo aquilo que pensamos".

Assim, garanto que escreverei amanhã sobre os problemas de hoje.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Amor, só de mãe

Principalmente quando os filhos se realizam.

Outro dia, passando pela Marginal Pinheiro, vi um caminhão com o pára-choque com a mensagem: “Amor, só de mãe”. Fiquei pensando sobre a complexidade desta frase. Os caminhoneiros são pessoas solitárias, dirigem noites e dias sozinhos e voltam para suas casas sempre pensando encontrar as esposas e os filhos. Tem motorista que até coloca os nomes dos filhos no pára-choque. Mas, muitas vezes, quando chegam em casa, as esposas e os filhos nem sempre os acolhem bem. Reclamam da falta de dinheiro, da falta disto e daquilo. E os motoristas queriam apenas um pouco de descanso e atenção, como todo mundo. Aí a frase passa a ter sentido. As mães gostam de receber os filhos...

No mundo moderno, mesmo a Pastoral da Criança, já tem registrado casos de mães que abandonam filhos. A televisão tem mostrado muitas reportagens de bebês abandonados.
Será que este último reduto do amor está sendo superado na sociedade moderna?
O namoro foi substituído pelo “ficar”. O casamento tem o tempo que antigamente era usado pelo noivado. A família vai perdendo seu papel aglutinador e protetor de todos.

Embora as pessoas vivam mais tempo, elas estão cada vez mais sós. Mesmo tendo plano de saúde, aposentadoria complementar e casa própria. Tem cada vez mais gente morando só.
E tem gente morando junto, mas vivendo cada um no seu canto, com seu computador, sua televisão, seu celular e sua solidão.

Mas a alegria das mães é ver os filhos casados, sendo um bom profissional, ganhando dinheiro, tendo filhos e sendo querido por todos. Quando isto não acontece, elas pensam: “Onde errei?” Porque uns filhos conseguem e outros não? E as filhas? Porque umas casam e outras não? E quando elas voltam com filhos e separadas. Como lidar com isto? As mães sempre acolhem. Os filhos e as filhas. Mesmo resmungando.

Antigamente era comum ouvir: “Meu emprego é uma mãe”. Atualmente é difícil ouvir isto. O emprego também dura pouco e o mundo do trabalho está mais instável do que as famílias.

Com a modernidade, as mulheres desenvolvem novos papéis, como presidentes, executivas, pessoas livres e com poucos filhos; talvez os jovens da Espanha e da Grécia, que vão às ruas por mais emprego e melhores condições de vida, estejam em busca de uma nova sociedade, que lhes acolham como as mães. Mesmo que já não sejam iguais as mães de antigamente. Mas que lhes respeitem e ajudem. Para que eles não fiquem solitários e sem perspectivas.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Sementes da Primavera

Sim, Nós podemos

Ganhar uma eleição e ser ético,
Ser sindicalistas e ser democratas,
Ser de esquerda e ser democrata,
Ser político e ser honesto,
Ser militante e ser respeitoso com as pessoas.

Vitória da Categoria e da Democracia!
Saímos do Centro Sindical dos Bancários de São Paulo depois das duas horas nesta madrugada, de quinta para esta sexta-feira. A Chapa 1, a nossa chapa, encabeçada por Juvândia, teve 83,5% dos votos e a oposição teve apenas 16,5%. Foi a maior vitória desde 1979!

Tinha sindicalistas de todo o Brasil, gente que a gente não via há mais de 15 anos. Foi uma semana de muito trabalho e também de muita confraternização e respeito. Luiz Claudio, que teve sua gestão como presidente efetivamente concluída nestas eleições, participou de todos os momentos da campanha e, tenho certeza, que ele também está muito orgulhoso do resultado.

Nós, da Comissão Eleitoral, eleita na Assembléia Geral dos Bancários sócios do Sindicato, que contou com mais de 1.500 pessoas, tínhamos a missão de conduzir o processo eleitoral da forma mais transparente e neutra possível. Assumimos este compromisso perante os representantes da diretoria do sindicato e também com os representantes da Chapa 1, Rita, e da Chapa 2, Wilson.

Foi um processo importante porque pressupunha garantir que a diretoria não deveria interferir no nosso trabalho e que as informações deveriam ser disponibilizadas para todas as chapas concorrentes e para a categoria bancária. Assim fizemos e, para isto contamos com o apoio dos funcionários e o corpo jurídico. Este pessoal trabalhou muito e com muita qualidade. Ficam nossos agradecimentos. Quero registrar também nossos agradecimentos ao pessoal da Oposição, particularmente ao seu representante Wilson, e também ao advogado da chapa, Dr. Sergio. Ambos trabalharam com a Comissão com o maior espírito de trabalho conjunto.

Queremos registrar também nosso pesar, em função do falecimento do pai de Cidinha, nossa Secretária da Presidência desde 1980. Foi a primeira vez que Cidinha não participou de nossas eleições. Nossas condolências e carinho para Cidinha e todos seus familiares.

Nosso Sindicato tem 88 anos, eu tenho 57, os novos diretores têm em média 26 anos, a mesma idade que nossa Democracia. Posso não ter ficado rico financeiramente, durante tantos anos de trabalho e militância, mas sou rico de alegria ao ver que estes jovens, acreditaram no nosso passado, acreditaram no nosso presente e semearão novas sementes, para que as pessoas que acreditam na importância da primavera possam ver as flores vencendo os canhões. São dos pequenos passos que fazemos as grandes caminhadas.

E para aumentar minha alegria, ao entrar no carro para vir trabalha agora de manhã, liguei o radio na Cultura FM e o som tomou conta de tudo, parecendo que a primavera e o sol lá fora tinha superado o frio deste inverno: Era o som do Concerto Brandenburguês no. 1, de BACH, regido por Robert Von Karajan, o maior regente do século XX. Música dos Deuses.

Por falar em Deuses, ao chegar na minha sala de trabalho tinha um outro presente inesquecível: era o livro com as obras da Exposição ISLÃ – Arte e Civilização, editado pelo Centro Cultural Banco do Brasil e enviado pelo superintende em São Paulo, Marcelo Martins Mendonça.

Todos sabem que sou “Espirita da Teologia da Libertação”, mas sempre adorei também as outras religiões. Mesmo as profanas, como as gregas que diziam: Nada em excesso e conhece-te a ti mesmo. Eu acho que estamos entrando em um novo Renascimento, plural, ético e inclusivo para todos os povos e países. Tenho mais 40 anos de vida e ainda verei muitas primaveras.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

A importância do descanso

Último dia da Eleição dos Bancários de São Paulo

Nesta quinta-feira estaremos concluindo as eleições do Sindicato dos Bancários de São Paulo. São quatro dias de muito trabalho, durante 24 horas. O cansaço é visível em cada expressão, mas há também a satisfação da missão cumprida.

Tivemos a visita de muitos dirigentes sindicais importantes, acompanhando e ajudando na coleta de votos. Os bancários participaram votando nas chapas da sua preferência e assim exercitamos a democracia.

No início da noite teremos a apuração e esperamos que até às dez horas já tenhamos o resultado final. A apuração será aberta para quem quiser acompanhar a contagem dos votos, além de poder torcer para a chapa de sua preferência.

Poderíamos ter coletado mais votos, mas a fusões e incorporações de grandes bancos afetaram a distribuição dos bancários nas agências e centros administrativos, além das demissões em bancos importantes como o Itaú.

Descansar mesmo, só a partir do sábado. Afinal, se até Deus descansou no sétimo dia (sábado), nós que somos mortais e pecadores, também temos direito ao descanso.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Morena, dos olhos d'água...

Por que os trabalhadores da madrugada ouvem rádio

Ao acordar nesta terça-feira às cinco horas da manhã para vir ajudar nas Eleições do Sindicato dos Bancários de São Paulo, depois do banho e de pegar as coisas correndo, entrei no carro e liguei o rádio, para minha alegria, estava na Rádio USP e surgiu uma voz macia... "Morena, dos olhos d'água, tire os seus olhos do mar..." Era nosso querido Chico Buarque cantando mais uma das suas canções inesquecíveis. O cansaço sumiu, o sono acabou e a alegria de vir trabalhar na construção de um mundo melhor guiou-me até o Centro Sindical para ajudar a organizar mais um dia de votações.

No primeiro dia (segunda-feira), mais de dez mil bancários votaram e esperamos coletar perto de quinze mil votos na terça-feira. Assim, poderemos fechar a quarta-feira perto de atingir o quorum obrigatório.

Já tivemos a confirmação que o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Sérgio Nobre, estará presente na apuração dos votos e poderá ser um dos coordenadores da apuração. Todos os bancários, assim como os demais trabalhadores e dirigentes sindicais, estão convidados para a apuração no Centro Sindical dos Bancários, Rua Tabatinguera, 192 - Centro de São Paulo.

Será uma festa humilde, mas será uma grande festa dos bancários e dos trabalhadores. Nas pequenas coisas estamos contribuindo para um mundo melhor.

E quem tiver um parente ou amigo que seja bancário de São Paulo, mande uma mensagem pedindo para ele vir votar e também participar da festa de apuração.

Voltando ao Chico Buarque, "amanhã, vai ser outro dia".

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Democracia dá trabalho

Começaram as Eleições dos Bancários de São Paulo

Chegamos no Centro Sindical às seis horas da manhã, já são mais de oito horas da noite e algumas urnas estarão pegando votos até a madrugada. São mais de mil e quinhentos pessoas trabalhando para coletar quase cinquenta mil votos em quase tres mil locais de trabalho.

Precisamos coletar muito mais votos nestes próximos três dias. Quanto mais rápido os bancários votarem melhor. Para isto, os mesários e o trânsito de São Paulo precisam ajudar também.

Como sempre, coletar votos nas Agências é bem mais fácil do que nos Centros Administrativos. Nesta terça-feira teremos a participação dos bancários de Osasco, que não votaram ontem em função do feriado municipal de Santo Antonio, padroeiro da cidade.

A boa surpresa é a quantidade de dirigentes sindicais bancários e de outras categorias que estão contribuindo como mesários. Tem gente dos mais diversos estados do Brasil. A democracia ajuda assim a participação de todos numa grande confraternização.

Uma outra coisa boa é que o clima entre as chapas está bastante respeitosos, sem as agressões dos momentos mais tensos.

Aos poucos, vamos construindo nossa democracia participativa. Para o sindicato, são 88 anos de história, mas para a juventude, é sempre uma nova história.

sábado, 11 de junho de 2011

O São João de ontem e de hoje

As Escolas estão comemorando o São João

Ao andar pelo bairro, tanto no sábado passado como hoje, observei que as crianças estavam fantasiadas e alegres porque estavam indo para as festas de São João em suas Escolas.
Mas, fui também obrigado a perceber que, para cada escola, há uma característica diferente. Eu moro entre três escolas: uma escola pública estadual, uma escola da Igreja Católica e outra escola particular, com mensalidade para famílias de mais renda.

Provavelmente as músicas sejam iguais nas três festas, os doces e bolinhos também devem ser iguais, as brincadeiras e dança da quadrilha também devem ser iguais. Talvez as três festas também tenham “conjunto” de sanfoneiro, triângulo e zabumba, além de muita pipoca.

Mas o que era mais marcante nas três festas era o ritual de chegada, onde os carros eram diferentes e, pressuponho que muitas outras coisas também sejam diferentes, embora menos visíveis por quem passa na rua. No São João dos ricos, as ruas do entorno da escola estavam cheias de carros importados, cabines duplas e até blindados; no São João da escola da Igreja, as ruas estavam cheias de carros novos, bonitos e em grande quantidade, é a grande classe média; mas no São João da escola pública as ruas tinham poucos carros, os carros existentes eram conservados, mas antigos, daqueles que não tem ar condicionado nem outras coisas dos carros novos, e muitas famílias foram para a festa caminhando, sem carro.

Embora todas as escolas e famílias estejam comemorando São João, a separação social é visível e talvez as pessoas nem se dêem conta disso. É visto como “natural”.

Mas, principalmente para quem foi criado no interior e há mais tempo, isto nunca foi natural, pois praticamente só existiam as escolas públicas e nelas todas as famílias matriculavam seus filhos. O São João era a principal festa da escola, lembrava a origem portuguesa de nossa colonização e o esforço para se construir um Brasil para todos. Nestas escolas públicas estudavam os filhos dos trabalhadores rurais, os filhos de juízes e doutores, os filhos dos comerciantes e imigrantes turcos e japoneses, italianos e libaneses.

Atualmente, mesmo nas cidades pequenas, há escolas privadas e até os pobres querem matricular seus filhos nelas, porque as escolas públicas são precárias. Depauperaram as escolas públicas, deixando para elas os filhos dos excluídos e os professores que não conseguem outra carreira profissional.

Antes que acabem com o São João, precisamos recuperar a importância da escola pública e a dignidade profissional de ser professor ou professora na rede pública estadual. Se países como Alemanha, Holanda, França podem ter um ensino público de qualidade, não podemos querer deixar de ser subdesenvolvidos, sem priorizar a educação, seus profissionais e seus alunos.

Vamos cantar as músicas de Luiz Gonzaga, o rei do baião e o rei do São João!
E vamos trabalhar para ter educação de qualidade para todas as crianças!

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Coisas da Vida

Para que serve um Sindicato?

Na vida há várias coisas que a gente participa, paga, é obrigado a votar, sofre mais as conseqüências do que interfere nelas. Por exemplo, todo mundo reclama da sogra, mas elas estão sempre presentes; reclamamos das religiões, mas até os comunistas são religiosos; reclamamos dos governos, mas não vivemos sem eles; reclamamos das despesas dos convênios médicos e da previdência, mas nosso futuro depende deles.

Assim é também com os sindicatos. Achamos que a maioria deles não serve para nada, a imprensa fala mal deles o tempo todo, os patrões vivem dizendo que são as empresas que pagam os benefícios salariais e que os sindicatos mais atrapalham do que ajudam; mas na hora de definir os aumentos salariais, são os sindicatos que definem; na luta contra as demissões em massa, os sindicatos podem ajudar muito; na definição da PLR – Participação nos Lucros e Resultados, os sindicatos são fundamentais.

No caso dos bancários de São Paulo, o Sindicato tem 88 anos de lutas e conquistas: jornada de seis horas, piso maior do que a média das categorias, vale alimentação e vale refeição bem maiores do que a média dos trabalhadores, licença maternidade de seis meses e mais uma infinidade de direitos que, muitos bancários e a maioria da sociedade desconhecem que foi conquistada com muita greve e muita negociação. Tem o lado esportivo, cultural, educativo e de formação. É um grande sindicato, de uma grande categoria profissional e que tem muita história.

A partir da próxima segunda-feira, dia 13, até o dia 16, estarei coordenando o processo eleitoral do nosso Sindicato dos Bancários de São Paulo. São mais de 200 urnas, quase 50 mil bancários em condições de voto, mais de mil pessoas trabalhando para coletarem votos em quase três mil locais de trabalho. É uma eleição que somente 200 municípios brasileiros fazem.

Vou tentar manter as publicações diárias, porque “o tempo não pára”, e aproveitarei para dar notas sobre o andamento das eleições.

Devemos repensar a forma como a sociedade está organizada. Há partidos, sindicatos e religiões demais. Quase 30 partidos, 20 mil sindicatos e umas 50 religiões. Mas é mais importante ter demais do que se fosse uma ditadura de um partido, um sindicato e uma religião. Isto já aconteceu várias vezes na história da humanidade. Nossa responsabilidade é contribuir para que o Brasil e o Mundo sejam mais livres e democráticos.

Que cada um faça a sua parte.

FERAS FERIDAS

Retrato de Brasilia

Esta música fala por muita gente, mas vai chegar o dia que falaremos de flores e da primavera. Precisamos aprender que democracia é pluralidade, tolerância, reconhecer as diferenças e as capacidades. É hora de levantar o circo, cuidar das feridas, fazer o balanço da batalha e planejar o futuro, para diminuir os erros.
A vida continua...

Fera Ferida

Composição : Roberto Carlos / Erasmo Carlos


Acabei com tudo
Escapei com vida
Tive as roupas e os sonhos
Rasgados na minha saída...
Mas saí ferido
Sufocando meu gemido
Fui o alvo perfeito
Muitas vezes
No peito atingido...
Animal arisco
Domesticado esquece o risco
Me deixei enganar
E até me levar por você...
Eu sei!
Quanta tristeza eu tive
Mas mesmo assim se vive
Morrendo aos poucos por amor
Eu sei!
O coração perdôa
Mas não esquece à tôa
E eu não me esqueci...
Não vou mudar
Esse caso não tem solução
Sou Fera Ferida
No corpo, na alma
E no coração...(2x)
Eu andei demais
Não olhei prá trás
Era solto em meus passos
Bicho livre, sem rumo
Sem laços!...
Me senti sozinho
Tropeçando em meu caminho
À procura de abrigo
Uma ajuda, um lugar
Um amigo...
Animal ferido
Por instinto decidido
Os meus rastros desfiz
Tentativa infeliz
De esquecer...
Eu sei!
Que flores existiram
Mas que não resistiram
A vendavais constantes
Eu sei!
Que as cicatrizes falam
Mas as palavras calam
O que eu não me esqueci...
Não vou mudar
Esse caso não tem solução
Sou Fera Ferida
No corpo, na alma
E no coração...
Sou Fera Ferida
No corpo, na alma
E no coração...

quarta-feira, 8 de junho de 2011

QUATRO FENÔMENOS

Retratos do Brasil

1 – Um que nos Orgulha: Ronaldo
Em qualquer parte do mundo, quando falamos do Brasil, ouvimos logo: Ronaldo e Bossa Nova/Samba. Pelé foi o mais importante, mas jogou há muito tempo. Ronaldo é parte do mundo globalizado, onde o futebol passou a ser a maior manifestação de massas de todos os tempos. E Ronaldo foi um grande “garoto propaganda” do Brasil. Simpático, bom de bola, farrista e bom companheiro. O meninão que saiu da periferia do Rio e virou símbolo mundial. Ontem, a seleção voltou a jogar feio, sem a alegria dos velhos tempos de Pelé e Garrincha, mas quando Ronaldo entrou em campo, a torcida era só alegria. Viva Ronaldo!
E que das periferias deste Brasil afora continuem brotando milhões de Ronaldos.

2 – Um que nos Confunde: Palocci
Finalmente “a montanha se moveu” e a novela palocciana parece que vai acabar. As hienas vão comemorar a saída do ministro, os militantes da base do governo ficarão aliviados e tristes, e os amigos do ministro ficarão sentidos, sem entender como estas coisas acontecem. Nós, que convivemos com Palocci desde a década de 70, sabemos que ele é boa gente, simpático, educado e bom militante. Uma vez almocei com ele e o jogador Sócrates, lá em Ribeirão Preto. Foi um almoço muito alegre e de muitas histórias. Palocci freqüentou muito nosso Sindicato dos Bancários. Quem sabe ele agora tenha tempo para contar mais histórias, inclusive o porquê desta crise. Com certeza não foi por causa do seu enriquecimento, os que lhe acusam bebem da mesma água. O motivo real ainda precisa ser esclarecido.

3 – Um que nos Envergonha: a Justiça Brasileira
Está em todos os jornais. Vou reproduzir aqui a manchete de um jornal sóbrio, de homens de negócios e dos banqueiros, o Jornal Valor Econômico de hoje, 8 de junho de 2011, (guardem esta data): “STJ – Superior Tribunal de Justiça ANULA provas da Satiagraha e a condenação de Daniel Dantas”. Qual era a condenação do banqueiro? CORRUPÇÃO.
Corrupção, corrupto, corruptor, comprador de juízes, de policiais, de jornalistas, de TVs, de políticos, de conselheiros de fundos de estatais. Preciso pedir ajuda a Mino Carta para lembrar de todas as acusações.
Agora que o delegado da polícia federal, Protógenes Queiroz é Deputado Federal, e goza de imunidade parlamentar, podia contar tudo!
Quando teremos uma Justiça que nos cause Orgulho?

4 – Um que nos enche de Esperanças: as Sabiás de São Paulo
Estava hoje cedo na cadeira da dentista, sofrendo com o motor e seu barulhinho infernal, tirando radiografias e suando, apesar do frio. Para aliviar o desespero, ficava olhando para uma palmeira que sempre está presente no primeiro andar do prédio. Lá estava a Sabiá. Como sempre, A SABIÁ pulando de folha em folha da palmeira. E fico olhando e refletindo sobre a beleza de ver tantas sabiás em São Paulo. Em todos os bairros que morei, sempre elas estavam presentes. No quintal, no jardim de casa. Nas árvores da nossa rua. No prédio da dentista e até no Centro da cidade, em plena Praça Antonio Prado, em frente ao Banespão e a Av. São João. E elas cantam, voam, brincam e se reproduzem!

Sim, “minha terra tem palmeiras, onde canta o sabiá”.
E, mesmo com a cidade cheia de prédios e de violências,
As Sabiás, em pleno século vinte e um, continuam mantendo nossas Esperanças.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Todos Perdemos!

Esta novela palocciana é uma situação típica onde todos perdem.

Há situações em que “o empate é o melhor resultado”, como há situações em que perder ajuda na tabela do esporte ou da vida. E, há situações, em que “ganhar é perder”.

Será que Folha ganhou? Como jornal arrogante, no primeiro momento ela ganhou, mas se pensarmos como país, ao vermos a política se degradar, o jornal também perde, porque as pessoas também vão deixando de gostar dos jornais. Eu leio a Folha há 40 anos e nunca vi o jornal tão pobre de política como vejo agora.

E meus amigos me perguntam por que eu mantenho a assinatura do jornal. Eu respondo, é porque eu gosto da parte cultural e de reportagens mais amplas. Se fosse só pela política eu já teria deixado de ler. Mas eu leio o Estadão, o El País, The Economist, entre outros. Ler só a Folha deixa as pessoas iguais a leitores da veja...

Será que a Globo ganhou? O noticiário da Globo é igual a sua novela das nove. Pura esquizofrenia. O Ibope fala mais do que os críticos.

Se Palocci ficar, podemos comemorar?
Como dizia Machado de Assis: “No entanto, ela é manca...”
Isto é, teremos um ministro manco, como temos um presidente do Congresso manco, no sentido machadiano. Afinal, vivemos num país manco e cheio de misérias.

Deixemos os tucanos oportunistas de lado, e pensemos na militância do nosso partido e da nossa frente partidária. Quase todos sentimos o “mal estar” causado pela forma como Palocci atuou no passado e no presente. É preciso ajudá-lo a superar os erros, mas também é preciso acompanhá-lo de perto para que os seus erros não prejudiquem muita gente, principalmente as pessoas do governo, da família e da militância. Amigo é pra estas coisas. Lembram desta música? O velho Chico. “Sim, como é que vai?”

Podemos ser pobres, podemos ter pouca escolaridade, podemos falar errado, podemos ser falastrão, podemos ser feios; mas não podemos perder nossa dignidade nem nossa credibilidade. Isto Lula falava nas assembléias da Vila Euclides. Isto nós multiplicamos nos locais de trabalho, nas escolas, nas festas e nos comícios.
A Classe Trabalhadora tem DIGNIDADE. Os mais velhos se lembram bem.

Os urubus que diziam que Dilma estava fazendo o governo que Serra faria, agora estão batendo em Dilma porque “ainda não demitiu Palocci”. Mas do que demitir ou não Palocci, precisamos é dar uma cara para o governo. Um governo que tem uma presidenta honesta, trabalhadora, organizada e que exige o crescimento econômico, com distribuição de renda, melhoria da qualidade da infraestrutura, das políticas públicas e, principalmente, com o Combate a Miséria. Ou das misérias.

Dilma, conte com a gente. Na dúvida, conclame o povo e a militância!
Nós responderemos: PRESENTE!

sábado, 4 de junho de 2011

Não vi, não li e não gostei

Como separar o joio do trigo?

Depois de toda confusão criada com a reportagem da Folha de SP sobre o rápido enriquecimento de Palocci, depois de ver a Rede Globo esculhamando com o governo e com a confusão palocciana, nós, que trabalhamos tanto para eleger e manter nosso governo, somos obrigados a ver o mesmo Palocci procurar a Folha e a Globo para dar ENTREVISTA EXCLUSIVA!

É muita falta de respeito com a militância e todos aqueles que apoiam o governo. Não adianta dizer que foram os estrategistas de marketing que recomendaram isto. Eles sozinhos não ganham eleições!

Se quer falar com a imprensa, que fale com toda a imprensa, dê uma coletiva. Ou que solte uma Nota Oficial.

E depois, quando falo da miséria dos políticos descomprometidos com o social, sou criticado por correr o risco de ter generalizado. Generalizei os que não tem compromisso com o social, a minoria tem. Mas é a minoria. Se fosse a maioria não e staríamos vivendo este circo. O mesmo vale para os impostos, a educação, a violência e os transportes.

É preciso recomeçar, rearticular as pessoas dos mais diversos partidos e os sem partidos que querem que este país seja uma verdadeira democracia.

Se do caos sai a luz, ainda temos esperança. Mas, quanto mais demoramos a reagir, mas as ruas estarão nos esperando para a Primavera Brasileira.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Gostei da campanha “O Brasil sem Miséria”, mas...

No Brasil as misérias estão em toda parte

Vamos escolher QUAIS MISÉRIAS devemos combater:

- a miséria do descompromisso social dos políticos;
- a miséria dos impostos que não beneficiam a população;
- a miséria do transporte coletivo nacional;
- a miséria da superlotação no metrô e nos trens de São Paulo;
- a miséria da saúde pública, principalmente dos Hospitais;
- a miséria do ensino público e dos salários dos professores;
- a miséria nas favelas;
- a miséria da lerdeza da Justiça brasileira;
- a miséria da violência quotidiana;
- a miséria da manipulação da imprensa;
- a miséria da corrupção pública e privada;
- a miséria do preconceito;
- a miséria da manipulação da nossa história, em relação aos índios, negros e pobres;
- a miséria da decadência do nosso futebol;
- a miséria da falta de coragem de dar um basta a tanta miséria.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

As águas vão rolar...

As várias Frentes de Conflitos do Governo

Como foi avisado, o resultado do leilão do Banco Postal ainda vai dar muito o quê falar. O governo agora enfrenta várias frentes de conflitos delicados. O Código Florestal, o Empresário Palocci, a Infraestrutura para Copa e Olimpíadas, e mais as privatizações dos principais aeroportos do Brasil. Sem falar da Banda Larga e de Belos Montes...
Muitas águas ainda vão rolar...

Voltando ao Banco Postal, vejam a matéria de Nassif. Ela cheira a recado. Vamos ver se as partes citadas esclarecem.
O leilão do Banco Postal e o pescoço de Agnelli
Coluna Econômica – Luis Nassif - 02/06/2011

No dia 3 de abril passado o Estadão
perpetrou uma reportagem com toda a aparência de ter sido bem apurada. O título era “O que selou o destino de Agnelli para que ele perdesse o comando da Vale”.
A reportagem se vendia bem. Na abertura informava terem sido envolvidos na matéria 11 jornalistas - incluindo o diretor da sucursal de Brasília. Teriam sido ouvidos dois diretores e um ex-funcionário da Vale, três ministros, quatro parlamentares e dois advogados do sistema financeiro.
Depois dessa apresentação, afirmava taxativamente que o Bradesco tinha rifado o pescoço do presidente da Vale, Roger Agnelli, em troca da manutenção do seu contrato com os Correios, no Banco Postal e da parceria com o Banco do Brasil.

Antes de ontem houve o leilão da concessão do Banco Postal. E o Bradesco perdeu para o Banco do Brasil. Obviamente, a notícia era falsa.
O edital do leilão foi estruturado da seguinte forma: o vencedor teria de pagar R$ 500 milhões pelo direito de utilizar as 6 mil unidades dos Correios, mais R$ 350 milhões pelo direito de explorar produtos e serviços financeiros na rede e mais o lance que for vitorioso em leilão.
Somadas as três parcelas, o desembolso total do BB foi de R$ 3,15 bilhões. O prazo do contrato é relativamente curto – de 5 anos. Ao final, o vencedor poderá renovar, pagando o mesmo valor acrescido de juros do período.

O Banco Postal tem a mesma função do correspondente bancário. Não permite nem conta corrente, fornecimento de talão de cheques ou compensação bancária. Hoje em dia há milhares de supermercados, farmácias, restaurantes, loterias e comércio em geral cumprindo essa função, sempre em parceria com um banco comercial.

No caso do Bradesco
, são cerca de 29 mil correspondentes em todo país, sem contar os do Banco Postal.
O Banco Postal começou a operar em 2001. Na época o Bradesco venceu o leilão como candidato único, pagando R$ 200 milhões. Em dez anos conquistou 5 milhões de clientes.
Até janeiro de 2012, o Bradesco continuará operando a parceria. O desafio do Bradesco será manter a clientela; o do BB, tirá-la do Bradesco.

Para Alexandre Correa Abreu, vice-presidente do BB
, a operação permite antecipar em cinco anos os investimentos que o banco iria fazer na ampliação da sua rede, atrás de dois focos: os clientes de baixa renda e a regionalização da economia.
Foi um investimento estratégico, embora de maturação lenta. Os Correios possuem 6.100 pontos, 2.500 deles em locais onde o BB não tem agência. O BB economizará tempo de implantação de tecnologia, montagem de pontos, contratação e treinamento de pessoas.

O BB possui hoje 55 milhões de clientes. Os estudos do banco indicaram que o Banco Postal tem potencial de 10 milhões de pessoas – 5 milhões dos quais já são correntistas do Bradesco.
O BB disputará com sua linha de produtos e com algumas linhas que só ele opera, como o Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar ) e o Minha Casa Minha Vida para clientes de até 3 salários mínimos de renda.

O fator Agnelli


O mero fato de ter havido disputa e o BB ter vencido comprovava que era falsa a tese de que o Bradesco teria se curvado à pressão do governo no episódio Vale. Mas a versão passou a ser mais importante que o fato.
A matéria da Folha dizia que o «leilão surpreendeu o mercado e até a presidente Dilma Rousseff». Mais: «Por ser um negócio atrativo, todos esperavam que o Bradesco iria cobrir qualquer oferta para manter o negócio. O banco, aliás, concordou em tirar Roger Agnelli da presidência da Vale, em busca de apoio do governo em questões estratégicas como o Banco Postal».
Embora desmentida pelos fatos, a versão foi mantida.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

É preciso falar das flores

E também de João Gilberto

Estou desde segunda-feira tentando escrever sobre João Gilberto, mas as noticias políticas e econômicas tomam meu tempo e eu vou deixando para depois. Mas aí está a importância do auto-controle e do planejamento. Eu prometi para meus amigos que este blog não seria voltado apenas para política e economia. Que também falaria das flores, da música, da arte e da vida. Afinal, o trabalho não é fim, o trabalho é o meio para construirmos uma vida melhor, para nossa família e nossa comunidade.

Na sexta-feira passada, dia 27, falamos da “guerra política” e da imprensa, indagando qual seria a linha dos jornais no fim de semana. Eles amainaram, sinalizando o que viria a ser noticiado na segunda e na terça. O governo reconheceria a necessidade de ouvir mais “os congressistas” e seus aliados. Mesmo sendo ao preço do “vale tudo”.

O mais bonito foi ver o Estadão publicar quatro páginas no sábado, dia 28, sobre “O Grande João Gilberto” e a TRILOGIA SAGRADA, com textos e fotos maravilhosas!

Como foi que apenas três discos
ergueram os pilares da música brasileira
mais respeitada no exterior

Zuza Homem de Mello / pesquisador - O Estado de S.Paulo - 28 de maio de 2011

Quando foi lançado, no primeiro trimestre de 1959, o LP Chega de Saudade de João Gilberto provocou a mais completa reviravolta na história da música popular brasileira. João, que faz 80 anos dia 10 de junho, já era o que havia de mais espantoso com dois discos singles (de 78 rotações) gravados no ano anterior.
As quatro novas canções haviam virado a cabeça de jovens inclinados, mas ainda não decididos, a seguir a carreira de músico. Eram Chega de Saudade, Bim Bom, Desafinado e Ho-ba-la-lá, e entre os jovens estavam Gilberto Gil, Caetano Veloso, Chico Buarque, Milton Nascimento, Edu Lobo, Francis Hime e outros mais que formariam a nata de compositores. A música de João os fez determinados.
João demonstrou que sambas do passado entravam na dança de sua revolução musical. Os dois sambas de Ary Barroso, Morena Boca de Ouro e É Luxo Só, o de Dorival Caymmi, Rosa Morena e até um clássico de seu ídolo Orlando Silva, Aos Pés da Cruz, de Marino Pinto e Zé Gonçalves, também passavam a ser uma coisa nova na concepção de João Gilberto.

Era uma outra bossa que nem Ary nem Caymmi nem Orlando sonhavam poder existir. João Gilberto demonstrou que era uma nova bossa. Ficou nítido que a bossa nova, expressão aplicada por Tom Jobim para defini-lo no texto da contracapa, não era um gênero. Era uma forma leve extensível a qualquer canção brasileira.
Esse primeiro LP de João Gilberto dura 22 minutos e 35 segundos definindo outra marca inédita, a economia, a depuração do supérfluo. Na condução dos arranjos de Tom Jobim o guia era o violão de João Gilberto. Espremendo a essência de cada canção, João concentrava a fluidez rítmica e melódica; penetrando na sua construção original, introduzia com Tom uma harmonia de acordes invertidos executados em bloco. Sem perda do caráter brasileiro, aquela música alcançava um contexto universal.

A contracapa do segundo LP, gravado em pouco mais de uma semana no primeiro semestre de 1960, trazia uma novidade abaixo da apresentação, também de Tom Jobim: o texto das 12 canções propiciando que se ouvisse cada uma delas lendo a sua letra, o que passou a ser característica de discos brasileiros. O repertório reunia canções essenciais da bossa nova, uma obra-prima de Carlinhos Lyra, Se É Tarde me Perdoa, outra de Tom, Corcovado, uma terceira de Tom e Newton Mendonça, Meditação, com o verso que deu título ao disco, "o amor, o sorriso e a flor", e o estigma do bom humor na bossa nova, O Pato do ilustre desconhecido Jayme Silva, simbolizando a ligação de João com antigos conjuntos vocais. Na primeira faixa estava o mais convincente modelo de integração texto/melodia da música brasileira, o Samba de Uma Nota Só, de Tom Jobim e Newton Mendonça, possivelmente a síntese da bossa nova nos fundamentais elementos de letra, melodia, ritmo e harmonia. A interpretação de João é direta e enxuta com um final seco após 1 minuto e 35 segundos de perfeição.

Ao contrário do segundo, o terceiro LP foi concluído a duras penas após 5 meses e em duas fases, a primeira com a participação do conjunto do organista Walter Wanderley, um músico excepcional, e a segunda com orquestra sob regência de Tom Jobim que também fez os arranjos. Sambas do passado de Caymmi, Geraldo Pereira e da dupla Bide & Marçal eram de tal forma alterados na rítmica e na harmonia que não soavam como outra versão mas como um outro samba. Mais uma vez João introduz elementos de elasticidade e flexibilidade através de rubatos ou suspensões, apressando ou encurtando frases, ou ainda colocando versos fora do lugar para depois aguardar com o violão e seguirem juntos novamente. Com sua voz cálida incorpora novos clássicos da bossa nova, Coisa Mais linda, O Amor em Paz e Insensatez.

Mas o maior acontecimento desse disco, que tem seu nome como título, foi a apresentação das primeiras gravações de João com violão e nada mais, formando uma entidade que seria a tônica de seus recitais, o que há de mais sublime na música brasileira ainda hoje. Não é um cantor se acompanhando ao violão, são os dois juntos, é um novo conceito representado por dois timbres diferentes, o das cordas vocais e o das cordas do violão formando um terceiro timbre, o de João Gilberto.

Caso não tivesse gravado nada mais,
bastaria essa trilogia para que João tivesse completado sua obra.
Os 3 discos, que estão fora do mercado se mantêm tão atuais
como se gravados hoje, às vésperas de seus 80 anos.