sexta-feira, 24 de novembro de 2017

O mundo na Encruzilhada

Angústia e insegurança leva ao "salve-se quem puder"

Angela Mercel, na Alemanha, não consegue compor seu ministério e pode cair.

Presidente dos Estados Unidos vive crise de autoridade e pode sofrer impeachment.

Inglaterra diz que vai sair, mas não consegue sair da União Europeia.

França vive ameaça de reformas e de imigrantes.

Papa Francisco faz parceria com os trabalhadores na defesa do emprego e da vida.

Argentina mobiliza-se para achar o submarino que desapareceu. 44 podem morrer.

O Brasil continua com governo, congresso e judiciário destruindo o Brasil do Bem Estar Social.

Ao mesmo tempo, ex-governadores, parlamentares e empresários, compartilham presídios com traficantes e assassinos. Chamem o Dr. Drauzio Varella!

Chile vive clima eleitoral do "vale tudo".

Mais um golpe militar na África. Desta vez, autorizado pela China. Pela China?

Putin, presidente russo, telefona para Trump, comunicando que está negociando a paz para a Síria. Os Estados Unidos estão passivos?

China continua comprando empresas brasileiras e de outros países. O mundo será dos comunistas chineses?

Entidades internacionais promovem seminários em defesa da Democracia e da Liberdade. E a Economia, quando será debatida para se construir uma alternativa ao neoliberalismo?

Enquanto tudo isto acontece, o "mercado" impõe uma nova moda trazida dos Estados Unidos:

No mês da Consciência Negra, o Brasil promove o BLACK FRIDAY!


Começou a circular o Expresso 2222...

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Abílio Diniz mantém incerteza na BRF

Abílio conseguiu emplacar novo presidente na BRF

Ou mostra resultados positivos,
ou não fica na presidência.

Não é meritocracia?


Abílio fez uma grande "engenharia política e financeira" e conseguiu montar uma composição que fez com que, mesmo tendo pouca participação acionária na BRF, Abílio tem indicado seus últimos presidentes. Sinal de que Abílio continua sendo bom especulador.

Desde que Abílio passou a indicar os presidentes da BRF que a empresa passou a ter resultados negativos.
Azar ou incompetência?

Agora, ante a pressão dos Fundos de Pensão, que são os maiores acionistas individuais, e também de parte significativa do mercado, Abilio conseguiu indicar mais um presidente.

Enquanto a Petros tem 11,4% e a Previ tem 10,7% de participação, Abílio tem apenas 4% das ações da BRF. Só que Abilio conta com o apoio de outros fundos e de outros acionistas, conseguindo assim fazer maioria.

Só que, uma empresa para ser bem administrada, é recomendável que seus acionistas façam acordo de gestão, sem atritos e sem desconfianças.

E quando uma empresa tem prejuízos, é igual ao trabalhador desempregado, a paz interna desaparece.

Time que não ganha jogo demite o técnico.

Empresa que não tem lucro,
demite o presidente, ou muda a composição acionária.


Abílio Diniz voltou ao centro da polêmica.

O Rio de Janeiro continua sendo...

O retrato do Brasil

O Judiciário resolveu assumir o poder no estado do Rio de janeiro e está prendendo todo mundo... menos os políticos tipo Aécio, é claro.

Até que ponto o Rio de Janeiro é diferente dos demais estados brasileiros?


Por que tanta garra para prender os políticos do Rio? E os outros?

Agora, prenderam até o casal Garotinho!
Estão prendendo também políticos evangélicos?
Vão prender o prefeito do Rio?

Se revolveram fazer uma devassa nas contas do Rio de Janeiro, porque não fazem em todos os estados? Está faltando transparência nisto tudo.

Como cantava Gilberto Gil:


O Rio de Janeiro continua lindo,
O Rio de Janeiro continua sendo...

O Rio ainda continua sendo a cidade mais bonita do mundo,


apesar da violência explícita,
apesar da decadência econômica,
apesar da corrupção generalizada,
apesar da pobreza e das favelas,
apesar da degeneração no futebol,
apesar da insegurança nas praias e
nas ruas...

O Rio continua sendo o retrato do Brasil.

Folha manipula resultado eleitoral no Chile

Cantou vitória antes da hora

A Folha virou um jornal do "pensamento único" em relação à política e ao neoleiberalismo.
Uma pena, já que a Folha foi durante bom tempo o melhor jornal do Brasil.
Agora virou jornal de visão única, mesmo que tenha que manipular as informações.

O exemplo das eleições no Chile,
repete a forma de noticiar as eleições na Argentina e também nos demais países.
A Folha cantou vitória antecipada do candidato conservador - de direita - antes das eleições. Afirmava que não haveria segundo turno e que a vitória seria exemplar.

Afinal, vivemos um momento histórico em que o POVO está votando na DIREITA NEOLIBERAL,
fazendo aquilo que antes só acontecia com golpes militares. Isto é, o povo chileno iria votar nos candidatos conservadores que apoiam Pinochet e a ditadura militar chilena. Na Argentina, pela primeira vez o povo votou na direita em oposição aos peronistas. E assim vai a farra do boi na Folha.

Quando saiu o resultado eleitoral no Chile, a Folha ficou perplexa.


O que aconteceu de errado?
Confesso que eu também não sei.
O Brasil ficou refém do noticiário conservador.

Já o Estadão, que na parte internacional é bem melhor que a Folha
, informou com neutralidade.

No caderno Internacional da terça-feira, a manchete foi:

"Pinera diz que quer votos da EXTREMA DIREITA para vencer segundo turno no Chile".


Isto é, o jornal não esconde que Pinera é de direita e que quer o apoio da extrema direita...

O Estadão também publica uma pequena matéria com o título:

"Para analista, segundo turno vai FAVORECER a esquerda no Chile"


Até o artigo do The Economist publicado no Estadão, tambémé cuidadoso com o resultado eleitoral no Chile.

"Chilenos entram em terreno desconhecido"


Realmente o mundo anda imprevisível, inseguro, imponderável e tudo indica que caminhamos para mais turbulências. Principalmente quando a imprensa deixa de informar e passa a manipular informações.

Como já dizia um ilustre jornalista inglês:

"Na guerra, a primeira vítima é a verdade."

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

O povo não quer votar nos políticos tradicionais e clama por algo novo

Vejam o recado do Chile...

O jornal El País, da Espanha, destaca o que vem sendo apresentado como mais relevante da política internacional:

O povo não quer mais votar nos políticos tradicionais. Os governos eleitos pela minoria da população, não têm legitimidade para privatizar, vender o país a preço de bananas, nem tem legitimidade para vender a soberania nacional.

O sistema republicano, de três poderes, está superado historicamente. Os governantes são corruptos, os parlamentares não ouvem o clamor do povo, e o judiciário está à serviço das grandes empresas.

O povo clama por algo novo!

Vejam os números do CHILE:


Um dos grandes protagonistas da jornada eleitoral foi a abstenção.


No pleito presidencial de 2013, 51% votaram, uma cifra que já deixava o Chile entre os países com maior redução na participação do eleitorado.

Desta vez, porém, caiu ainda mais.

Apenas 47% dos eleitores compareceram às urnas.


A participação vem caindo no Chile desde 1993, pouco depois da recuperação da democracia,

mas foi em 2012 que as cifras de abstenção dispararam, quando o voto passou de obrigatório a voluntário.

Nas eleições municipais de 2016, participaram apenas 36% dos eleitores habilitados.


Atenção:


Vejam a diferença entre a LEGALIDADE e a LEGITIMIDADE.

Uma coisa é mostrar o resultado tomando por base só quem votou e não sobre o total de eleitores em condições de votar. Os conservadores escondem os números...

Dos 100% de eleitores, compareceram e votaram apenas 47%.
Menos da metade.

Se meus cálculos estiverem certos, calculando o percentual apresentado como resultado oficial sobre o total de pessoas que efetivamente votaram, teremos:

Pinera - direita - teve apenas 17,20% de votos

Guillier - socialista - teve apenas 10,34% de votos

Beatriz - frente ampla - teve apenas 9,40% de votos

Os pinochetistas - tiveram apenas 3,76% de votos

e a Democracia Cristã - teve apenas 2,82% de votos.

Porém, se somarmos os votos dos socialistas com os votos da Frente Ampla e da Democracia Cristã podemos concluir que a direita, representada por Pinera, tem tudo para perder as eleições no segundo turno.

O interessante é que a imprensa internacional, e a brasileira muito mais, só fala da vitória da direita. Não foi por acaso que a imprensa perdeu nas eleições americanas. Esconderam informações para o povo e o povo deu o troco.

Por um sistema eleitoral e de representação mais participativo e mais legítimo.

Jorge Zahar e a cultura brasileira

Uma bela história

No vai-e-vém da Folha, ontem não li nenhum artigo, hoje aparece um belo artigo de crítica ao livro "A Marca do Z", contando a biografia de Jorge Zahar, que lançou a Editora Zahar que fez história no Brasil e na nossa vida. O livro é de autoria de Paulo Roberto Pires.

Para nossa geração dos anos 60 e 70, falar em livros de política, era falar da Editora Zahar. Por exemplo, fui na biblioteca pegar um dos livros da editora para ver a data da publicação. Entre outros livros, achei um com o titulo:

"Autogestão: Uma Mudança Radical", de autoria de Alain Guillerm e Yvon Bourdet. Publicado em 1976. Para quem não lembra ou não sabe, em 1976 o Brasil ainda estava sob uma ditadura militar...

Uma boa história contada no artigo da Folha de hoje, foi como Zahar decidiu publica o livro "A História da Arte", de Gombrich.

Durante anos o editor Jorge Zahar sonhou em oferecer para o leitor brasileiro o livro considerado clássico da história da arte, no Brasil só existia em inglês e espanhol. A decisão de correr o risco veio durante a Feira de Frankfurt de 1977, quando ele se deparou com a VERSÃO FINLANDESA do livro.

A Finlândia tinha 5 milhões de habitantes. O Brasil 120 milhões.


De 120, se tira metade, que não consome. Ficam 60 milhões, tira metade, que nunca pensou em ler. Ficam 30 milhões. Corta mais uma metade, que nunca viu um livro de arte. Sobram 15 milhões. Dividido ao meio, ainda dão 7,5 milhões de "finlandeses brasileiros". Mais do que a população da Finlândia. Então tinha que dar certo. E deu! Vendeu 130 mil exemplares.

Gostei ainda mais do exemplo acima, porque em 10/04/2011 comprei a edição do "The Story of Art", de Gombrich, editado pela Phaidon. Em papel bíblia e muito gostoso de ler. Em 30/07/2011, comprei a edição em português. Era a 16a. edição, da LTC... Não era da Zahar. Não sei porque?

Leiam o artigo da Folha. Tem como título:

"Biografia retrata formador de leitores"
e está no caderno Ilustrada.

Este negócio de povo que ler e pessoas que não leem é muito interessante.

Amador Aguiar, dono do banco Bradesco, tinha segundo ano primário e, além de fundar o maior banco privado do Brasil durante décadas, criou também a Fundação Bradesco que atende crianças de todo o Brasil.

Minha mãe também estudou apenas até o segundo ano primário, mas já leu mais de 500 livros...

Meu sogro, que veio do Japão com apenas 11 anos, já estava na quinta série quando veio para São Paulo. Para sua surpresa, não havia escolas nem para brasileiros, quanto mais para japoneses. Seu Yassuo teve onze filhos. Todos fizeram faculdade, sendo quatro médicos e professores de medicina.

O Brasil está cheio de belas histórias
, mas a imprensa só tem priorizado tragédias. Inclusive àquelas criadas pela própria imprensa, como este governo ilegítimo e este congresso nacional corrompido.

Todos os jornais, rádios e TVs, deviam sempre contar bons exemplos.

O Brasil tem mais libaneses que o Líbano. E os sírios-libaneses, além de criarem o melhor hospital do Brasil, também são ótimos professores, advogados, comerciantes e escritores...

Os brasileiros, mesmo viajando pelo mundo, quando querem um bom livro de história, nem sempre acham...

Precisamos de mais livrarias e mais editores.

domingo, 19 de novembro de 2017

João Guimarães Rosa morreu há 50 anos, neste dia 19 de Novembro de 1967.

Ainda estamos aguardando sua biografia definitiva

Não achei nada na Folha de hoje sobre os 50 anos da morte de Guimarães Rosa.
O quê anda acontecendo com a Folha? Como esquecer Guimarães Rosa?

Já o Estadão, mesmo reacionário na política, na cultura e na internacional continua melhor que a Folha
O Estadão deu capa ontem e dois artigos exemplares, um de Guilherme Sobota e outro de Silviano Santiago sobre 0s 50 anos da morte de Guimarães Rosa.

Depois de publicar ontem e hoje o brilhante discurso do médico, escritor, voluntário, homem de mídia e brilhante brasileiro DRAUZIO VARELLA, não poderia esquecer a bela homenagem do Estadão a Guimarães Rosa.

Leiam este belíssimo artigo de Silviano Santiago:

'Grande Sertão: Veredas' continua tão moderno como outro clássico nacional, 'Os Sertões'


Silviano Santiago, ESPECIAL PARA O ESTADO
18 Novembro 2017

O francês Roland Barthes e o italiano Giorgio Agamben
se encontram em definição de caráter histórico e filosófico que explica a magia atemporal do romance Grande Sertão: Veredas e ainda salienta seu significado inesgotável. Barthes e Agamben sustentam que “o contemporâneo é o inatual”.

No Brasil a vibrar com a construção de Brasília no planalto central e, posteriormente, com a abertura da Transamazônica em plena selva, nada mais inatual artística e socialmente e, no entanto, mais contemporâneo, que o monstruoso romance escrito por Guimarães Rosa em meados do século 20 e publicado em 1956.

Recordemos a década de 1950.

João Cabral de Melo Neto tinha anunciado o credo minimalista dos anos 1950. Poetar com 20 palavras, sempre as mesmas. Os irmãos Campos e Décio Pignatari reduzem o verso e até o poema a uma única palavra. A primeira Bienal de São Paulo (1954) abole a figura humana e favorece como atual o abstracionismo geométrico da escultura de Max Bill e da tela de Ivan Serpa. As rádios adotam o singelo, doce e nostálgico balanço da bossa-nova, tão cool quanto o jazz moderno que o vocábulo inglês qualifica tão bem.

Lembram “do barquinho a deslizar no macio azul do mar”
(Roberto Menescal)? Os exemplos se sucedem e todos desautorizam o atrevido e descomunal Grande Sertão: Veredas como modelo da temática e escrita comprometidas com a atualidade brasileira em plena modernização cosmopolita.

O romance é incompreendido.

Faltam-lhe leitores. O monstro não se entrega sem as transgressões e asperezas estilísticas da vida cotidiana num enclave perdido no Alto do São Francisco. Incomoda e não seduz. Numa série de entrevistas curtas publicadas na revista Leitura, romancistas e poetas destacados se reúnem para falar mal. A matéria ganha título explícito e demolidor:

“Escritores que não conseguem ler Grande Sertão: Veredas”.

Autor do originalíssimo A Luta Corporal, Ferreira Gullar declara: “Li 70 páginas do Grande Sertão: Veredas. Não pude ir adiante. A essa altura, o livro começou a parecer-me uma história de cangaço contada para os linguistas”.

Compete a uma jovem e já notável geração de críticos literários, com destaque para Antonio Candido, assumir a tarefa de demonstrar o valor e o significado do romance. Apesar da inatualidade do texto ficcional de Rosa, eles se entusiasmam com o ineditismo da sua prosa e se entregam ao trabalho de amansar o bicho selvagem para o leitor. Há que torná-lo palatável ao gosto dos mestres romancistas e do leitor comum.

Por que não inseri-lo numa tradição de épicos brasileiros que facilitaria a compreensão do texto e interesse pela trama, evidenciando, ainda que de modo ligeiramente falso, sua atualidade?

Gera-se um consenso.

Grande Sertão: Veredas é tão moderno e atual quanto Os Sertões, de Euclides da Cunha.

Os grandes críticos presentes no pioneiro número 8 da revista Diálogo saem de mãos dadas: ainda que inatual, o romance de Rosa é, no entanto, tão genial quanto a obra-prima de Euclides. Assassina-se a letra; salva-se o espírito?

Constitui-se uma tradição de leitura
do Grande Sertão: Veredas que hoje nos incomoda e perturba. Haja vista o recente espetáculo apresentado no Sesc de São Paulo, dirigido por Bia Lessa. A qualidade selvagem do romance - sua wilderness - tinha sido domesticada. É ela, no entanto, que agiganta a originalidade de Grande Sertão: Veredas na América Latina e na literatura ocidental.

Desdomesticá-la, eis a nova proposta.


A fatura do romance de Rosa não é histórica nem simbólica. Pouco ou nada tem a ver com os fatos que levam a história do Brasil a transitar do período monárquico ao republicano pela dramatização da revolta dos conselheiristas na Bahia. Não há data no romance. Riobaldo não menciona uma só vez o nome da capital federal.

A fatura do romance é alegórica e paradoxal.

Quando é que quisemos ser modernos e terminamos por gerar regiões mais atrasadas do que as mais atrasadas? Desde sempre. Ou melhor, na história da nação brasileira, é assim que os administradores agem de maneira intermitente. Os governos dialogam com a história social e econômica da nação, despreocupando-se com o destino dos menos favorecidos. Somos fantásticos na construção civil e desastrados no planejamento habitacional das cidades.

Gestamos enclaves selvagens.


No período pós-escravidão africana, quisemos ser modernos na construção da Avenida Central, no Rio de Janeiro, e erigimos as favelas nos morros da capital federal. Em tempos de Vidas Secas (refiro-me aos candangos), quisemos construir nova e moderníssima capital federal e deixamos ao lado, no Alto do São Francisco, um enclave onde a anarquia feroz dos jagunços se assemelha à encontrada hoje nas penitenciárias das metrópoles. Em tempos de Carandiru, quisemos armar sistema de controle de enclaves, afinado com o moderno saber das ciências sociais, e nos tornamos tão ou mais irascíveis que Zé Bebelo.

Modernizamos e segregamos.


Afirma Agamben que ser contemporâneo não é ser atual. O contemporâneo é aquele que se descola das luzes do presente em que vive para perceber o escuro da realidade em que vivemos todos. O artista contemporâneo neutraliza as luzes sedutoras que norteiam sua época para enxergar as trevas, de que são inseparáveis.

Só é contemporâneo quem recebe no rosto o facho de trevas - e não de luzes - que provém do seu tempo.

Recebe o facho de trevas no rosto e, no entanto, enxerga.

Escreve o romance Grande Sertão: Veredas.