quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

Os Yamane fazem aniversário...

Como, além do aniversário de Sr. Yamane, 25, há também os aniversários de Tica, 23, e amanhã o de Reiko,26, gosto de lembrar a saga dos Yamanes. Uma bela história... Yassuo Yamane – Uma história de sucesso no Brasil Um aniversariante especial – Yassuo Yamane Nascido no dia 25 de fevereiro de 1912, em Tottori, no Japão, a família Yamane chegou ao Brasil no dia 28 de setembro de 1926, tendo saído do Japão em 28 de julho, portanto, depois de três meses dentro do navio. Os sonhos e esperanças neste Brasil continental logo mostraram que não eram fáceis de se realizarem. As condições de trabalho eram precárias e os Yamanes montaram uma estratégia familiar para ter suas próprias terras ou trabalhar na cidade. Em 1926, o mundo fervia, o Brasil crescia e ninguém imaginava o que seria1929... Com a crise do café e depois de anos na agricultura, Yassuo Yamane, pediu autorização à família e foi aprender a trabalhar no comércio, nas lojas de outros imigrantes japoneses, em São Paulo, em 1936. Em 1937 veio trabalhar em Bilac e em 1939, Yassuo Yamane compra sua primeira loja na cidade de Bilac. Em 1951, muda com a família para Birigui e compra uma loja. Em 1966 abriu o primeiro supermercado de Birigui, depois abrindo novas unidades do Supermercado Yamane. Acompanhando o crescimento econômico do Brasil. Com o sucesso econômico, também vieram o casamento e os filhos. Foram onze filhos... Os onze filhos estudaram, cursaram universidades e viveram felizes...

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

Militares ou Chicago's boys - E o Povo brasileiro?

Jornais ocidentais repudiam o fato de o presidente do Brasil, militar Bolsonaro, ter indicado um general para a presidência da Petrobras. O "mercado", que na verdade são os representantes dos banqueiros e dos investidores conservadores, diz que não pode ter militares dirigindo as estatais, que estas devem ser privatizadas à preços de bananas, como fizeram e fazem os governos do PSDB. Bolsonaro estaria quebrando o compromisso com o mercado. Acontece que este compromisso com o mercado, na verdade signficou que Bolsonaro faria as mudanças nas leis sociais e Guedes, o porta-voz dos Chicagos's boys, cuidaria da economia e das estatais. Ambos contra as conquistas sociais e a favor da concentração de renda. Só que a economia deve estar à serviço do povo e das empresas, mas o povo deve vir em primeiro lugar. Para os neoliberais, povo é passivo, é despesa, é cuidar de pobres e de doentes, duas grandes fontes de problemas... Entre o povo e as empresas, ironicamente, Bolsonaro prefere o povo, porque ele gostou de estar na presidência e quer ser reeleito em 2022. Mesmo que, para isto, ele tenha que contrariar o "mercado", os especuladores, os mercenários e os entreguistas da Soberania Nacional. Enquanto Bolsonaro dá uma guinada à Venezuela, buscando respaldar-se nos militares e no povão, o PSDB vai percebendo que não terá chance nas eleções de 22, e a China aproxima-se cada vez mais da Índia, deixando o Brasil de lado... Ao mesmo tempo que China, Índia e Rússia crescem economicamente e vendem VACINAS, o Brasil afasta-se da economia, da política e do social internacionalmente. O Brasil anda para trás. E a culpa não está nos militares atuais que estão nos cargos públicos. Se os combustíveis tiveram 30% de reajuste e os salários zero ou 1%. Quem está errado, com certeza, não são os militares, são os neoliberais, que fazem o povo de bobo. Os representantes da elite nacional - banqueiros, empresários em geral, imprensa, judiciário, acadêmicos e religiosos - na sua maioria, apoiaram a derrubada do governo Dilma/PT e preferiram ver o Brasil nas mãos de Bolsonaro a deixar o Brasil ser governado pelo PT. Portanto, não têm o que reclamar, tem que trabalhar e ajudar a tirar o Brasil da crise. Afinal, é importante lembrar que "nem sempre ser louco é ser burro", e Bolsonaro tem muito de louco e oportunista, mas de burrice, ele tem muito pouco. Até as eleições gerais de 2022 muita coisa vai acontecer.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

Provocações de Kennedy Alencar

Bolsonaro acerta ao questionar política de reajuste de combustíveis Kennedy Alencar - Colunista do UOL 22/02/2021 11h59 O presidente Jair Bolsonaro acerta ao questionar a política da Petrobras para reajustar os preços dos combustíveis. A gasolina já subiu mais de 30% só neste ano. O diesel bateu quase nos 30% no mesmo período. Em uma situação normal, o impacto de reajustes dessa magnitude provocaria danos na economia na real. Num ano de pandemia, agravam ainda mais os efeitos econômicos sobre os mais pobres. Pessoas que se cotizam para viajar de carro do entorno de Brasília a fim de vir trabalhar no Plano Piloto se dizem preocupadas. É gente que gastaria duas horas num ônibus para ir e mais duas horas para voltar que deu um jeito de fazer esse trajeto em uma hora, uma hora e meia. Esse pessoal pagaria R$ 15,00 para ficar de pé num ônibus durante umas quatro horas. Mas essas pessoas preferem o "luxo" de viajar sentadas num carro a R$ 16,00 (ida e volta). Isso é a vida real de muitos brasileiros que não trabalham na Faria Lima. Nem é preciso comentar o efeito no trabalho de caminhoneiros, motoristas de aplicativos e taxistas. O impacto negativo no mercado financeiro também afeta a economia. Isso não pode ser negado nem desprezado. Como sempre, Bolsonaro errou na forma. Quer instalar mais um general na cúpula do governo com a indicação de Joaquim Silva e Luna para presidir a Petrobras. É um retrato da venezuelização que Bolsonaro implementa sem constrangimento. Vai dar trabalho tirar esses militares das estruturas civis. Mas voltemos à Petrobras. Quem compra uma ação da empresa sabe que o acionista majoritário é o estado brasileiro. A Petrobras é um dos alicerces da cambaleante economia brasileira. Tem impacto em diversas cadeias produtivas. Com aval de uma imprensa que só defende o lado do "mercado", é fácil ter ações de uma empresa estatal querendo que ela se comporte como se privada fosse. Se der prejuízo, o Tesouro cobre. Se der lucro, maior distribuição de dividendos e realização de lucros ao vender ações. É óbvio que os direitos dos acionistas minoritários devem ser respeitados. Mas, se o investidor não quer correr o risco de uma intervenção governamental na empresa, pode comprar ações de companhias privadas. Uma política de reajuste completamente atrelada ao dólar, com aumentos em períodos tão curtos, causa distorções na economia. Não deveria ser pecado debater isso. Encontrar uma fórmula que amenize choques de preço é algo bem capitalista. O "deus mercado" sabe disso, mas também sabe que o Brasil tem uma elite predatória e egoísta que se lixa para os mais pobres e as suas vidas reais. Detalhe: os motoristas que fazem o transporte de passageiros do entorno de Brasília ao Plano Piloto evitaram repassar automaticamente a subida da gasolina e absorveram, por enquanto, a elevação. Mas parece heresia pedir à Petrobras maior previsibilidade para os preços cobrados dos consumidores. O hipócrita Os democratas de pandemia que agora atacam Bolsonaro sabiam que comprovam gato por lebre. O "moderadinho do Brasil", Luciano Huck, passou a tuitar sobre negacionismo e confiança. Ele se posiciona como alternativa "aos extremos". Ora, extremismo é votar em Bolsonaro achando que ele teria chance de ouro de ressignificar a política no Brasil. É uma figura com essa capacidade de discernimento que se apresenta como alternativa presidencial, com a torcida de muitos jornalistas. Sério? Não tem Armínio Fraga que dê jeito. O que aconteceu com Paulo Guedes, o selo de garantia para controlar Bolsonaro? Quando uma pessoa se senta na cadeira de presidente, ela faz o que lhe dá na telha. O preparo para o posto conta muito. Viajar de jatinho para fazer caridade televisiva não é conhecer os rincões do Brasil. Huck é um hipócrita e despreparado. Não dá para deixar passar batido. Como diz a máxima, as consequências vêm depois. O autoritário Agora a gente sabe qual era o plano do procurador Deltan Dallagnol para indicar ministros do STF (Supremo Tribunal Federal). Estabelecer uma lista tríplice escolhida pela fina flor do corporativismo de um Judiciário cheio de privilégios. Tratava-se um projeto de ditadura da toga. É justo registrar outros dois acertos de Bolsonaro. Tirou Sergio Moro da 13ª Vara Federal de Curitiba e não aceitou sugestão de seu então ministro da Justiça para indicar Deltan Dallagnol para a Procuradoria Geral da República. Essa gente é perigosa. Mudou a história do país para ajudar Bolsonaro a se eleger. No caminho, destruiu setores da economia brasileira e corrompeu a lei processual penal . Esses moralistas sem moral são responsáveis pelo agravamento da tragédia brasileira.

domingo, 21 de fevereiro de 2021

Democracia como prática de liberdade

Democracia no dia a dia Há várias formas de se identificar se uma pessoa ou uma instituição pratica a democracia ou não. 1 - Na relação empregatícia, sempre quem paga, tem mais poder do que quem recebe. A não ser que haja um contrato escrito com os itens mais relevantes bem definidos. Jornada de trabalho, critério de remuneração e de progressão na empresa. 2 – Nas escolas, a tradição é que o professor tenha mais poder do que o aluno, embora, cada vez mais os professores tenham menos autoridade sobre os alunos. Principalmente pela intervenção dos governantes, tanto no conteúdo, como nas relações. 3 – Em casa, a tradição também é que, quem tem mais dinheiro tem mais poder, porém, há muitos casos em que as mulheres, mesmo sem ter emprego e ter a renda bem menor do que o marido, elas tenham mais autoridade e mais poder em casa. 4 – Nas relações com as instituições como judiciário, polícia e governantes, a regra é que o representante da instituição tenha mais poder que o cidadão envolvido. 5 – Atualmente, ganha força a necessidade de haver uma equidade entre as etnias, gêneros e opções das pessoas na representação. Aqui a ausência da democracia é mais evidente. O Brasil de hoje tem mais mulheres que homens, tem mais negros e pardos que brancos e quanto às opções a relação é mais gritante. As religiões também estão interferindo nas democracias. 6 – A imprensa atualmente vem tendo mais peso na formação das pessoas do que deveria e isto faz com que a imprensa sinta-se mais importante que a OAB, o Legislativo, o Judiciário e até os eleitores. Herança do iluminismo... Todos os itens anteriores devem fazer parte do quotidiano das pessoas, desde a infância. Sociedades autoritárias como as mais pobres, as religiosas e as fechadas etnicamente, como Japão e Israel, fazem com que a evolução do autoritarismo para a efetiva participação coletiva das comunidades seja mais lenta. No caso do Brasil e da América Latina, saímos de um período de ditaduras civis e militares, para um período democrático, com crescimento econômico e integração social. Este período democrático está sob ataque diário dos setores conservadores. Aproveitando-se das crises econômicas, os conservadores acusam os progressistas de incompetentes. E isto se faz visível em todos os setores citados acima. No golpe de Estado em Miammar, além de prender a presidente, os militares suspenderam o acesso à informática e às redes sociais. O Brasil, mais civilizado e desenvolvido economicamente, recorreu-se ao judiciário, ao legislativo e à imprensa. Não precisou dos militares, embora estes estivessem na espreita... Continuaremos melhorando nossa democracia no dia a dia, ou, nos deixaremos ser dominados explicitamente por ditaduras brancas, machistas e manipuladoras? A resposta para isto está nas pequenas atividades do dia a dia.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

Aprendendo e ensinando a ler a Folha no seu aniversário

No aniversário da Folha... 15 contribuições ao jornal Folha Não é qualquer empresa que consegue sobreviver por 100 anos. Por si já é um grande feito. Mas a Folha não é qualquer empresa, é um grande negócio de comunicação. E, se qualquer empresa precisa de bons governos, os jornais e a mídia em geral, precisam muito mais... Hoje a Folha completa 100 anos de vida. Merece a saudação de todos. Tanto dos que a amam, quanto dos que a odeiam. Eu, como tenho uma relação de “amor e ódio”, e a leio há 50 anos, sinto-me no direito de fazer algumas observações ao jornal. A Folha conhece bem um livro de um jornalista inglês como o nome “A primeira vítima”, explicando que, na guerra, a primeira vítima é sempre a verdade. A Folha diz muitas verdades, como também diz muitas meias-verdades e várias mentiras... Li o Editorial de hoje e fui anotando e numerando os pontos onde poderia fazer observações. Não vou reproduzir a íntegra do Editorial porque é longo e eu tentei copiar mas é cansativo. Portanto, vão apenas minhas críticas contextualizadas... 1 – A Folha identifica-se como uma organização “que tem como atividade o jornalismo profissional e crítico.” Já no primeiro parágrafo duas afirmações discutíveis: 2 – “A celebração é espartana, conforme o momento e a praxe interna”. Concordo. O Brasil com mais de 240 mil mortos e no caos que se encontra não pode ter comemorações escandalosas. Eu mostraria que o jornal fez a melhor cobertura sobre a pandemia que afetou o mundo. 3 - O jornal não é o mesmo de 1921. Nem o Brasil, nem o mundo. O traço moderno e inquieto viria a definir seu DNA, e lhe daria o “espírito de imigrante”. 4 – Foi a partir dos anos 70, que a Folha ganhou relevo nacional. Primeiro, quando abriu-se para o debate público e depois com a campanha das Diretas. 5 – Seu compromisso basilar é com o jornalismo apartidário, crítico e pluralista. Outra sabedoria da Folha: Com 30 partidos de direita e 5 partidos de centro-esquerda, a Folha teria dificuldade em escolher qual dos 30 partidos melhor lhe representa. Embora todo mundo veja que a Folha morre de amores pelo PSDB. 6 – “Ao expressar seus pontos de vista, o jornal abraça a defesa de ideias, nunca de candidatos. “ 7 – O jornal se sabe falho e não pretende impor certezas – eis o que move seu pluralismo. Suas páginas continuam abertas a manifestações de todos os setores da sociedade e a diferente versões e interpretações dos fatos. 8 – A Folha é o único dos grandes veículos brasileiros a manter um profissional que é encarregado de fiscalizar a si próprio. 9 – O jornal reflete os mecanismos de governança mais exitosa jamais concebida pela humanidade, O ESTADO DEOCRÁTICO DE DIREITO. 10 – A Folha não acredita que seja possível o desenvolvimento material e o espiritual fora dos marcos DA DEMOCRACIA REPRESENTATIVA. 11 – Cumpre desconcentrar o poder e diluir a democracia. 12 – O jornal milita pelo consenso iluminista, a defesa das liberdades individuais. 13 – Pela primeira vez sob a Constituição de 1988, os veículos como a Folha se defrontam com um adversário do regime, adorador de autocratas e torturadores, na presidência da República. 14 – Os desejos de destruição da imprensa independente, que com tanta frequência escapam da boca do mandatário, são manifestações de uma contrariedade mais profunda. 15 – A causa da Folha é maior e mais forte. O jornal seguirá dando sua contribuição à democracia por um desenvolvimento justo, solidário e democrático. Palavras, palavras, belas palavras... Porque a Folha, ao completar 100 anos de existência, em tão longo e belo Editorial, não escreveu nem uma palavra sobre sua participação na direção do golpe de Estado contra o governo do PT, na gestão de Dilma, primeira mulher eleita democraticamente presidente do Brasil? Sem ficar claro para o povo brasileiro, a Folha foi um dos coordenadores de mais um golpe de Estado contra os poderes constituídos. Ao, mais uma vez, passar por cima da democracia, a Folha não pode reclamar de Bolsonaro. A Folha fez parte dos que fizeram o possível e o impossível para que a direita voltasse a governar no Brasil, mesmo que, para isso, tivessem que abrir mão da soberania nacional e eleger um louco, fascista e despreparado para governar um país que é um continente com mais de 210 milhões de brasileiros. Terá sido um “ato falho ”. Nestes meus 50 anos de convivência com a Folha, tenho mais elogios do que críticas. Porém, isto não isenta a Folha da profunda responsabilidade perante à História e a qualidade de vida do Brasil.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

As Forças Ocultas estão interferindo nas publicações

Falar de política está mais difícil que falar de sexo Quanto mais evolui a tecnologia, mais as pessoas demoram a entender o que eastá acontecendo. Com este negócio de o Brasil ter um governo de doidos, milicianos e evangélicos pentecostais, a censurta vem aumentando nas mais diversas formas. O judiciário quer dizer qual é o seu critério de verdades e mentiras; os políticos acam que podem falar qualquer coisa; a polícia agora se misturou com os evangélicos e mandatos parlamentar e viramos o samba do criolo doido. Sobrou até para as Forças Armadas. Um general com boa tradição, achou que podia escrever conforme o clima nos quarteis. Pronto, virou o forrobodó danado. Os blogueiros, que eram afiados em xingar e tirar sarro de todo mundo, de repente começaram a ficar com medo... Vai diminuindo a democracia, a liberdade de expressão e de reunião, as pessoas são estimuladas a comprar armas e muita munição e, quando aparecer alguém estranho em sua casa, pode atirar que o governo lhe protege... Se, para os moralistas, falar de sexo é pecado, agora falar de política ficou muito mais perigoso. Eu, que sempre gostei de falar de flores e aniversário, comecei a ver meus textos desaparecerem e a quantidade ficar quase zero. Mesmo com o fato de o blog ser mais lido no exterior do que no Brasil. As Forças Ocultas também censuram as redes sociais. Que pena.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

Maria Bethânia também gritou: Eu quero vacina, saúde, cultura e educação

Bethânia mexe com nossos corações e mentes 1968 foi o ano das trevas no Brasil. Mas isto não impediu de pessoas como Bethânia, Caetano, Gal e Gil brilharem. Bethânia fez um belíssimo live e fez muito setentão chorar de emoção. Começaria tudo outra vez, se possível fosse meu amor… Olhos nos olhos, quero ver o você faz.. ao saber que sem você eu passo bem demais. Se, por um lado, desafiávamos a ditadura military, por outro lado sofríamos com as separações e depois descobríamsos que poderíamos ser mais felizes, separados. Bethânia, nestes anos todos, manteve a paixão como tema. “Ele vinha sem muita conversa, sem muito explicar…” Agora, junto com a paixão, Bethânia grita: “Eu também quero vacina, respeito, verdade e misericórdia!” E o teatro vem abaixo: Fora Bolsonaro, abaixo a repressão! Aí eu me lembro que foi um live, não tinha multidão presente, cada um em sua casa gritava, chorava e dizia: Valeu a pena. Vamos ter que começar tudo outra vez. E, como toda vez que eu escrevo sobre as coisas que saem na Folha, meus amigos pedem para mandar cópia do artigo publicado, eu já vou divulgando os doi. A minha fantasia neste carnaval e o artigo também emocionado de Thales de Menezes. Live de Maria Bethânia repete a performance impecável de seus shows 14/02/2021 - Ilustrada - Folha – Thales de Menezes Live de Maria Bethânia repete a performance impecável de seus shows. Cantora mesclou clássicos a faixas de 'Noturno', disco de inéditas que lança daqui a algumas semanas. “Eu quero vacina, respeito, verdade e misericórdia.” Essa declaração foi uma das muitas que Maria Bethânia deu ao público virtual nos intervalos entre canções e poemas que apresentou em sua primeira live transmitida pela Globoplay na noite de sábado (13). Outra que disparou foi: “Obrigado a todos que confiam no meu canto!”. Nessa frase, uma constatação: como duvidar de uma cantora que, aos 74 anos, segue sendo uma força da natureza? Quem acompanhou as turnês recentes de Bethânia ficou acostumado a performances que flertam com a perfeição, quase sempre alcançando esse grau de perfeição. São shows meticulosos, exaustivamente ensaiados, nos quais a cantora exibe um domínio completo sobre tudo a seu redor. Da primeira à última nota, Bethânia transportou esse rigor para uma live que poderia ser talvez uma faceta mais descontraída de seu contato com o público, mesmo virtual. Mas não. Ela entrega sempre o modo impecável de ser e de cantar, o que é ótimo! Em tempos normais, seria até uma prévia da próxima turnê, com o material de “Noturno”, disco de inéditas que lança daqui a algumas semanas. Ofereceu uma pitada de canções novas, encaixadas dentro de uma seleção de sucessos antigos e algumas surpresas. E a volta ao passado foi radical. Bethânia declamou um texto que integrou o musical “Opinião”, um dos mais contestadores shows do período inicial da ditadura no país. Há exatos 56 anos, em 13 de fevereiro de 1965, ela substituiu Nara Leão no elenco do espetáculo, a convite da própria. Foi sua estreia nos palcos cariocas. E sua relação com 13 de fevereiro não parou por aí. Em 2016, nessa mesma data, ela desfilou na Mangueira, campeã do Carnaval naquele ano com um enredo sobre sua carreira. Mais forte do que hits conhecidos ou as novas (e boas) músicas extraídas de “Noturno” foi um bloco “de protesto” que surpreendeu em dois momentos seguidos. Primeiro, a versão dela para “2 de Junho”, música que Adriana Calcanhotto escreveu e lançou em single no ano passado. O vozeirão de Bethânia dá mais impacto ainda ao contundente lamento inconformado sobre a morte do menino pernambucano de cinco Miguel. Ele caiu do nono andar de um prédio quando deveria estar sob cuidados da patroa de sua mãe, um caso de comoção nacional. Em seguida, talvez na apresentação mais poderosa da noite, Bethânia emendou “Cálice”, música que é um dos principais hinos contra o regime militar, gravada em dueto por Chico Buarque e Milton Nascimento em 1978. Foi composta em 1973 por Chico e Gilberto Gil. Em um de vários deslizes do gerador de caracteres da Globoplay, que mostrava em legendas nomes e autores da músicas, foi creditada apenas a Chico Buarque. Do disco prestes a sair, Bethânia mostrou sua afinada colaboração com o violonista e compositor paulista Paulo Dáflin, cantando dele “Lapa Santa” e “De Onde Eu Vim”. Dáflin integrou o quarteto que acompanhou a cantora na live de quase 70 minutos. Ele tocou violão e guitarra, ao lado do violonista João Camarero, do percussionista Marcelo Costa e do baixista Jorge Helder, um dos produtores de “Noturno”. Mais do que se preocupar com hits, o roteiro do show reforçou a aposta de Bethânia em compositores que se acostumou a gravar nessas décadas de carreira. Chico Buarque também esteve presente em “Olhos nos Olhos” e “Sonho Impossível”, esta parceria com o cineasta Ruy Guerra. A Globoplay deu crédito de autoria à dupla, sem explicar que é uma versão de canção de Mitch Leigh e Joe Darion do musical americano “Man of La Mancha”. Chico Cesar autor que cada vez mais Bethânia inclui em seu repertório, teve três músicas na noite. Entre elas, uma apresentação emocionante de “Luminosidade”, que ela dedicou ao irmão Caetano. Aproveitou para dizer que gostaria de ouvir o afilhado Zeca, filho de Caetano, cantando essa música. O baiano Roque Ferreira, outro compositor querido, teve também três canções no setlist. Dele, “Lágrima” foi um grande momento. E emocionante foi o resgate de Gonzaguinha, um nome importantíssimo na bagagem de Bethânia. Ela abriu e fechou o show com sucessos estrondosos que conseguiu com canções dele. Iniciou a noite com uma versão capela de “Explode Coração” e fechou com “O que É, o que É”, que num show com plateia teria levado o público a subir nas cadeiras para dançar e berrar o refrão “É bonita, é bonita e é bonita”. Numa comparação quase inevitável, Bethânia fez uma live impecável, bem mais poderosa do que a recente do mano Caetano. Mas os dois exibiram reflexos do que são seus shows ditos “normais”. Caetano falou pelos cotovelos, sem nenhum texto ensaiado, foi repetitivo até. E chegou a ser titubeante em alguns números, como tem sido em suas turnês recentes e sempre emocionantes. Ela mostrou na live a mesma Bethânia dos shows, aquela em que seu público pode sempre confiar. Canções que tocam a memória afetiva das pessoas, intercaladas quase sem pausas com belos poemas, solidamente decorados, e o vozeirão que não dá o menor indício que um dia se enfraquecerá. Uma grande noite.