sexta-feira, 29 de abril de 2011

Divirta-se com Verissimo


Diálogo urbano, no meio de um engarrafamento. Carro a carro.

- É nisso que deu, oito anos de governo Lula. Este caos. Todo o mundo com carro, e todos os carros na rua ao mesmo tempo. Não tem mais hora de pique, agora é pique o dia inteiro. Foram criar a tal nova classe média e o resultado está aí: ninguém consegue mais se mexer. E não é só o trânsito. As lojas estão cheias. Há filas para comprar em toda parte. E vá tentar viajar de avião. Até para o exterior - tudo lotado. Um inferno. 

Será que não previram isto? Será que ninguém se deu conta dos efeitos que uma distribuição de renda irresponsável teria sobre a população e a economia? Que botar dinheiro na mão das pessoas só criaria esta confusão? Razão tinha quem dizia que um governo do PT seria um desastre, que era melhor emigrar. Quem pode viver em meio a uma euforia assim? E o pior: a nova classe média não sabe consumir. Não está acostumada a comprar certas coisas. Já vi gente apertando secador de cabelo e lepitopi como e fosse manga na feira. É constrangedor. E as ruas estão cheias de motoristas novatos com seu primeiro carro, com acesso ao seu primeiro acelerador e ao seu primeiro delírio de velocidade. O perigo só não é maior porque o trânsito não anda. É por isso que eu sou contra o Lula, contra o que ele e o PT fizeram com este país. Viver no Brasil ficou insuportável.

- A nova classe média nos descaracterizou?
- Exatamente. Nós não éramos assim. Nós nunca fomos assim. Lula acabou com o que tínhamos de mais nosso, que era a pirâmide social. Uma coisa antiga, sólida, estruturada...

- Buuu para o Lula, então?
- Buuu para o Lula!
- E buuu para o Fernando Henrique?
- Buuu para o... Como, "buuu para o Fernando Henrique"?!

- Não é o que estão dizendo? Que tudo que está aí começou com o Fernando Henrique? Que só o que o Lula fez foi continuar o que já tinha sido começado? Que o governo Lula foi irrelevante?
- Sim. Não. Quer dizer...

- Se você concorda que o governo Lula foi apenas o governo Fernando Henrique de barba, está dizendo que o verdadeiro culpado do caos é o Fernando Henrique.
- Claro que não. Se o responsável fosse o Fernando Henrique eu não chamaria de caos, nem seria contra.
- Por quê?
- Porque um é um e o outro é outro, e eu prefiro o outro.
- Então você não acha que Lula foi irrelevante e só continuou o que o Fernando Henrique começou, como dizem os que defendem o Fernando Henrique?
- Acho, mas...
Nesse momento o trânsito começou a andar e o diálogo acabou.

Buuu
28 de abril de 2011 | 0h 00 - Luis Fernando Verissimo - O Estado de S.Paulo
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110428/not_imp711779,0.php

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Estão desmontando a Rádio e TV Cultura de SP

Demitiram Julio Medaglia

Para nós, amantes da música clássica, ler ou ouvir uma notícia desta, dar uma dor no coração. Moro em São Paulo há mais de 40 anos e sempre ouvimos e vemos a Radio e a TV Cultura. Meu irmão participou do Festival de Inverno de Campos de Jordão com o Maestro Eleazar de Carvalho. Já estivemos várias vezes com a família acompanhando este festival de inverno. Minha filha cresceu assistindo aos programas infantis da TV Cultura. O noticiário que mais víamos era da Cultura, quando Heródoto apresentava. Sempre ouço a Rádio Cultura quando estou dirigindo. Enfim, a Cultura faz parte da nossa vida.

O Maestro Júlio Medaglia também faz parte da história de São Paulo e da sua capital. A Associação Viva o Centro e a BM&F já trouxeram o Maestro para reger no Coreto da Praça Antonio Prado. Lembram? Julio Medaglia é daquelas pessoas que tudo que aparece dele a gente ler ou pára para ouvir. É como ouvir música de Elis Regina. Todas são boas, quando ela canta!

Ontem eu fiz um texto sobre “O Respeito aos Deficientes – e a Folha Bancária em Braille”. Os deficientes visuais poderão ler a Folha Bancária. Julio Medaglia fez uma serie de programas sobre “Os Compositores que ficaram Cegos” – como BACH. Hoje, parece que o pessoal do governo de São Paulo está sofrendo da CEGUEIRA DA ALMA. Estão desmontando a Cultura. Se a OSESP é de São Paulo, mas é também do Brasil, a Radio e TV Cultura também têm compromissos com o Brasil.
Hoje, não tive coragem de ligar na Cultura. Vim direto para escrever esta mensagem e reproduzir a entrevista de Julio Medaglia, publicada no Estadão. Gostaria de ajudar mais. Fica minha solidariedade.

Júlio Medaglia:
'É triste, estão desmontando a Cultura'

Após 25 anos na emissora, regente soube na terça que não ia continuar
28 de abril de 2011 | 6h 00 - Jotabê Medeiros - O Estado de S. Paulo
Júlio Medaglia, de 73 anos, foi surpreendido nesta terça-feira. Após 25 anos na TV Cultura, teve o contrato rescindido. O maestro apresentava o Prelúdio (programa de calouros de música erudita), e mantinha na Rádio Cultura o programa diário Temas e Variações, às 11 horas.
Para Medaglia, TV Cultura barateia custos com prejuízo à qualidade dos programas
O último programa foi ao ar na própria terça, sobre o compositor Bernard Hermann. Ex-aluno de Pierre Boulez, Stockhausen e John Barbirolli, Medaglia foi fundador da Amazônia Filarmônica e dirigiu a Orquestra da Rádio de Baden-Baden e a Rádio Roquete Pinto.

O que lhe disseram ao demiti-lo?
Quem me chamou foi o João Sayad (presidente da TV Cultura). Disse muito obrigado, que fui importante, mas que ia colocar jovens para fazer o programa de rádio e a cobertura dos projetos de ópera e ia comprar um enlatado americano para a TV. Curioso porque, quando assumi, ele me chamou e ficamos quase duas horas conversando. Ele me perguntava coisas e tomava notas em um caderninho. Mas, ao me demitir, não demorou nem um minuto e meio. Tinha 24 anos de programa e fui demitido em um minuto e meio. Ele resolveu seguir as opiniões de outras pessoas. Sei quem é a pessoa que conduz esse desmonte, mas não vou dizer porque não tenho como provar.

O sr. era caro para a emissora?
No começo, eu era funcionário. Fui demitido em 2005 e transformado em PJ (Pessoa Jurídica). A direção achou que eu não podia ser personalidade física e jurídica ao mesmo tempo. Passei a ganhar R$ 4 mil, mas sem direitos trabalhistas, sem plano de saúde. No fim, estava pagando para trabalhar. Mas continuei porque achei que valia a pena. Tivemos até 2 mil jovens no programa Prelúdio. Prestamos alguns serviços, e revelamos uma geração inteira de novos músicos. O programa trazia um público jovem para a casa, o Instituto Goethe dava uma bolsa na Alemanha para o vencedor, o Consulado Italiano dava outra para a Itália. E não custava nada para a emissora. A orquestra era paga por um convênio. Recebíamos toneladas de cartas. Estão desmontando a Rádio Cultura inteira, a TV Cultura também. É uma coisa triste. Estão sendo dirigidos por pessoas que não sabem dirigir, com uma programação sucateada, programas infantis que vão sendo repetidos.

Qual era o tamanho da sua equipe?
Eu tinha um produtor, mas foi demitido há alguns meses. Era apenas o locutor. Depois que demitiram a Marta Fonterrada (produtora e radialista), eu mesmo estava pesquisando e produzindo tudo. Marta era uma pessoa muito bem preparada, uma profissional de grande gabarito.
Desde então, eu definia algum tema, como por exemplo "Compositores que ficaram cegos", e aí reunia a obra de Bach, Haendel, e assim por diante, e montava o programa. Foi assim nos últimos seis anos, cada dia uma ideia diferente.

Quais são seus planos para o futuro imediato?
Bom, eu continuo à frente de um projeto em São Bernardo do Campo, a solidificação de uma orquestra. Estou me inspirando no que Simon Rattle (maestro inglês) fez em Birmingham, a prospecção de talentos numa zona industrial, tradicionalmente de pouca atividade cultural. A partir da orquestra, revitalizou toda uma cidade. É um projeto bacana de São Bernardo, que pretende instalar um teatro para a gente nos antigos estúdios da Vera Cruz, que abrigará um grande centro cultural.

http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,julio-medaglia-e-triste-estao-desmontando-a-cultura,711636,0.htm

quarta-feira, 27 de abril de 2011

"Eu tenho compromisso em controlar a inflação

Sem controle, não há desenvolvimento sustentável", afirmou a presidente Dilma Rousseff.

"Eu cumpro meus compromissos. também tenho compromisso com o desenvolvimento econômico e social, pois é o que gera emprego e garante a inclusão." 

Depois da matéria de ontem sobre "O Medo da Inflação e do desemprego", ver o noticiário de hoje sobre o posicionamento do governo Dilma em relação aos compromissos com o povo brasileiro, a gente tem orgulho de ter trabalhado muito para elegê-lo.  

Vejam a matéria no jornal o Estado de SP:

Dilma diz que não sacrificará emprego e crescimento para combater inflação
Mas presidente diz em reunião do Conselhão que está atenta, dia e noite, às pressões inflacionárias, ''venham de onde vierem''

Economia - 27 de abril de 2011 | 0h 00- Leonencio Nossa e Célia Froufe / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

O governo não vai controlar a inflação à custa do desemprego e da redução drástica do crescimento. A meta foi exposta ontem, de maneira explícita, pela presidente Dilma Rousseff, aproveitando a sua primeira participação na reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), o "Conselhão".

Diante de empresários, sindicalistas, artistas e ativistas sociais, ela disse é "sempre melhor enfrentar os problemas do crescimento do que os problemas do desemprego, da falta de renda, da falta de investimento e da depressão econômica". Numa referência aos críticos preocupados com a possibilidade de o governo perder controle sobre os preços, Dilma disse que "está atenta dia e noite às pressões inflacionárias, venham de onde vierem".

Acrescentou que "compreende" o "calor da paixão" no debate econômico, mas prefere aguardar a eficácia de medidas já tomadas para manter a política de fazer "reduções seletivas" do crédito e do consumo e chegar a um "crescimento moderado".

Antes do pronunciamento da presidente, o ministro Guido Mantega (Fazenda) fez uma explanação detalhada sobre a visão do governo em relação ao momento econômico mundial e do País. Dois dos 26 slides exibidos - com planilhas que juntavam indicadores e propostas de política econômica - resumiram o que Dilma anunciaria em seguida.

O slide 17 da apresentação do ministro Mantega mostrou que a política do governo é "reduzir a expansão do crédito e moderar o crescimento da demanda sem matar a galinha dos ovos de ouro" - que é o crescimento.

O slide 18 explicitou até uma divergência em relação ao governo Lula: o ajuste do governo Dilma, afirmou, "não é o (ajuste) tradicional". Além de alertar para o fato de que as reduções seletivas não atingirão o investimento, a planilha acrescentava: "Em 2011, continuam (os) estímulos ao investimento".

Mantega admitiu que, neste ano, não será possível repetir a "exuberância" do crescimento da oferta de emprego de 2010, quando foram criados mais de 2,5 milhões postos formais.

Herança. Dilma disse que tomará todas as medidas necessárias para garantir a preservação da "nova classe média", o que chamou de "maior e melhor herança" recebida da era Lula.

Ao defender o crescimento, ainda que "moderado", ela pregou inclusão social e o funcionamento dos canteiros das obras do PAC e do Minha Casa, Minha Vida - na prática, a execução do Orçamento mostra que, pelo menos por enquanto, o governo não está fazendo investimentos nesses programas.

Para a presidente, o País ainda tenta consolidar a recuperação da crise financeira de 2008 e sofreu choques internos recentes, como a alta dos preços de alimentos e do etanol.

"Eu tenho compromisso em controlar a inflação. Sem controle, não há desenvolvimento sustentável", afirmou. "Eu cumpro meus compromissos. também tenho compromisso com o desenvolvimento econômico e social, pois é o que gera emprego e garante a inclusão."

Respeito aos Deficientes


Folha Bancária em Braille

Para superar os medos da vida, nada melhor do que poder contar com bons parceiros. Os bancários de São Paulo, Osasco e Região acabam de receber mais uma atividade regular de inclusão social e defesa dos trabalhadores. Com a criação da Folha Bancária em Braille e com letras maiores, a entidade dá mais um passo importante para informar melhor os bancários que têm deficiência visual. O informativo quinzenal trará um resumo das principais notícias, o que está sendo reivindicado junto aos bancos e as conquistas e novidades da categoria e da sociedade.

O Sindicato já tem a Folha Bancária, a TVB, twitter, site, CineB, Momento Bancário, jornais de bancos, Revista Brasil Atual, Rede Brasil Atual. Enfim, uma variedade muito grande de informação. Afinal, são mais de três mil locais de trabalho e a categoria tem nível universitário. É raro encontrar um bancário que não esteja na faculdade ou não tenha cursado universidade. Informação é poder!

Ao completar 88 anos de vida, nós, os bancários antigos, ficamos ainda mais orgulhosos do nosso Sindicato. E tenho certeza que os jovens bancários vão aprendendo a gostar e ter orgulho de terem um Sindicato que continua honrando a história dos bancários e dos trabalhadores brasileiros.
No Brasil inteiro sempre encontramos alguém que, ou foi bancário em São Paulo ou teve algum parente que trabalhou em São Paulo. Na luta pela redemocratização do Brasil, os bancários de todo país se uniram para reconquistarem seus sindicatos e lutarem por mais salário e respeito aos seus direitos. E agora com os novos meios de comunicação, o mundo vem conhecendo cada vez mais nossa vida sindical.

Que todos os deficientes visuais possam usufruir deste beneficio que o sindicato proporciona e que sejam bem-vindos ao nosso dia a dia por uma vida melhor e mais acolhedora. Que a alegria de cada um se multiplique, iluminando aqueles que ainda não perceberam a importância de ter um bom sindicato como parceiro.